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Comunidades antigas do sul de Belize incorporavam proteína de animais alimentados com milho à dieta por volta de 6.100 anos antes do presente. A conclusão vem de análise isotópica de aminoácidos em restos humanos datados diretamente. O estudo indica uma estratégia alimentar para compensar limitações nutricionais do milho, sobretudo a baixa concentração de lisina (DOI 10.1126/sciadv.aec3522).
Os cientistas analisaram 39 indivíduos humanos de sítios arqueológicos do sul de Belize. As amostras cobrem o intervalo entre 6.100 e 1.100 anos antes do presente. O trabalho também avaliou plantas modernas e perus modernos alimentados com milho.
O milho possui alto valor energético. Mas apresenta baixo teor de proteína e deficiência de lisina. A lisina integra o grupo dos aminoácidos essenciais. Humanos precisam obtê-la pela dieta. Para se ter uma ideia do desafio nutricional, os cientistas calculam que um adulto de 68 kg precisaria devorar mais de 6 kg de milho seco diariamente para suprir suas necessidades de lisina, uma meta humanamente impossível que forçou nossos antepassados a buscarem uma solução criativa: a carne.
Os modelos indicaram aumento da participação de fontes C4 na proteína humana ao longo do tempo. Entre 6.100 e 3.000 anos antes do presente, os indivíduos obtinham em média 22,8% da proteína de fontes C4. Após 3.000 anos antes do presente, esse percentual chegou a 79,6%.
Os resultados apontam para consumo regular de animais ligados ao milho. Os pesquisadores usaram perus modernos como referência para animais onívoros ou herbívoros alimentados com milho. O estudo sugere transferência trófica de lisina derivada do milho. Nesse processo, animais consumiam milho. Depois, humanos assimilavam a lisina ao consumir esses animais.
A hipótese não depende de domesticação formal. O trabalho menciona manejo, provisão direta ou uso de animais próximos a áreas cultivadas. A evidência antecede em cerca de 4.000 anos os primeiros registros diretos de animais domesticados em conjuntos zooarqueológicos regionais.
Os cientistas afirmam que o milho provavelmente não substituiu sistemas alimentares diversos baseados em recursos C3. Ele entrou em combinação com plantas, animais silvestres e práticas de manejo. Essa combinação pode ter sustentado a expansão do cultivo de milho na Mesoamérica.
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