Broflanilida reduz crescimento populacional de Helicoverpa armigera, indica estudo

Exposição parental afetou sobrevivência, fecundidade, enzimas de detoxificação e microbiota intestinal

30.08.2026 | 11:25 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
doi 10.3390/insects17080878
doi 10.3390/insects17080878

A exposição parental à broflanilida reduziu o desempenho biológico da geração seguinte de Helicoverpa armigera. O inseticida prolongou o desenvolvimento larval, diminuiu a sobrevivência e reduziu a fecundidade dos descendentes. O tratamento também alterou a atividade de enzimas de detoxificação e a abundância de grupos bacterianos no intestino. Os resultados vieram de um estudo conduzido por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas e da Sichuan Tobacco Company, na China.

Os pesquisadores avaliaram efeitos letais, subletais e intergeracionais da broflanilida. O trabalho utilizou lagartas de terceiro ínstar de Helicoverpa armigera. A colônia permaneceu por mais de dez gerações em laboratório sem exposição a inseticidas. As concentrações letais empregadas nos ensaios haviam sido determinadas anteriormente pela mesma equipe, com a mesma colônia, o mesmo ínstar e o mesmo método de bioensaio. A concentração letal para 50% da população, ou CL50, foi de 0,457 miligrama por litro após 72 horas. A CL30 atingiu 0,253 miligrama por litro. A CL10 ficou em 0,107 miligrama por litro. A razão de toxicidade de 1,7 em relação a uma colônia suscetível de referência indica que a população testada permanece suscetível ao inseticida.

Sobrevivência reduzida

Na geração parental, a CL50 reduziu a sobrevivência larval de 90,80% no controle para 39%. A emergência de adultos caiu de 100% para 78,52%. A proporção de adultos com malformações chegou a 15,88%, ante 5,13% no controle. A fecundidade caiu de 2.299,38 para 1.557,50 ovos por fêmea. O período de oviposição passou de 12,22 para 8,06 dias.

Os efeitos persistiram na geração seguinte, mesmo sem contato direto dos descendentes com a broflanilida. A exposição parental à CL50 prolongou o período larval total de 14,21 para 18,95 dias. A sobrevivência larval caiu de 84% para 31,19%. A emergência de adultos atingiu 59,32%. No grupo originado de pais expostos à CL30, o índice ficou em 65,28%. O controle apresentou 97,22%.

Alterações na reprodução

A reprodução também respondeu à exposição dos pais. A fecundidade da geração F1 atingiu 2.117,67 ovos por fêmea no controle. O número caiu para 1.546 ovos após exposição parental à CL30 e para 1.243,63 ovos após CL50. A CL50 também elevou a ocorrência de malformações entre adultos da geração F1 para 19,77%.

A análise de tabela de vida da geração F1 confirmou redução do potencial de crescimento da população. A taxa intrínseca de aumento caiu 21,4% após exposição parental à CL30 e 32,3% após CL50. A taxa reprodutiva líquida passou de 758,91 descendentes por indivíduo no controle para 215,72 na CL30 e 188,63 na CL50. As reduções superaram 70%. O tempo médio de geração chegou a 41,56 dias no grupo CL50, ante 35,63 dias no controle.

Sistemas de detoxificação

A broflanilida também provocou respostas distintas nos sistemas enzimáticos ligados à detoxificação. A atividade de carboxilesterase aumentou após a exposição. O maior estímulo ocorreu com CL10 após 24 horas, com atividade próxima de 3,4 vezes o nível do controle. Nesse mesmo intervalo, a CL50 também superou o controle, enquanto a CL30 não apresentou diferença significativa. Após 72 horas, todos os tratamentos apresentaram atividade de carboxilesterase acima do controle.

A glutationa S-transferase apresentou aumento em todos os tratamentos nas primeiras 24 horas. A maior atividade também ocorreu na CL10. Após 72 horas, a atividade permaneceu elevada na CL10, mas caiu nos tratamentos CL30 e CL50. Nesses dois grupos, os valores corresponderam a 79,30% e 86,24% do controle.

A atividade de monooxigenases do citocromo P450 seguiu direção oposta. Todos os tratamentos apresentaram redução após 24 horas. Às 72 horas, a atividade atingiu entre 49,31% e 57,92% do controle. Os pesquisadores ressaltam: alterações de atividade enzimática não comprovam participação direta dessas enzimas no metabolismo da broflanilida. Ensaios com inibidores, expressão gênica, transcriptômica ou metabolômica ainda precisam avaliar essa relação.

Microbiota intestinal

O estudo também detectou mudanças na microbiota intestinal, avaliada nos grupos CL10 e CL50. No controle, Enterococcus predominou, com abundância relativa de 92,49%. Acinetobacter respondeu por 4,12%. Sob CL50, Acinetobacter alcançou 57,73% e passou a dominar a comunidade. A abundância relativa de Enterococcus diminuiu. A análise estatística identificou Enterococcus como único gênero com diferença significativa entre CL50 e controle.

A diversidade interna da comunidade também respondeu ao tratamento. O grupo CL50 apresentou índice de Shannon significativamente maior e índice de Simpson significativamente menor que o controle. Esse mesmo grupo reuniu 493 variantes de sequência exclusivas, contra 78 no controle. Já a estrutura geral da comunidade, avaliada pela comparação entre os grupos, não apresentou diferença significativa entre os tratamentos.

A predição funcional indicou aumento de vias relacionadas à biodegradação e ao metabolismo de xenobióticos. Os próprios pesquisadores tratam esse resultado como indicação de potencial funcional, não como prova de degradação da broflanilida pelas bactérias.

A equipe concluiu: a broflanilida pode limitar populações de Helicoverpa armigera por toxicidade direta e por custos biológicos observados nos descendentes. O trabalho considera os efeitos na geração F1 como intergeracionais. A pesquisa não avaliou gerações posteriores e, por esse motivo, não permite classificar os efeitos como plenamente transgeracionais (doi 10.3390/insects17080878).

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