MS Safra 2026/27: plantio da soja chega a 248,6 mil hectares
Semeadura da safra 2026/27 avança para 5,1% da área estimada e supera ritmo registrado no ciclo anterior
O El Niño deve alcançar intensidade muito forte, com probabilidade superior a 95%, no próximo trimestre. Entre outubro e dezembro e ao longo da primavera e do verão de 2026/27, o fenômeno deve atingir seu pico de intensidade. Há ainda indicativos de que o episódio possa estar entre os mais intensos desde 1950. A previsão, divulgada hoje (30/9) no Painel El Niño de setembro, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e parceiros, aponta que o fenômeno deve persistir pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
O cenário previsto para os próximos meses é marcado por contrastes entre as regiões brasileiras: seca e maior risco de fogo no centro-norte do país e chuva acima da média, com possibilidade de cheias, no Sul. As temperaturas também devem ficar acima da média em grande parte do Brasil. O Inmet ressalta, porém, que essas projeções representam tendências sazonais, e que os impactos em cada local dependem da evolução das condições meteorológicas.
As condições de El Niño foram confirmadas em junho, e o aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial tem se intensificado de forma contínua. No fim de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do mar superaram 2 °C nas áreas central e leste do oceano, segundo a agência norte-americana National Oceanic and Atmospheric Administration (CPC/NOAA).
Dados parciais de setembro do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) mostram agravamento das condições de seca no país. O número de municípios classificados em seca extrema subiu de quatro para 24 em um mês, enquanto os municípios em seca severa passaram de 153 para 197. Os maiores aumentos foram registrados no Amazonas, na Bahia, no Amapá, em Alagoas e em Sergipe.
No Nordeste, 16% da região está em seca grave, o quadro mais severo do país. No Norte, a seca se intensificou rapidamente em Roraima, Acre e Amazonas, onde já há municípios com dificuldades para captar água e impactos sobre a navegação. Em Roraima, os rios Branco e Negro apresentam níveis baixos, enquanto a previsão indica chuva abaixo da média.
No extremo oposto, chuvas volumosas elevaram os níveis dos rios e provocaram inundações no Sul, principalmente no Vale do Taquari e ao longo do rio Caí, no Rio Grande do Sul, além de municípios de Santa Catarina. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para a região em 2026.
Para o período de outubro a dezembro, a previsão indica chuva acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. O risco de cheias permanece no Sul, embora a tendência seja de redução até dezembro.
No centro-norte, a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode prejudicar culturas como soja e café, além de afetar os rebanhos do semiárido. No Sul, a maior disponibilidade de umidade tende a favorecer o milho, mas o excesso de chuva pode aumentar a ocorrência de doenças no trigo e dificultar o plantio da soja e do arroz.
A Defesa Civil Nacional recomenda que a população mantenha o cadastro atualizado para receber alertas. O serviço está disponível por SMS, com o envio do CEP para o número 40199, além dos canais oficiais no WhatsApp, pelo número (61) 2034-4611, e no Telegram, pelo perfil @defesacivilbrbot.
O Boletim de Setembro do Painel El Niño foi elaborado pelo Inmet em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura