Bayer aposta em integração para acelerar inovação agrícola

Empresa combina melhoramento, edição gênica, biotecnologia, química e ferramentas digitais para ampliar ganhos no campo

01.09.2026 | 22:51 (UTC -3)
Revista Cultivar

A Bayer aposta na integração entre melhoramento genético, edição gênica, biotecnologia, proteção de cultivos e ferramentas digitais para acelerar o desenvolvimento de tecnologias agrícolas. A estratégia conecta essas plataformas a um mesmo sistema de dados e ciência. Segundo Axel Trautwein, líder de ciência regulatória da companhia, essa estrutura permite reduzir ciclos de desenvolvimento, ampliar o ganho genético e criar novos modos de ação para o manejo de pragas, doenças e plantas daninhas. As informações foram apresentadas durante o Bayer Innovation Showcase, em Huxley, Iowa, Estados Unidos.

A empresa coloca o sistema de dados e ciência no centro de quatro plataformas de pesquisa e desenvolvimento: melhoramento de precisão, edição gênica associada ao melhoramento, biotecnologia e desenho de moléculas. A estrutura utiliza dados acumulados durante décadas, além de modelos desenvolvidos pela companhia.

No melhoramento genético, a Bayer afirma ter substituído um processo linear por um ciclo genético contínuo. O modelo fornece linhagens e dados para o desenvolvimento de produtos de forma permanente.

Trautwein apresentou o híbrido DKC 68-35 como resultado desse sistema. O material reúne genética proveniente da Tailândia, México, Argentina e Estados Unidos. A companhia atribui essa composição à amplitude de seu banco de germoplasma. O híbrido apresenta características relacionadas à tolerância, qualidade de grãos e força radicular.

Edição gênica

A edição gênica ocupa outra frente da estratégia. A Bayer integrou essa tecnologia ao programa de melhoramento. A companhia busca modificar diferentes características das plantas, entre elas processos associados à fotossíntese, resiliência e arquitetura vegetal. Um dos objetivos envolve plantas adaptadas a maiores densidades.

A empresa prevê a primeira classe comercial de materiais provenientes de edição gênica no início da década de 2030. Mais de 50 alvos já passaram por ativação dentro do pipeline apresentado. A estratégia busca complementar o desenvolvimento de características transgênicas e ampliar a introdução de variação genética nos programas de melhoramento.

Na biotecnologia, a companhia informou acumular mais de 30 anos de experiência em plantas. Seus produtos alcançam mais de 15 países. Há previsão de cinco novos lançamentos até 2029 e mais de 16 tecnologias no pipeline para 2030 e anos posteriores.

Proteção de cultivos

Na proteção de cultivos, a Bayer adota uma estratégia baseada na identificação prévia do alvo biológico. O processo parte de uma proteína de interesse presente na planta daninha, praga ou patógeno. Os pesquisadores desenvolvem moléculas com capacidade de atuar sobre esse alvo.

O método difere da abordagem baseada na síntese de grandes volumes de moléculas seguida por testes de atividade biológica. Segundo Trautwein, a nova estratégia amplia o número de alvos acessíveis para pesquisa. Cada novo alvo pode abrir caminho para um novo modo de ação.

A resistência constitui um dos principais pontos considerados no desenvolvimento. Um novo modo de ação pode atuar sobre organismos resistentes sem exposição anterior ao mecanismo. A empresa também procura antecipar informações relacionadas à segurança e à possibilidade de registro. Conforme a apresentação, a abordagem permite obter informações de segurança até cinco anos antes no processo de desenvolvimento.

A formulação e a tecnologia de aplicação integram o mesmo sistema. A companhia considera esses componentes necessários para levar o ingrediente ativo ao alvo e reduzir doses. O processo conecta descoberta, desenvolvimento molecular, avaliação de segurança, registro, formulação e aplicação.

Um candidato a fungicida em fase 2 exemplifica a estratégia. A Bayer desenvolve a molécula para o manejo da ferrugem-asiática da soja no Brasil. Os primeiros ensaios ocorreram em sete locais no país.

Segundo os resultados apresentados, o candidato proporcionou cerca de 17% de aumento em massa em comparação com o padrão comercial sob pressão da doença. Os resultados representam acréscimo equivalente a 10 sacas de soja por hectare. Os dados vieram de condições de campo, conforme Trautwein.

Ferramentas digitais

A estratégia digital busca transformar informações geradas durante o desenvolvimento dos produtos em recomendações agronômicas. As ferramentas fornecem orientações sobre posicionamento de produtos e densidade de plantas. Os mesmos modelos empregados no desenvolvimento podem apoiar decisões no campo.

A plataforma também possui compatibilidade com sistemas de máquinas agrícolas. O objetivo consiste em transferir recomendações e decisões agronômicas para os equipamentos utilizados na lavoura.

A companhia pretende conectar cada produto comercializado a uma recomendação digital no futuro. Trautwein afirmou que a empresa ainda não alcançou esse estágio, mas apontou essa integração como direção do desenvolvimento.

A Bayer também trabalha no desenvolvimento simultâneo de características de tolerância a herbicidas, moléculas para controle de plantas daninhas e ferramentas digitais. A proposta difere do modelo no qual uma empresa desenvolve tolerância para um herbicida já disponível.

Nesse sistema, a companhia busca combinar genética, herbicida e recomendações de manejo desde o início do desenvolvimento. A apresentação cita maior flexibilidade na época de aplicação, uso de aplicações direcionadas e redução da quantidade de produto necessária para alcançar o controle.

Segundo Trautwein, a integração dessas tecnologias forma a base da estratégia de pesquisa e desenvolvimento da empresa para a próxima década. A companhia pretende avançar simultaneamente em ganho genético, características para proteção contra insetos e plantas daninhas, novos modos de ação em defensivos e sistemas digitais destinados ao manejo dos produtos no campo.

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