Inmet prevê chuvas irregulares no Brasil em novembro

Chuva acima da média deve atingir o Sul e áreas do Sudeste e Centro-Oeste; temperaturas podem superar a climatologia em até 2 °C

28.10.2026 | 16:13 (UTC -3)
Inmet, edição Revista Cultivar

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para novembro de 2026 indica chuvas acima da média histórica em áreas da Região Sul, de Mato Grosso do Sul e de São Paulo, além de pontos do extremo oeste da Região Norte. Em contrapartida, volumes abaixo da climatologia são esperados em partes do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

As temperaturas também devem ficar acima da média em grande parte do Brasil, com desvios que podem chegar a 2 °C em áreas das cinco regiões. As condições previstas podem afetar a implantação e o desenvolvimento das culturas de verão, com impactos distintos conforme a distribuição das chuvas e a disponibilidade de água no solo.

Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do Inmet para o mês de novembro de 2026
Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do Inmet para o mês de novembro de 2026

Região Norte

A distribuição das chuvas deve ser irregular em novembro. O Inmet prevê acumulados abaixo da média principalmente no Pará, Tocantins e Roraima, além da porção central do Acre, do leste de Rondônia e das áreas norte e sudoeste do Amazonas. Na porção oeste do Acre e do Amazonas, em Madeira-Guaporé (RO) e no norte do Amapá, os volumes podem ficar próximos ou acima da média histórica.

As temperaturas devem permanecer acima da climatologia em toda a região, com desvios positivos entre 0,4 °C e 1,5 °C. No sudeste do Pará e na região central do Tocantins, os valores podem chegar a 2 °C acima da média.

Região Nordeste

A previsão aponta predomínio de chuvas abaixo da média histórica. Os acumulados podem ficar próximos da climatologia no Ceará, Rio Grande do Norte e em áreas da Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Já entre o litoral da Bahia e o interior nordestino, são esperados déficits de precipitação, principalmente em áreas entre o Maranhão e a Paraíba.

As temperaturas podem ficar até 2 °C acima da média, sobretudo no sul do Piauí e nas porções central e oeste da Bahia. Nas áreas próximas ao litoral, os desvios positivos devem variar entre 0,4 °C e 1 °C. Na faixa central da região, incluindo áreas entre Pernambuco, Ceará e o norte da Bahia, as temperaturas podem superar a média em até 1,5 °C.

Região Centro-Oeste

O prognóstico indica chuvas acima da média histórica no sudoeste de Mato Grosso do Sul e em parte do norte de Mato Grosso. Em contrapartida, volumes abaixo da climatologia são esperados no noroeste mato-grossense, no norte de Goiás e no Distrito Federal.

As temperaturas também devem ficar acima da média em toda a região. Os desvios podem chegar a 2 °C no noroeste de Mato Grosso e em grande parte de Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas, as temperaturas podem superar a climatologia em até 1,5 °C.

Região Sudeste

A distribuição das chuvas deve apresentar diferenças entre os estados. Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro tendem a registrar acumulados abaixo da média climatológica. Em São Paulo, a previsão indica volumes mais expressivos, principalmente entre Assis e Itapetininga. Também há possibilidade de chuvas irregulares entre o Triângulo Mineiro e a Zona da Mata mineira.

As temperaturas podem ficar até 2 °C acima da média em grande parte da região, especialmente na área central de Minas Gerais, nas porções leste e centro-sul de São Paulo e no norte do Rio de Janeiro, próximo à divisa com o Espírito Santo. Nas demais áreas, os desvios positivos podem chegar a 1,5 °C.

Região Sul

A previsão indica chuvas acima da média histórica em toda a região, com desvios positivos de pelo menos 75 mm. Os maiores excessos são esperados entre o noroeste e o centro ocidental do Rio Grande do Sul, onde os acumulados podem superar a climatologia em mais de 150 mm.

As temperaturas também devem ficar acima da média, com desvios entre 0,6 °C e 1,5 °C na maior parte da região. No extremo nordeste do Rio Grande do Sul e no norte do Paraná, os valores podem chegar a 2 °C acima da climatologia.

Possíveis impactos nas culturas agrícolas

Região Norte

A combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas em parte das áreas produtoras de grãos pode aumentar a demanda evaporativa da atmosfera e os riscos à implantação das lavouras. Nas regiões produtoras de soja, principalmente no Pará e em Tocantins, a redução das precipitações pode intensificar as perdas de água do solo.

Em áreas ainda não semeadas, o acompanhamento das previsões de curto prazo pode ajudar a reduzir os riscos de emergência irregular e falhas no estande de plantas. Nas lavouras já implantadas, a limitação hídrica pode retardar o crescimento vegetativo.

A irregularidade das chuvas também aumenta o risco de veranicos durante a estação chuvosa, favorecendo diferenças no desenvolvimento das culturas entre áreas próximas. Em Rondônia, a expectativa de temperaturas ligeiramente acima da média e de recuperação do armazenamento de água no solo pode beneficiar o desenvolvimento da soja já semeada e a rebrota das pastagens.

Região Nordeste

A previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas pode dificultar a implantação das culturas de verão, especialmente da soja. As maiores reduções de precipitação são esperadas em importantes áreas produtoras de grãos, como o oeste da Bahia e o sul do Piauí e do Maranhão, o que pode limitar a recuperação da umidade do solo.

