Voláteis de batata atacada por pulgões reduzem praga

Comunicação química entre plantas afeta Myzus persicae e atrai inimigos naturais por até 48 horas

29.01.2026 | 08:31 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Jim Baker, North Carolina State University
Foto: Jim Baker, North Carolina State University

Plantas de batata expostas por 48 horas a voláteis liberados por plantas infestadas por pulgões apresentaram redução no desempenho da praga e maior atração de inimigos naturais. O efeito ocorreu apenas nas primeiras 48 horas após a exposição, segundo estudo conduzido em sistema controlado de fluxo de ar.

O experimento avaliou compostos voláteis induzidos por herbivoria, conhecidos como HIPVs. Plantas receptoras receberam voláteis de plantas da mesma espécie infestadas por pulgões ou de plantas sem infestação. Após a exposição, pesquisadores realizaram bioensaios com o pulgão-verde (Myzus persicae) e com seus inimigos naturais, a joaninha Harmonia axyridis e o parasitoide Aphidius gifuensis.

No período entre zero e 48 horas após a exposição, plantas que receberam HIPVs registraram menor sobrevivência do pulgão e menor produção de ninfas. A taxa de assentamento não mudou. Os dois inimigos naturais demonstraram maior atração por essas plantas.

A análise química mostrou aumento significativo na emissão total de voláteis pelas plantas receptoras logo após a exposição. Sete compostos apresentaram níveis mais altos nesse intervalo. Entre 48 e 96 horas após a exposição, não houve diferenças no comportamento dos insetos. O perfil químico mudou. Parte dos compostos iniciais deixou de aparecer em níveis elevados, enquanto outro grupo de seis substâncias permaneceu acima do controle.

Os dados indicam que a exposição breve a voláteis induzidos por pulgões ativa defesas indiretas rápidas e temporárias em plantas vizinhas. O processo cria uma janela curta de proteção, com redução do desempenho de Myzus persicae e maior recrutamento de Harmonia axyridis e Aphidius gifuensis. A dinâmica reforça o papel ecológico da comunicação química entre plantas e aponta potencial para estratégias de manejo com indução defensiva ajustada ao tempo.

Outras informações em doi.org/10.1002/ps.70577

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