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Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista propõem uma mudança de abordagem no desenvolvimento de nanoherbicidas, com foco nas características específicas das plantas daninhas. A estratégia, considerada mais eficiente e sustentável, foi apresentada em artigo publicado na revista Nature Reviews Methods Primers, do grupo Nature.
O estudo, intitulado “When the plant becomes the material: rethinking nanoherbicide design through plant-informed nanodesign", foi conduzido por cientistas ligados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro), coordenado por Leonardo Fernandes Fraceto, no campus de Sorocaba da universidade.
A proposta surge diante de um dos principais desafios da produção agrícola: o controle de plantas daninhas como caruru, capim-azevém e capim-pé-de-galinha, que competem com as culturas por água, luz e nutrientes e podem causar perdas expressivas de produtividade. Segundo a Embrapa, a infestação descontrolada pode reduzir em até 90% a produção, enquanto mesmo áreas manejadas registram perdas médias de cerca de 15%.
Os nanoherbicidas utilizam estruturas em escala nanométrica para transportar e liberar o ingrediente ativo de forma mais controlada dentro da planta. Essa tecnologia permite maior eficiência na absorção, reduz perdas por evaporação ou escorrimento e diminui a quantidade de produto necessária, com potencial de reduzir impactos ambientais.
Apesar dos avanços, o desenvolvimento dessas soluções ainda é, em geral, centrado nos materiais utilizados — como tipo de nanopartícula, carga e composição — e não nas características biológicas das plantas-alvo.
É justamente essa lógica que o novo estudo busca inverter. “A proposta é priorizar as características das espécies vegetais para desenvolver nanopartículas mais adaptadas a essas particularidades”, explica Fraceto. O conceito foi denominado plant-informed nanodesign (PIND), ou nanodesign orientado pela planta.
Na prática, a abordagem propõe que o desenvolvimento dos nanoherbicidas comece com uma análise detalhada da planta daninha, incluindo aspectos como estrutura das folhas, espessura da cutícula, presença de tricomas e densidade de estômatos.
Essas características influenciam diretamente a forma como o herbicida é absorvido e transportado no interior da planta. “Cada espécie tem propriedades únicas que impactam esse processo. Entender essas diferenças pode tornar o controle mais eficaz”, afirma a pesquisadora Ana Cristina Preisler.
Para isso, o grupo utiliza técnicas como microscopia confocal e microscopia eletrônica de varredura, que permitem analisar estruturas vegetais em alta resolução. Segundo o pesquisador Brian Cintra Cardoso, essas ferramentas ajudam a identificar as rotas preferenciais de absorção dos herbicidas em cada espécie.
De acordo com os autores, a adoção dessa abordagem pode representar uma mudança de paradigma no desenvolvimento de insumos agrícolas baseados em nanotecnologia.
Atualmente, apenas cerca de 15% das perdas em lavouras ocorrem mesmo com controle de plantas daninhas, enquanto a resistência a herbicidas cresce com o uso repetitivo das mesmas moléculas. Nesse cenário, soluções mais direcionadas e eficientes ganham relevância.
“Já existem técnicas consolidadas. O que falta é incorporar a planta como elemento central no processo de desenvolvimento”, avalia Fraceto.
A expectativa dos pesquisadores é que a nova abordagem contribua para criar produtos mais eficazes, com menor uso de insumos e menor impacto ambiental, alinhando produtividade agrícola e sustentabilidade.
Mais informações em https://doi.org/10.1038/s43586-026-00483-6
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