A irregularidade e a insuficiência das chuvas podem comprometer a emergência e o estabelecimento das lavouras de sequeiro. Nas áreas irrigadas, as temperaturas elevadas devem aumentar a demanda hídrica das culturas, exigindo atenção ao manejo da irrigação.

O milho primeira safra, cuja semeadura deve avançar em novembro no oeste da Bahia e no sul do Maranhão, também pode enfrentar dificuldades de implantação, principalmente em áreas de sequeiro. No Maranhão, o arroz irrigado tende a encontrar condições favoráveis de desenvolvimento em razão da disponibilidade de radiação solar. Entretanto, temperaturas elevadas podem reduzir o crescimento e o perfilhamento, dependendo da intensidade do calor.

No oeste da Bahia, o feijão primeira safra, já em fase vegetativa e cultivado sob irrigação, exigirá monitoramento frequente da umidade do solo e ajustes no fornecimento de água diante do aumento da demanda hídrica.

Região Centro-Oeste

A previsão de chuvas acima da média em áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, combinada a temperaturas elevadas em toda a região, pode produzir efeitos distintos sobre as culturas de verão.

Em Mato Grosso do Sul, a continuidade das precipitações pode favorecer a recuperação da umidade do solo, o desenvolvimento mais homogêneo das lavouras de soja já implantadas e a manutenção das pastagens. Nas áreas mais ao norte da região, por outro lado, a combinação de calor e chuvas abaixo da média aumenta os riscos de emergência irregular, redução do estande de plantas e crescimento mais lento das lavouras.

Em Goiás, as condições para o cultivo de soja e milho primeira safra tendem a ser mais favoráveis no centro-sul do estado, onde os acumulados de chuva devem ficar próximos da média. Mesmo com menor demanda hídrica nas fases iniciais do ciclo, as temperaturas elevadas podem aumentar a necessidade de água das culturas. Por isso, o monitoramento da umidade do solo e o ajuste da irrigação serão importantes nas áreas irrigadas.

Região Sudeste

Em São Paulo, a previsão de chuvas acima da média pode favorecer a disponibilidade de água no solo, mas o excesso de umidade também pode dificultar o tráfego de máquinas e atrasar a semeadura da soja. As condições de umidade e temperatura elevadas tendem a favorecer o crescimento da cana-de-açúcar, das frutíferas e das pastagens.

Para as hortaliças, a combinação de calor e umidade exige atenção ao monitoramento de pragas e doenças. O aproveitamento dos períodos de tempo seco para a realização dos tratos culturais pode ajudar a reduzir perdas de qualidade.

Nas demais áreas do Sudeste, os acumulados abaixo da média podem elevar os riscos durante a implantação das culturas de verão. No norte e noroeste de Minas Gerais, a irregularidade das chuvas pode provocar diferenças no estabelecimento das lavouras de sequeiro. As temperaturas elevadas aumentam o risco de falhas na emergência e redução do estande de plantas, tornando importante o acompanhamento das previsões de curto prazo.

O avanço do feijão primeira safra, especialmente no noroeste mineiro, dependerá da melhoria da distribuição das chuvas. Ao mesmo tempo, o calor pode elevar a demanda hídrica das plantas.

A cafeicultura em Minas Gerais e no Espírito Santo também pode enfrentar condições desfavoráveis em novembro. O déficit hídrico associado às temperaturas elevadas pode prejudicar a florada e o pegamento dos frutos, favorecendo a queda de flores e chumbinhos e comprometendo o potencial produtivo da safra de 2027.

O risco é maior em lavouras de sequeiro e em áreas com baixa disponibilidade de água no solo. O monitoramento da umidade e o ajuste da irrigação, quando disponível, são medidas importantes para reduzir os efeitos do estresse hídrico.

Região Sul

A previsão de chuvas acima da média e temperaturas elevadas pode afetar tanto as culturas de inverno em fase final de ciclo quanto a implantação das lavouras de verão.

A maior frequência de instabilidades pode prejudicar a conclusão do ciclo das culturas de inverno, favorecendo o debulhamento da canola e a germinação de grãos nas espigas de trigo. Esses problemas podem comprometer a qualidade dos produtos colhidos e reduzir a rentabilidade. O excesso de umidade também pode dificultar o preparo do solo e a entrada de máquinas para a semeadura da soja, provocando atrasos e prejudicando a emergência e o estabelecimento das lavouras.

Nas áreas com soja e milho já estabelecidos, as chuvas frequentes e as temperaturas elevadas tendem a favorecer o crescimento das culturas. Entretanto, permanece o risco de tempestades, mesmo isoladas, acompanhadas de vendavais, granizo e chuvas intensas em curtos períodos, capazes de provocar perdas nas lavouras e danos a outras atividades agropecuárias.

No arroz irrigado, a combinação de umidade elevada e temperaturas altas pode favorecer a ocorrência de doenças fúngicas, exigindo monitoramento e atenção ao manejo fitossanitário.

As pastagens, por sua vez, tendem a apresentar crescimento acelerado em razão da maior disponibilidade de água no solo e das temperaturas elevadas, favorecendo a oferta de alimento aos animais. Ainda assim, recomenda-se controlar a intensidade do pastejo para evitar o excesso de pisoteio e a degradação dos piquetes.

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp
Ascribe