Embrapa lança projeto para monitorar riscos climáticos no agro

Com início previsto para julho, iniciativa terá duração de 48 meses; ação será conduzida por 39 pesquisadores

25.06.2026 | 16:28 (UTC -3)
Sílvia Zoche Borges
Foto: Danilton Luiz Flumignan
Foto: Danilton Luiz Flumignan

A Embrapa anunciou o lançamento de um novo projeto voltado à antecipação e ao monitoramento de riscos climáticos na agricultura. Intitulado "Do risco à decisão: soluções inteligentes para antecipação e monitoramento de riscos climáticos na agricultura", seu início é previsto para julho de 2026 e terá duração de 48 meses. Resultado de uma Chamada Comissionada, da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DEPD), a ação será conduzida por uma rede de 39 pesquisadores e analistas da Embrapa, integrantes das equipes técnicas de 15 Unidades Descentralizadas, sob liderança da Embrapa Agropecuária Oeste. 

“Queremos fortalecer a capacidade do setor agrícola brasileiro de prevenir perdas e tomar decisões mais assertivas diante de eventos climáticos adversos”, afirma o pesquisador Danilton Luiz Flumignan, líder do projeto. 

O projeto contará com investimento inicial de R$ 2 milhões da Embrapa e se encontra disponível para cooperação técnica e financeira. Para mais informações sobre acordos de cooperação, o contato pode ser feito com o gestor de comunicação do projeto, pesquisador Éder Comunello (eder.comunello@embrapa.br). 

A iniciativa tem como foco principal culturas estratégicas como soja, milho e trigo, além de outras culturas relevantes, incluindo arroz, feijão-comum, feijão-caupi, mandioca e frutíferas de clima temperado (uva e maçã). Entre os principais fatores de risco analisados estão os eventos de seca e geada, dois grandes causadores de perdas de produtividade agrícola no país.

Atuação em três frentes

O projeto tem como objetivo enfrentar o problema em três frentes principais. A primeira envolve o desenvolvimento de indicadores e metodologias para análise de risco climático, com foco em sistemas de alerta precoce capazes de antecipar eventos climáticos adversos, o que subsidiará a tomada de decisões e a mitigação de impactos. A segunda frente focará o monitoramento de perdas agrícola, através do uso de avançados modelos biofísicos de simulação para estimar perdas reais de produtividade, permitindo acompanhar, em tempo quase real, os efeitos do clima sobre a produção agrícola nacional.

Já a terceira etapa integra o desenvolvimento de bases de dados, ferramentas analíticas e modelos de simulação em um ambiente digital, formando a base para aquilo que será uma futura plataforma de gestão de riscos climáticos. “Uma das metas é criar uma plataforma digital integrada para gestão de riscos climáticos na agricultura brasileira, fundamentada em dados e ciência. A ferramenta deverá oferecer painéis de visualização e análises que auxiliem tanto produtores rurais quanto agentes públicos e instituições financeiras”, explica Flumignan sobre os resultados esperados.

O pesquisador destaca que o projeto se propõe a atuar com uma abordagem preventiva e inteligente, antecipando crises e impactos diante de eventos climáticos. Além de apoiar o setor produtivo na adaptação e aumento da resiliência, o projeto também deverá contribuir para a otimização de políticas públicas, como seguros e crédito rural, e para o monitoramento do desempenho da economia agrícola nacional.

Segundo ele, a ação se articula com iniciativas já existentes, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), ampliando a capacidade de análise e resposta frente aos desafios impostos pelo clima a agricultura nacional.

“Os eventos climáticos extremos têm imposto desafios crescentes à agricultura brasileira e exigem respostas cada vez mais baseadas em ciência, dados e capacidade de antecipação. Este projeto reforça o compromisso da Embrapa com o desenvolvimento de soluções que apoiem produtores, agentes públicos e instituições financeiras na gestão dos riscos e na construção de sistemas produtivos mais resilientes”, destaca o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Clenio Pillon.

“A iniciativa reúne competências de 15 Unidades da Embrapa e integra conhecimentos em clima, solos, culturas agrícolas, modelagem e agricultura digital. Essa atuação em rede é fundamental para transformar informações qualificadas em instrumentos práticos de apoio à decisão, contribuindo para reduzir perdas, aperfeiçoar políticas públicas e fortalecer a sustentabilidade da produção agropecuária brasileira”, finaliza.

Unidades da Embrapa

Participam 39 pesquisadores de 15 Unidades da Embrapa:

  • Agropecuária Oeste – Unidade líder (Dourados/MS)
  • Agricultura Digital (Campinas/SP) 
  • Agrossilvipastoril (Sinop/MT) 
  • Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás/GO) 
  • Cerrados (Planaltina/DF) 
  • Clima Temperado (Pelotas/RS) 
  • Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas/BA) 
  • Meio Ambiente (Jaguariúna/SP) 
  • Meio-Norte (Teresina/PI) 
  • Milho e Sorgo (Sete Lagoas/MG) 
  • Gerência-Geral de Pesquisa e Desenvolvimento (Brasília/DF) 
  • Soja (Londrina/PR) 
  • Solos (Rio de Janeiro/RJ) 
  • Trigo (Passo Fundo/RS) 
  • Uva e Vinho (Bento Gonçalves/RS)

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