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Pesquisadores estimaram uma nova árvore evolutiva para as 289 espécies viventes aceitas de mamangavas do gênero Bombus. O estudo combinou dados de genes nucleares, sequências mitocondriais de rápida evolução e informações genômicas para ampliar a cobertura taxonômica e melhorar a resolução das relações entre espécies. A árvore inclui 84 espécies a mais em relação à maior estimativa anterior, um aumento superior a 29%.
O trabalho oferece uma base atualizada para estudos comparativos sobre comportamento, ecologia, biogeografia e conservação de mamangavas. Segundo os pesquisadores, árvores evolutivas permitem interpretar padrões biológicos e ecológicos dentro de um grupo. No caso de Bombus, o novo levantamento incorpora todas as espécies publicadas, viventes e aceitas no momento do estudo.
A equipe usou como base dados anteriores de quatro genes nucleares e de um gene mitocondrial. Esses dados sustentaram a estrutura principal da árvore. Depois, os pesquisadores adicionaram sequências do gene mitocondrial COI, usado como código de barras de DNA. Esse marcador evolui com rapidez e ajuda a resolver relações recentes entre espécies próximas.
O estudo também incorporou resultados de análises genômicas mais amplas. Essa informação auxiliou a definição de relações profundas entre subgêneros. A combinação dos três conjuntos de dados permitiu uma estimativa bayesiana com o programa BEAST 2.
Os cientistas destacam o uso de técnicas de DNA antigo para espécies raras. Em alguns casos, não havia exemplares recentes disponíveis para sequenciamento. O grupo obteve sequências quase completas de COI a partir de pernas de exemplares antigos mantidos em museus. Entre os táxons citados nesse procedimento aparecem Bombus fedtschenkoi, Bombus kotzschi, Bombus novus, Bombus oberti, Bombus senex e Bombus variabilis.
A lista adotada no estudo reconhece 289 espécies viventes. A espécie Bombus rubriventris não entrou na árvore, pois os pesquisadores a consideram provavelmente extinta há mais de 190 anos. Bombus franklini, possivelmente extinta, entrou na análise.
A nova árvore manteve os 15 subgêneros reconhecidos para Bombus. A maior parte dos nós apresentou forte suporte bayesiano. O estudo também estimou datas para os nós da árvore, com calibração baseada em trabalhos anteriores. A divergência do ancestral comum mais recente dentro do gênero Bombus recebeu idade fixada em 34 milhões de anos.
A análise de diversificação indicou padrões geográficos distintos. Mesoamérica e América do Sul apresentaram faunas com sinais de diversificação líquida mais rápida. Essas regiões têm menos espécies em comparação com áreas asiáticas, mas várias linhagens exibem internós curtos, indicativos de períodos de especiação rápida. A região do Himalaia concentrou maior riqueza de espécies, associada a histórias com especiação mais lenta.
Os pesquisadores também mapearam caracteres morfológicos de machos sobre a árvore. O estudo avaliou comprimento de antenas e tamanho dos olhos. Machos de 40% das espécies apresentam antenas alongadas. Machos de 17% das espécies apresentam olhos moderadamente ou fortemente aumentados.
Esses caracteres se relacionam a estratégias de busca por fêmeas. Em parte das espécies, machos com olhos aumentados e antenas curtas indicam comportamento territorial. Em outras, machos com olhos aumentados e antenas longas indicam competição visual em voo. A maioria das espécies apresenta olhos masculinos de tamanho semelhante ao das fêmeas.
A árvore também evidencia grandes divisões ecológicas dentro de Bombus. Um dos grupos reúne espécies predominantemente de língua longa e associadas a gramíneas de terras baixas. Outro reúne espécies de língua curta e associadas a ambientes montanos. O comprimento da língua influencia a escolha floral e a dieta.
Outras informações em doi.org/10.3390/insects17060540
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