Adama registra prejuízo de US$ 115 milhões no terceiro trimestre de 2026

Receita recua 4%, para US$ 897 milhões; vendas na América Latina caem 8%, com pressão sobre preços e demanda no Brasil

29.10.2026 | 15:32 (UTC -3)
Revista Cultivar

A Adama registrou prejuízo líquido de US$ 115 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante perdas de US$ 48 milhões no mesmo período de 2025. A receita global recuou 4%, para US$ 897 milhões. A companhia atribuiu a queda das vendas à redução dos volumes comercializados, à pressão sobre os preços dos defensivos agrícolas e ao enfraquecimento da demanda em diferentes mercados. Na América Latina, as vendas diminuíram 8%, com dificuldades comerciais no Brasil.

O prejuízo líquido ajustado alcançou US$ 74 milhões, ante US$ 20 milhões no terceiro trimestre de 2025. O lucro bruto ajustado caiu 11%, de US$ 257 milhões para US$ 228 milhões. A margem bruta ajustada passou de 27,6% para 25,4%.

O EBITDA ajustado somou US$ 93 milhões, redução de 22% em relação aos US$ 120 milhões registrados um ano antes. A margem correspondente diminuiu de 12,9% para 10,4%.

A maior parte da piora no resultado líquido, porém, veio dos impostos. A despesa ajustada com imposto de renda subiu para US$ 48 milhões, ante US$ 8 milhões um ano antes, e incluiu o ajuste do ativo fiscal no Brasil com base no lucro tributável projetado. As despesas financeiras ajustadas, por outro lado, caíram de US$ 68 milhões para US$ 57 milhões.

A retração das receitas refletiu queda de 4% nos volumes comercializados e redução de 2% nos preços. A variação cambial positiva compensou parcialmente esses efeitos.

Segundo a companhia, os volumes do mercado de defensivos agrícolas cresceram menos que o esperado nos primeiros nove meses de 2026. Os custos elevados dos agricultores e as compras feitas perto do momento de aplicação limitaram o consumo. Os estoques baixos nos canais de distribuição, por outro lado, sustentaram a demanda de fundo.

Os preços continuaram pressionados, principalmente no segmento de produtos com patentes expiradas. A companhia apontou a menor rentabilidade dos agricultores e os preços baixos dos ingredientes ativos, resultado do excesso estrutural de capacidade de produção na China.

América Latina registra queda nas vendas

A receita da Adama na América Latina totalizou US$ 286 milhões no terceiro trimestre, ante US$ 312 milhões no mesmo período de 2025. A redução chegou a 8% em dólares e a 12% considerando taxas de câmbio constantes.

No Brasil, a companhia registrou retração nas vendas apesar da intensificação das atividades comerciais antes da safra de soja. As iniciativas concentraram esforços principalmente nos segmentos de fungicidas e inseticidas.

A Adama apontou três fatores para o desempenho brasileiro: pressão contínua sobre os preços, restrições de liquidez dos produtores rurais e concorrência intensa. A competição atingiu principalmente os defensivos agrícolas comercializados como commodities.

Nos demais países latino-americanos, o aumento dos volumes sustentou o crescimento das vendas. A Argentina apresentou contribuição importante para esse resultado. A companhia também destacou avanços comerciais em mercados considerados estratégicos, apesar da concorrência e da pressão sobre os preços.

No acumulado de janeiro a setembro, a receita latino-americana alcançou US$ 639 milhões, queda de 5% em comparação aos US$ 675 milhões registrados em igual intervalo de 2025. Em câmbio constante, a retração chegou a 10%.

EMEA têm maior retração regional

A região formada por Europa, África e Oriente Médio registrou receita de US$ 203 milhões no terceiro trimestre, redução de 13% na comparação anual.

A Adama relacionou o resultado à menor demanda por defensivos agrícolas em diferentes mercados europeus. Temperaturas elevadas e estiagem reduziram as aplicações e ampliaram os estoques nos canais de distribuição. Os custos elevados de insumos para os agricultores também pesaram.

Na América do Norte, as vendas cresceram 6%, para US$ 174 milhões. O avanço recebeu apoio dos segmentos de soluções profissionais, produtos para consumidores e operações no Canadá. Nos Estados Unidos, os preços menores e os estoques elevados prejudicaram parte do portfólio agrícola.

A região Ásia-Pacífico apresentou crescimento de 4%, com receita de US$ 235 milhões. A China respondeu pela maior parte do avanço: as vendas no país subiram 9%, de US$ 91 milhões para US$ 99 milhões, com maiores vendas de formulações de marca e de produtos não agrícolas. Nos demais mercados da região, a demanda por fungicidas na Austrália e o crescimento na Índia compensaram a queda no Sudeste Asiático, afetado pelo El Niño.

Resultado e endividamento

Nos primeiros nove meses de 2026, a Adama registrou receita de US$ 2,997 bilhões, redução de 1% em relação aos US$ 3,025 bilhões contabilizados no mesmo período de 2025.

O lucro bruto ajustado alcançou US$ 860 milhões, queda de 2%. O EBITDA ajustado recuou 8%, para US$ 395 milhões, com margem de 13,2%.

O prejuízo líquido reportado diminuiu de US$ 59 milhões para US$ 53 milhões no acumulado do ano. Entretanto, o resultado líquido ajustado passou de lucro de US$ 29 milhões em 2025 para prejuízo de US$ 11 milhões em 2026.

A geração de caixa operacional somou US$ 194 milhões nos nove meses, abaixo dos US$ 331 milhões registrados um ano antes. O fluxo de caixa livre caiu de US$ 112 milhões para US$ 87 milhões.

Em 30 de setembro, o endividamento total da Adama Agricultural Solutions alcançava US$ 1,958 bilhão. Desse montante, US$ 814 milhões correspondiam a debêntures e US$ 835 milhões a empréstimos de curto e longo prazos com partes relacionadas.

A empresa também dispunha de aproximadamente US$ 317 milhões em linhas de crédito bancárias contratadas e não utilizadas, além de US$ 260 milhões em linhas disponíveis com partes relacionadas.

Estratégia comercial

A Adama lançou 31 produtos e obteve 70 novos registros nos primeiros nove meses de 2026. A estratégia comercial priorizou formulações diferenciadas, expansão seletiva de mercados e melhoria das margens operacionais.

No Brasil, a empresa destacou o registro do fungicida Sparta, desenvolvido para ampliar o espectro de controle de doenças da soja, incluindo a ferrugem. O produto combina três ingredientes ativos em formulação própria.

Na Argentina, a companhia registrou o herbicida Paramer SC, formulado com piroxasulfona. A tecnologia apresenta concentração de ingrediente ativo 40% superior à de formulações líquidas convencionais, segundo a empresa. O produto destina-se ao manejo de plantas daninhas em soja, milho e cereais.

Entre os lançamentos internacionais, a Adama apresentou o fungicida Rexaro, com fluopicolida e cimoxanil, na Índia. Também lançou no país o herbicida Actagon, combinação de piroxasulfona e metribuzim para aplicação em pré-emergência na cultura do trigo.

A companhia mantém iniciativas de reorganização industrial, redução de custos e concentração dos investimentos em produtos e mercados com maior potencial de retorno.

O presidente e diretor-executivo, Gaël Hili, informou que deixará o cargo de CEO em novembro de 2026 e passará a apoiar a companhia como presidente do conselho de administração. No comunicado, Hili manifestou confiança na liderança do Dr. Zhigang Hao para dar continuidade à estratégia da empresa.

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