Entressafra abre janela para controle de plantas daninhas

Planejamento da dessecação pode reduzir a infestação e facilitar o manejo na próxima safra

17.08.2026 | 14:30 (UTC -3)
Cocari, edição Revista Cultivar

A colheita das culturas de inverno e do milho segunda safra abre uma janela importante para preparar a próxima safra. Nesse período, o planejamento do controle de plantas daninhas pode fazer diferença no estabelecimento e no desenvolvimento da cultura que será implantada.

Uma dessecação bem planejada permite iniciar o cultivo com menor infestação na área, reduzindo a competição por água, luz e nutrientes. O controle antecipado também evita que espécies invasoras avancem para estágios de desenvolvimento mais difíceis de manejar durante a safra.

As recomendações técnicas são da Cocari e foram destacadas na série Dica do Especialista, pelo engenheiro agrônomo Rodrigo Rombaldi, supervisor do Departamento Técnico (Detec) da cooperativa. Ele reforça a importância de avaliar as condições de cada área antes de definir as ações para a entressafra. 

Diagnóstico da área orienta as decisões

Antes de definir a estratégia de controle, o primeiro passo é monitorar a área. A identificação das espécies presentes, o nível de infestação e o estágio de desenvolvimento das plantas ajudam a determinar as medidas mais adequadas para cada situação.

O diagnóstico ganha ainda mais importância em áreas com ocorrência de espécies de difícil controle, como buva, caruru, capim-amargoso e capim-pé-de-galinha. Em algumas situações, quanto mais avançado o desenvolvimento da planta daninha, maior é o desafio para obter um controle eficiente.

Por isso, antecipar as ações e controlar as invasoras ainda nos estágios iniciais é uma das formas de reduzir a pressão sobre a cultura seguinte.

Diferentes ferramentas podem ser utilizadas

A dessecação pré-plantio é uma das ferramentas disponíveis para o controle de plantas daninhas, mas não é a única. A definição das medidas, segundo a Cocari, deve levar em conta o histórico da área, as espécies presentes e as características da propriedade. 

Entre as possibilidades estão:

  • Dessecação pré-plantio: elimina a vegetação presente antes da implantação da cultura;
  • Aplicações sequenciais: podem ser necessárias em situações de maior infestação ou quando um único tratamento não é suficiente;
  • Herbicidas pré-emergentes: auxiliam no controle de novos fluxos de plantas daninhas após a implantação da cultura;
  • Controle em pós-emergência: deve ser realizado de acordo com a cultura, as espécies presentes e a estratégia definida para a área;
  • Cobertura do solo: a formação e a distribuição adequada da palhada reduzem a incidência de luz sobre o solo e podem contribuir para diminuir a emergência de plantas daninhas, além de favorecer a conservação do sistema produtivo.

A combinação dessas ferramentas deve ser definida conforme as necessidades de cada área, evitando que a dessecação seja tratada como uma operação isolada.

Qualidade da aplicação também interfere no resultado

A escolha dos produtos é apenas uma parte do processo. As condições encontradas no momento da pulverização também interferem diretamente na eficiência do controle.

Temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento devem ser monitoradas para identificar condições adequadas à aplicação. A regulagem do pulverizador, a escolha das pontas, a vazão e a pressão também precisam estar de acordo com a recomendação técnica.

A preparação da calda é outro ponto de atenção. É necessário verificar a compatibilidade entre os produtos utilizados e a necessidade de adjuvantes para cada situação.

Também devem ser observadas as recomendações específicas de cada produto, incluindo intervalos entre aplicações e períodos relacionados à permanência de moléculas no solo quando forem utilizadas ferramentas com efeito residual.

Planejamento antecipado reduz problemas durante a safra

O objetivo do planejamento é iniciar a próxima cultura com menor pressão de plantas daninhas e reduzir a necessidade de intervenções ao longo do ciclo.

Áreas com infestação elevada podem aumentar a competição por água, luz e nutrientes, além de dificultar operações agrícolas e favorecer outros problemas no sistema produtivo. As consequências podem se estender até as etapas finais da cultura.

Por isso, o planejamento da dessecação deve fazer parte de um programa integrado de manejo, que começa com o monitoramento da área e continua durante todo o ciclo da cultura.

Na avaliação das condições de cada propriedade, o acompanhamento da equipe técnica da Cocari pode auxiliar na definição das medidas mais adequadas para o controle de plantas daninhas e para o estabelecimento da próxima safra. 

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