Corteva detalha desempenho de proteção de cultivos após cisão

Documento mostra US$ 3,851 bilhões em vendas no semestre e US$ 861 milhões na América Latina

02.10.2026 | 06:11 (UTC -3)
Revista Cultivar

A Corteva registrou vendas líquidas de US$ 3,851 bilhões no negócio de proteção de cultivos durante o primeiro semestre de 2026. O EBITDA operacional alcançou US$ 815 milhões, com margem de 21,2%. Herbicidas responderam por US$ 1,959 bilhão. A América Latina gerou US$ 861 milhões em vendas. Os novos dados constam no relatório apresentado pela companhia após a separação da Vylor.

O desempenho supera as vendas de US$ 3,731 bilhões registradas no primeiro semestre de 2025. No mesmo intervalo do ano anterior, o EBITDA operacional somou US$ 731 milhões e a margem alcançou 19,6%. A Corteva apresenta o EBITDA operacional como medida financeira não baseada nos princípios contábeis dos Estados Unidos.

O lucro das operações continuadas após impostos recuou de US$ 318 milhões para US$ 211 milhões entre os dois períodos. A companhia registrou US$ 229 milhões em itens significativos antes de impostos no primeiro semestre de 2026. O montante incluiu US$ 108 milhões em despesas de reestruturação e ativos e US$ 121 milhões em acordos estimados em ações judiciais relacionadas a uma investigação da Federal Trade Commission (FTC), dos Estados Unidos.

Composição das receitas

Os dados também mostram a composição das receitas da nova Corteva. As vendas de herbicidas passaram de US$ 1,855 bilhão para US$ 1,959 bilhão entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Inseticidas permaneceram próximos da estabilidade, com US$ 772 milhões em 2025 e US$ 776 milhões em 2026. Fungicidas recuaram de US$ 646 milhões para US$ 597 milhões. Biológicos passaram de US$ 181 milhões para US$ 156 milhões. Outros produtos avançaram de US$ 277 milhões para US$ 363 milhões.

A América Latina ampliou vendas e participação no negócio. As vendas regionais passaram de US$ 818 milhões para US$ 861 milhões no período, e a fatia da região no total subiu de 21,9% para 22,4%. Europa, Oriente Médio e África avançaram de US$ 1,146 bilhão para US$ 1,211 bilhão. Ásia-Pacífico passou de US$ 450 milhões para US$ 481 milhões. América do Norte recuou de US$ 1,317 bilhão para US$ 1,298 bilhão.

O peso latino-americano também aparece nos números anuais. A região respondeu por US$ 2,426 bilhões das vendas da proteção de cultivos em 2025. Em 2024, o valor alcançou US$ 2,289 bilhões. A América do Norte liderou em 2025, com US$ 2,866 bilhões. Europa, Oriente Médio e África somaram US$ 1,662 bilhão. A Ásia-Pacífico respondeu por US$ 886 milhões.

Consolidado de 2025

No consolidado de 2025, a operação de proteção de cultivos faturou US$ 7,840 bilhões. O valor superou os US$ 7,553 bilhões de 2024, mas permaneceu abaixo dos US$ 8,070 bilhões de 2023. O lucro líquido atribuível à nova Corteva chegou a US$ 560 milhões. Em 2024, o negócio havia registrado prejuízo de US$ 35 milhões. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento somaram US$ 479 milhões em 2025.

O EBITDA operacional de 2025 atingiu US$ 1,486 bilhão. A margem ficou em 19%. Em 2024, o indicador havia alcançado US$ 1,316 bilhão, com margem de 17,4%. Em 2023, somou US$ 1,465 bilhão e margem de 18,2%.

Particularidade contábil

O documento também esclarece uma particularidade contábil da separação. A Vylor recebeu o tratamento de sucessora contábil da antiga Corteva, apesar de ocupar a posição de empresa separada na forma jurídica da operação. Com isso, as demonstrações consolidadas históricas da antiga Corteva passaram a formar o histórico financeiro da Vylor. As demonstrações da nova Corteva, dedicada à proteção de cultivos, foram preparadas a partir dos registros contábeis históricos da antiga Corteva. Por adotarem bases contábeis distintas, esses números diferem dos resultados divulgados anteriormente para o segmento.

Essa metodologia exige cautela na comparação dos números. O negócio de proteção de cultivos operava como segmento da Corteva antes da cisão. As demonstrações combinadas incluem receitas e custos atribuíveis à atividade e alocações de despesas corporativas. A própria companhia informa a possibilidade de diferenças em relação aos custos de uma operação independente. A estrutura futura terá despesas próprias com funções como alta gestão, finanças, tecnologia da informação, jurídico, administração de benefícios, tesouraria, gestão de riscos e compras.

Relação histórica

A documentação também quantifica a relação histórica entre proteção de cultivos e sementes. No primeiro semestre de 2026, a nova Corteva vendeu US$ 122 milhões em produtos para tratamento de sementes destinados ao segmento de sementes da antiga companhia. No mesmo período de 2025, essas vendas somaram US$ 102 milhões. Após a cisão, acordos comerciais passam a reger parte dessa relação entre Corteva e Vylor.

A estrutura financeira pro forma mostra outra mudança relevante. O exercício considera US$ 3,058 bilhões em caixa e equivalentes após os ajustes da separação. Os empréstimos de curto prazo cairiam de US$ 3,092 bilhões no balanço histórico de 30 de junho para US$ 70 milhões. A dívida de longo prazo ficaria em US$ 943 milhões. O total de ativos alcançaria US$ 21,135 bilhões e o patrimônio total, US$ 12,921 bilhões. Esses números têm finalidade ilustrativa e não representam previsão de resultados futuros.

A reorganização financeira considerou o recebimento de US$ 3,499 bilhões da Vylor. A operação também envolveu a quitação prevista de US$ 2,422 bilhões em commercial papers e de US$ 600 milhões utilizados em uma linha de crédito rotativa de 364 dias. A EIDP, subsidiária da nova Corteva, emitiu ainda US$ 700 milhões em títulos com vencimento em 2036.

Programas de reestruturação

A nova Corteva mantém ainda dois programas de reestruturação. Um deles, aprovado em março de 2026, envolve reduções de pessoal em áreas comerciais e de suporte. A empresa registrou US$ 45 milhões em despesas relacionadas no primeiro semestre. O programa prevê encargos totais entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões. A conclusão permanece prevista para dezembro de 2026.

Outro programa atua sobre a rede produtiva de proteção de cultivos. O plano inclui a saída das atividades de produção em Pittsburg, na Califórnia, além do encerramento de linhas selecionadas em outras unidades. Em junho de 2026, a Corteva acrescentou a intenção de encerrar atividades produtivas em Asturias, na Espanha. A medida depende de consulta aos representantes dos trabalhadores. A companhia estima encargos acumulados entre US$ 720 milhões e US$ 783 milhões. Até o fim do segundo trimestre de 2026, já havia reconhecido US$ 646 milhões. As ações do programa devem avançar até o fim de 2028.

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