Combinação genética amplia frutificação do tomate sob frio

Mutação combinada antecipou a frutificação sem fecundação e elevou a produção de frutos vermelhos sob baixas temperaturas

13.08.2026 | 09:05 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
doi 10.1111/nph.71503
doi 10.1111/nph.71503

Pesquisadores identificaram um papel central do módulo SlmiR167-SlARF8 no desenvolvimento floral e na frutificação do tomate. O sistema regula a posição do estigma, a abertura das anteras e o início do desenvolvimento dos frutos. Uma combinação de mutações em SlMIR167a e SlARF8B também promoveu frutificação precoce e independente de fecundação, com aumento de rendimento sob frio.

O estudo avaliou mutantes em cinco genes SlMIR167 e nos genes SlARF8A e SlARF8B. Os resultados apontaram SlMIR167a como principal componente da família no desenvolvimento reprodutivo. Plantas com mutação nesse gene apresentaram estigma exserto, falha na deiscência das anteras e forte atraso na frutificação.

A falha na abertura das anteras envolveu ausência de lignificação detectável no endotécio e manutenção parcial do septo e do tecido conectivo. A alteração ocorreu principalmente pela desregulação de SlARF8B. A polinização manual recuperou parte da formação de frutos, o que indicou a deiscência deficiente como causa importante do atraso.

Outro padrão

A combinação Slarf8b Slmir167a produziu outro padrão. Mais de 70% das flores emasculadas formaram frutos partenocárpicos. Os frutos cresceram e amadureceram com rapidez e alcançaram tamanho final próximo ao tipo selvagem.

Em cultivo sem controle térmico durante o inverno em Israel, as plantas enfrentaram noites próximas de 10 graus Celsius. Aos 93 dias após a semeadura, Slarf8b Slmir167a apresentou mais de 18 vezes o número de frutos observado no tipo selvagem. Na avaliação final, aos 149 dias, o genótipo produziu seis vezes mais frutos vermelhos e dez vezes maior massa de frutos vermelhos.

Os pesquisadores concluíram que a duplicação de SlARF8 permitiu funções parcialmente distintas aos dois genes. Essa especialização amplia o ajuste da sinalização de auxina durante o desenvolvimento reprodutivo e aponta novos alvos para estudos sobre estabilidade da frutificação em tomate (doi 10.1111/nph.71503).

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