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Pesquisadores da Embrapa Soja identificaram 62 cultivares com tecnologia Soja Tolerante às Sulfonilureias (STS) entre 423 materiais avaliados de 2021 a 2026. O número corresponde a 15% das cultivares analisadas. A informação pode orientar a escolha de herbicidas no manejo de plantas daninhas e ajudar no controle da soja voluntária em culturas cultivadas na sequência.
A tecnologia STS confere tolerância a herbicidas do grupo químico das sulfonilureias. Esses produtos atuam por meio da inibição da enzima acetolactato sintase, conhecida pela sigla ALS. Entre os herbicidas desse grupo aparecem chlorimuron, nicosulfuron e metsulfuron. Cultivares STS apresentam alterações genéticas denominadas Als1 e/ou Als2.
A característica amplia as opções de manejo em áreas com plantas daninhas resistentes a outros herbicidas. Segundo a Embrapa, a tecnologia também oferece alternativa ao uso exclusivo do glifosato. A possibilidade ganha importância diante da necessidade de controlar espécies de difícil manejo e da retomada do uso de algumas sulfonilureias contra plantas resistentes ao glifosato.
O conhecimento sobre a presença da tecnologia também interfere no planejamento das culturas sucessoras. A soja voluntária, conhecida como soja tiguera ou soja guaxa, nasce a partir de grãos perdidos durante a colheita. Plantas sem a tecnologia STS podem receber controle químico com algumas sulfonilureias em cultivos posteriores. No trigo, por exemplo, o metsulfuron figura entre as opções. No milho safrinha, o nicosulfuron pode integrar o manejo. Essas alternativas perdem eficácia contra soja voluntária originada de cultivar STS.
A ausência dessa informação no momento da escolha da cultivar pode limitar o controle químico posterior. O problema pode alcançar sistemas com trigo, milho, feijão, algodão e outras culturas em sucessão. Para o pesquisador Rafael Romero Mendes, da Embrapa Soja, o conhecimento prévio sobre a tecnologia reduz o risco de selecionar uma estratégia incompatível com a soja voluntária presente na área.
A STS também amplia a seletividade de algumas sulfonilureias na própria soja. Cultivares sem tolerância podem apresentar fitotoxicidade após exposição ao herbicida. Os sintomas incluem amarelamento, necrose, deformações e atraso no crescimento. A tecnologia permite maior segurança no uso desses produtos. Há expectativa de níveis menores de fitotoxicidade, abaixo de trinta por cento, para cultivares STS submetidas a herbicidas do grupo, como chlorimuron, em pós-emergência. Mesmo materiais sem STS podem apresentar diferentes níveis de tolerância por mecanismos como metabolização ou desintoxicação.
Os pesquisadores destacam ainda o uso de sulfonilureias em pré-emergência. Essa modalidade amplia as ferramentas disponíveis para programas de manejo de plantas daninhas. A aplicação assume relevância principalmente em cultivares convencionais com tecnologia STS, nas quais a tolerância permite maior seletividade.
A equipe utilizou genotipagem KASP para detectar as alterações Als1 e Als2. O trabalho começou com três cultivares-padrão STS (P46A57BX, P44A72BX e CD250RR) e um controle sensível, BRS 1057. Ensaios prévios confirmaram alta tolerância das três primeiras e alta sensibilidade da cultivar usada como controle negativo.
Após a extração de DNA, os pesquisadores amplificaram e sequenciaram o gene ALS. A comparação das sequências permitiu identificar as mutações associadas aos eventos Als1 e Als2. A partir desse resultado, a equipe desenvolveu primers para o ensaio KASP e realizou as análises por PCR em tempo real.
No monitoramento, as cultivares cresceram em casa de vegetação. A equipe coletou tecido foliar no estádio V2, com amostras de cem miligramas. O trabalho incluiu 83 cultivares em 2021, 33 em 2023, 187 em 2024, 89 em 2025 e 31 em 2026. O conjunto somou 423 cultivares. O marcador molecular separou materiais com e sem as alterações associadas à tecnologia STS.
Entre os materiais avaliados em 2026, o diagnóstico apontou presença da tecnologia em BMX Imune TF I2X, C 2560 CE, C 2615 CE, C 2550 CE, DM 54IX57 I2X, DM 59IX61 I2X, DM 64K67 CE e M 6131 I2X. O resultado representa o perfil genético das cultivares analisadas no levantamento e oferece informação adicional para o planejamento do manejo químico.
O trabalho foi realizado pelos cientistas Fernando Storniolo Adegas, Rafael Romero Mendes, Francismar Corrêa Marcelino-Guimarães e Dionisio Luiz Pisa Gazziero.
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