Bayer aposta em integração para acelerar inovação agrícola
Empresa combina melhoramento, edição gênica, biotecnologia, química e ferramentas digitais para ampliar ganhos no campo
Da pesquisa ao campo, diferentes elos da cadeia de sementes estiveram reunidos durante quatro dias no XXIII Congresso Brasileiro de Sementes, realizado de 25 a 28 de agosto, em Foz do Iguaçu (PR). O encontro colocou em discussão temas que vão da agregação de valor à soja às demandas de grandes e pequenas culturas agrícolas.
Novas tecnologias, bioinsumos, edição gênica, combate à pirataria, propriedade intelectual e avanços em pesquisa estiveram entre os temas debatidos por representantes de instituições de pesquisa, empresas e outros segmentos do setor.
Para Fernando Henning, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), promotora do evento, essa abrangência demonstra a maturidade e a estruturação da cadeia. A entidade reúne quatro comitês técnicos voltados a sementes e espécies forrageiras, análise de sementes, patologia de sementes e sementes e espécies florestais.
O congresso também reuniu pelo menos 15 presidentes de Comissões de Sementes e Mudas (CSMs) de diferentes estados, que compartilharam experiências e discutiram ações conjuntas para o fortalecimento do setor de sementes e mudas no país.
A genética foi discutida não apenas como caminho para aumentar a produtividade, mas também como oportunidade de agregar valor à soja. A edição gênica e os bioinsumos apareceram entre as novas fronteiras da inovação no setor de sementes. No caso dos bioinsumos, um dos desafios é definir critérios para avaliar sua eficiência e atuação sobre a fisiologia da semente, seja como bioativadores, biofungicidas ou bionematicidas.
Os avanços tecnológicos também trouxeram para os painéis uma discussão sobre o marco regulatório brasileiro, que precisa acompanhar o ritmo das inovações desenvolvidas pela ciência. A questão ganha ainda mais importância diante da crescente demanda do mercado por novas tecnologias, soluções e cultivares e da necessidade de assegurar retorno aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
A propriedade intelectual esteve, assim, entre os temas centrais dos debates, ao lado de questões como formação de preços e remuneração dos obtentores.
Ao todo, 1.622 pessoas participaram do evento, que reuniu representantes de 12 países: Argentina, Áustria, Brasil, Chile, China, Colômbia, Costa Rica, Itália, Paraguai, Estados Unidos, Uruguai e Venezuela e de 25 estados brasileiros (AC, AL, AM, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MT, MS, MG, PA, PB, PR, PE, PI, RJ, RN, RS, RO, RR, SC, SP e TO. Entre os participantes, estavam três integrantes da International Seed Testing Association (ISTA). Mais de 200 especialistas, entre palestrantes, moderadores e debatedores, participaram de painéis, palestras e quatro simpósios.
Para Henning, a dimensão e a diversidade do evento consolidam o CBSementes como um importante espaço de conexão entre os diferentes elos da cadeia. “O Congresso Brasileiro de Sementes se tornou hoje o maior fórum de ciência e tecnologia de sementes, onde as dúvidas encontram soluções e as redes acontecem”, afirmou.
Um dos principais diferenciais do evento, segundo ele, é justamente reunir públicos distintos em torno dos mesmos desafios. “É a pesquisa encontrando a produção, encontrando o agricultor e trazendo novidades para solucionar problemas do campo”, destacou Henning.
Segundo o presidente, o congresso fortaleceu a interação entre os diferentes segmentos. “É uma interação técnica muito constante, com pautas científicas e tecnológicas, mas principalmente aproximando os diversos players da cadeia de produção”, afirmou.
O congresso também apresentou cerca de 650 trabalhos técnico-científicos. A diversidade das pesquisas mostrou como a ciência vem ampliando as possibilidades de avaliação e tratamento de sementes.
Entre os trabalhos premiados estiveram estudos que utilizaram reflectância da luz azul para identificar vigor e maturação de sementes de milho, inteligência artificial e imagens de raios X para classificar a qualidade de sementes de braquiária e modelos de machine learning para prever a viabilidade de sementes de arroz.
Os trabalhos também abordaram questões relacionadas à fisiologia, sanidade e qualidade das sementes, como a influência da lignina e da anatomia do tegumento na incidência de Cercospora em soja, os efeitos da dessecação pré-colheita sobre a qualidade das sementes e novas abordagens para definir o ponto de colheita do milho. Na área de espécies florestais, um dos estudos discutiu os desafios das normas de análise de sementes para a restauração ecológica no Brasil.
O congresso também contou com o Showroom Tecnológico, espaço dedicado à aproximação entre empresas, pesquisadores e profissionais e à apresentação de tecnologias, produtos, equipamentos e soluções para o setor de sementes.
Os quatro simpósios realizados durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes levaram para a discussão temas que estão mudando o setor, da edição gênica e da inteligência artificial à qualidade sanitária e à restauração ambiental.
No VI Simpósio Brasileiro de Sementes de Espécies Forrageiras, o debate passou pelas possibilidades abertas pela biotecnologia e pela edição genômica com CRISPR, incluindo o desenvolvimento de plantas mais tolerantes ao estresse hídrico. Também entraram em pauta o manejo nutricional e fitossanitário, a segurança jurídica e o uso da inteligência artificial na fiscalização e no combate ao comércio irregular de sementes.
Já o II Simpósio Brasileiro de Análise de Sementes colocou em discussão como novas tecnologias podem contribuir para tornar os processos de avaliação e controle de qualidade mais eficientes e alinhados aos padrões internacionais. Entre os assuntos estiveram o teste de envelhecimento acelerado, os desafios das sementes tratadas e a aplicação da norma ISO/IEC 17025. O encontro também prestou homenagem a quatro mulheres que contribuíram para a ciência de sementes: Odete Liberal, Maria Selma Carvalho, Maria de Fátima Zorato e Maria Laene.
A sanidade das sementes e os desafios do comércio internacional foram o foco do XVII Simpósio Brasileiro de Patologia de Sementes. As discussões destacaram a importância do diagnóstico precoce e de análises precisas para reduzir riscos no campo e evitar que problemas sanitários se transformem em perdas de produção ou barreiras à comercialização.
No XIII Simpósio Brasileiro de Sementes Florestais, o debate aproximou conhecimentos tradicionais, bioeconomia e restauração ambiental de ferramentas como genômica, imagens de raio-X e luz multiespectral. A programação também marcou a primeira edição do Radar de Inovações em Sementes Florestais, que premiou pesquisas de Jamille Cardeal da Silva, da Embrapa Semiárido, em primeiro lugar; Ivonir Piotrowski, em segundo; e Andreliza Roberta Terciotti de Oliveira, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em terceiro.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura