Vendas de pesticidas na UE voltam a crescer em 2024

Eurostat aponta 316 mil toneladas vendidas e maior avanço em fungicidas e moluscicidas

13.05.2026 | 20:16 (UTC -3)
Revista Cultivar

As vendas de pesticidas na União Europeia alcançaram cerca de 316 mil toneladas em 2024. O volume representou recuperação após quedas acentuadas em 2022 e 2023, segundo o Serviço de Estatística da União Europeia (Eurostat). O aumento teve relação com condições agrometeorológicas, em especial o clima úmido, associado ao maior uso de fungicidas e moluscicidas contra patógenos favorecidos pela umidade.

O Eurostat informa que as vendas de pesticidas em 2024 sofreram influência de vários fatores. Mudanças regulatórias tiveram peso, com retiradas de substâncias, novas autorizações e incertezas sobre renovações de aprovação de ingredientes ativos. A dinâmica de mercado também influenciou o resultado, com preços mais competitivos em comparação com 2023. Alterações nas práticas agrícolas, como rotação de culturas, expansão de áreas para culturas específicas e mudanças nas estratégias de manejo de pragas, também contribuíram para tendências distintas entre países.

O indicador utiliza volumes vendidos como base de análise. Os dados incluem usos agrícolas e não agrícolas. Portanto, o Eurostat ressalta limitações para interpretar os números como consumo direto nas lavouras. O consumo agrícola teria melhor representação por dados de uso efetivo de substâncias ativas nas propriedades ou por taxas de aplicação. Esses dados, porém, não têm coleta anual harmonizada nem comparabilidade entre os países.

Seis grupos

As vendas na UE dividem-se em seis grupos principais: fungicidas e bactericidas; herbicidas, dessecantes de ramas e controladores de musgos; inseticidas e acaricidas; moluscicidas; reguladores de crescimento vegetal; e outros produtos fitossanitários. No período de 2011 a 2024, fungicidas e bactericidas e herbicidas concentraram os maiores volumes vendidos. Em 2024, esses dois grupos responderam por 40% e 35% do total, respectivamente. Inseticidas e acaricidas representaram 17%. Moluscicidas, reguladores de crescimento e outros produtos somaram menos de 10%.

França, Espanha, Alemanha e Itália registraram os maiores volumes vendidos na maioria dos grupos principais. Esses países também figuram entre os maiores produtores agrícolas da União Europeia. Juntos, concentram 52% da área agrícola utilizada e 49% da área arável do bloco, segundo o Eurostat.

A comparação por país, entre 2011 e 2024, considera 21 Estados-membros com dados totais disponíveis e não confidenciais para os dois anos. O levantamento mostra redução nas vendas em 14 países. As maiores quedas ocorreram na Tchéquia, com recuo de 44%; na Itália, com queda de 43%; na Irlanda, com baixa de 42%; e em Portugal, com retração de 40%. Alemanha, Finlândia, França, Lituânia, Áustria e Letônia registraram aumento. A Eslováquia teve variação quase nula.

O Eurostat observa cautela na leitura de alguns aumentos. Na Lituânia e na Letônia, as altas percentuais refletem, em parte, bases absolutas muito baixas. Na Alemanha e na Áustria, grandes volumes de gases inertes, como dióxido de carbono ou nitrogênio, usados no armazenamento de produtos agrícolas, elevam o volume total de pesticidas vendidos.

Decomposição por categorias

A decomposição por categorias mostra predominância dos fungicidas inorgânicos dentro do grupo de fungicidas e bactericidas. Em 2024, eles responderam por 61,4% das vendas desse grupo na União Europeia. A categoria inclui compostos de cobre, enxofre inorgânico e outros fungicidas inorgânicos. Muitos desses produtos também têm permissão de uso na agricultura orgânica.

No grupo dos herbicidas, dessecantes de ramas e controladores de musgos, os herbicidas organofosforados, incluindo glifosato, responderam por 42,4% das vendas em 2024. Outras categorias relevantes incluíram “outros herbicidas”, com 15,3%, e herbicidas à base de amidas e anilidas, com 11,7%.

Entre inseticidas e acaricidas, a categoria “outros inseticidas” respondeu por 95% das vendas em 2024. Esse grupo reúne 17 classes químicas, como inseticidas piridilmetilamínicos, produtos obtidos por fermentação e feromônios de lepidópteros de cadeia linear. Os inseticidas à base de piretroides apareceram na sequência, com 4,2% das vendas do grupo.

A metodologia do Eurostat considera quantidades de substâncias ativas. Esses ingredientes causam o efeito desejado sobre organismos-alvo, como fungos, plantas daninhas e pragas. A base de dados usa, em geral, quilogramas de ingrediente ativo vendido por ano em cada categoria funcional. Substâncias microbiológicas não entram nos dados do artigo, devido à falta de método harmonizado para converter unidades como UFC ou unidade internacional em quilogramas.

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