Andrallus spinidens é registrado em arroz no Brasil

Percevejo predador foi encontrado no Maranhão predando lagartas de Mocis latipes

14.05.2026 | 09:45 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
<i>Andrallus spinidens</i> - Foto: Bruno Uehara - iNaturalist
Andrallus spinidens - Foto: Bruno Uehara - iNaturalist

Pesquisadores registraram pela primeira vez a ocorrência de Andrallus spinidens em lavouras de arroz no Brasil. O percevejo predador foi encontrado em Itapecuru-Mirim, no Maranhão, durante a safra 2021/2022. Adultos da espécie predavam lagartas de Mocis latipes, lepidóptero com potencial de dano à produção de arroz no estado.

O estudo também relata um exemplar de Andrallus spinidens coletado em 1981 em Roraima. A etiqueta do material informa “Roraima”, “15/09/1981”, “Alfredo” e “Rice”. Os autores indicam esse achado como possível primeiro registro histórico da espécie no país.

Em Itapecuru-Mirim, a coleta ocorreu em uma área de 1 hectare de arroz, no assentamento Cristina Alves, povoado 17 de abril. O plantio ocorreu em dezembro de 2021. As amostragens começaram 25 dias após a emergência das plantas. A equipe fez avaliações semanais em zigue-zague até o fim do ciclo reprodutivo da cultura.

Dez espécimes

Os pesquisadores identificaram dez espécimes de Andrallus spinidens. O material seguiu para coleções entomológicas da Universidade Estadual do Maranhão e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A identificação usou chave dicotômica e comparação com exemplares da espécie.

Andrallus spinidens pertence à subfamília Asopinae, grupo de percevejos predadores. A espécie possui hábito polífago e ocorre em regiões tropicais e temperadas quentes. Há registros de predação sobre lagartas, coleópteros e himenópteros.

Os cientistas apontam possível estabelecimento de Andrallus spinidens em Itapecuru-Mirim. Eles não determinam a origem da ocorrência no Brasil. A presença pode envolver população nativa, introdução acidental ou migração.

O trabalho recomenda o monitoramento de Andrallus spinidens em áreas de arroz. A medida pode apoiar o manejo de Mocis latipes e de outros lepidópteros. Os cientistas também defendem estudos sobre dinâmica populacional, habitats no período sem arroz e potencial de predação em condições locais.

O estudo foi desenvolvido por Matheus H. F. Lima, Jocélia Grazia, Lurdiana D. Barros, Ricardo Brugnera, Pedro L. E. R. Cardoso, Roberto S. Graça-Júnior, Ellen C. C. de Araujom, Alaide P. Lima, João V. S. Camara, John J. S. Ausique e Joseane R. de Souza.

Outras informações em doi.org/10.37486/2675-1305.ec08011

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