Borboletas aposemáticas exibem reflexão ultravioleta nas asas

Estudo associa sinal UV à redução de pigmentos de pterina em espécies de pierídeos

01.10.2026 | 07:15 (UTC -3)
Revista Cultivar
doi 10.1093/jisesa/ieag061
doi 10.1093/jisesa/ieag061

Pesquisadores identificaram reflexão ultravioleta integrada aos padrões aposemáticos da face ventral das asas de borboletas do gênero Delias (família Pieridae). O levantamento avaliou 29 espécies e encontrou sinais UV em diferentes padrões de coloração. O estudo registra esse componente visual no gênero pela primeira vez.

A reflexão ocorreu principalmente na face ventral, às vezes sobreposta a regiões visivelmente brancas ou amarelas. Espécies como Delias dixeyi, Delias bakeri, Delias arabuana e Delias albertisi apresentaram sinais mais definidos. Na asa posterior de Delias dixeyi, as regiões UV refletiram de forma acentuada entre 300 e 400 nanômetros. Essa reflexão faz parte de um perfil de banda larga, que também alcança comprimentos de onda maiores.

Os pesquisadores combinaram espectroscopia de reflectância, remoção química de pigmentos, medições de absorbância e microscopia. A aplicação de hidróxido de amônio removeu pigmentos de pterina e aumentou a reflexão em comprimentos de onda curtos. As áreas despigmentadas passaram a apresentar resposta UV semelhante à observada em regiões naturalmente refletoras.

A microscopia revelou menor presença de grânulos pigmentares nas escamas com reflexão UV. Na ampliação examinada, de 10.000 vezes, as análises não detectaram estruturas multicamadas altamente ordenadas. Em outros pierídeos, essas estruturas estão associadas à reflexão ultravioleta iridescente.

Os resultados indicam relação entre a ausência ou redução de pterinas e a reflexão da epicutícula das escamas. Os pesquisadores ainda não determinaram se esse sinal participa da defesa aposemática contra predadores. O trabalho aponta essa função como hipótese para estudos futuros. Os autores também consideram a possibilidade de o UV ser apenas um subproduto da seleção sobre a pigmentação, sem função própria (doi 10.1093/jisesa/ieag061).

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