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A viticultura europeia enfrenta redução na disponibilidade de inseticidas e perda de eficiência de moléculas. Esse cenário pressiona produtores a adotar estratégias alternativas para o controle de pragas da videira. Revisão científica recente demonstra que o desenho do vinhedo, o manejo cultural e métodos físicos influenciam diretamente a dinâmica populacional de insetos e ácaros, mantendo-os abaixo do nível de dano econômico.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Udine e analisou a realidade da viticultura na Europa. A revisão reúne informações sobre práticas historicamente negligenciadas devido à ampla oferta de inseticidas, mas que agora reaparecem como ferramentas relevantes dentro do manejo integrado de pragas.
A escolha do local de plantio define parte do risco fitossanitário. A temperatura média anual determina o número de gerações de pragas como Lobesia botrana e Eupoecilia ambiguella. Regiões mais quentes favorecem ciclos adicionais dessas espécies, ampliando perdas quantitativas e qualitativas. Em áreas mais frias, o número de gerações diminui e o risco econômico se reduz.
O aquecimento climático também amplia a distribuição de insetos sugadores como as cigarrinhas Hebata vitis e Jacobiasca lybica. Esses insetos alimentam-se do floema e causam amarelecimento ou avermelhamento das folhas, seguido de redução da fotossíntese e da produtividade. Em anos secos, o estresse hídrico intensifica os sintomas e os prejuízos.
O tipo de solo interfere diretamente no desenvolvimento de pragas subterrâneas. Daktulosphaira vitifoliae apresenta menor impacto em solos arenosos, onde sua dispersão radicular se limita. Já solos férteis e vigorosos favorecem insetos sugadores e elevam a incidência de danos indiretos associados a fungos.
O entorno do vinhedo atua como fonte de infestação. Áreas com vegetação espontânea, pomares, matas ou vinhedos abandonados abrigam espécies como Drosophila suzukii, Apolygus spinolae e Metcalfa pruinosa. A revisão indica que a simples identificação dessas fontes permite concentrar monitoramento e controle nas bordaduras, reduzindo custos e aplicações.
A escolha da cultivar influencia a suscetibilidade a diferentes pragas. Algumas variedades apresentam maior infestação por ácaros como Eotetranychus carpini e Panonychus ulmi. Outras sofrem mais danos das gerações carpófagas de L. botrana. Cultivares de colheita tardia ficam mais expostas a Planococcus ficus, o que amplia o risco de perdas e de transmissão de viroses.
O manejo nutricional exerce papel central. A adubação nitrogenada excessiva aumenta populações de P. ulmi, H. vitis e P. ficus. A irrigação mal ajustada cria microclimas favoráveis ao desenvolvimento desses insetos. Sistemas de condução com dossel denso dificultam a penetração de produtos e favorecem a sobrevivência de pragas e vetores.
A revisão destaca a eficácia de práticas físicas no controle direto ou indireto das pragas. A desfolha na zona dos cachos reduz infestações de L. botrana ao aumentar a mortalidade de ovos e larvas recém-eclodidas. Faixas adesivas no tronco limitam a movimentação de P. ficus e de formigas associadas à praga.
Redes de exclusão reduzem a entrada de D. suzukii durante a maturação. A remoção da casca solta do tronco expõe formas hibernantes de cochonilhas e traças a fatores de mortalidade natural. A irrigação por aspersão interfere mecanicamente na população de ácaros e dificulta a colonização por insetos sugadores.
A coleta manual também aparece como estratégia válida em situações específicas. A retirada de ninhos larvais de Hyphantria cunea e a eliminação de focos iniciais de besouros (como Altica ampelophaga) reduzem a pressão das gerações seguintes.
O estudo dedica atenção às doenças do amarelecimento da videira, como bois noir e flavescência dourada. No caso da flavescência dourada, o principal vetor, Scaphoideus titanus, depende do manejo do vinhedo e da eliminação de plantas infectadas. A presença de hospedeiros alternativos fora da área produtiva compromete a eficiência do controle químico isolado.
A revisão conclui que práticas culturais e físicas não atuam de forma isolada, mas ampliam a eficiência do manejo integrado. Ao afetar simultaneamente pragas como L. botrana, P. ficus, H. vitis, D. vitifoliae e D. suzukii, essas estratégias reduzem a dependência de inseticidas e contribuem para a sustentabilidade da viticultura europeia. Decisões agronômicas, tomadas antes mesmo do plantio, definem grande parte do risco fitossanitário ao longo do ciclo produtivo.
Outras informações em doi.org/10.3390/insects17010113
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