Trichoderma asperellum reduz mofo-cinzento em mirtilo

Isolado BBR-A inibe Botrytis cinerea, degrada suas hifas e ativa respostas de defesa da planta

14.07.2026 | 08:37 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Florida Department of Agriculture and Consumer Services - Bugwood
Foto: Florida Department of Agriculture and Consumer Services - Bugwood

Uma cepa de Trichoderma asperellum reduziu o crescimento de Botrytis cinerea e limitou o desenvolvimento do mofo-cinzento em folhas, mudas e frutos de mirtilo. O isolado BBR-A atuou por antagonismo direto, micoparasitismo, secreção de enzimas e indução de respostas metabólicas na planta. Os resultados indicam potencial para o desenvolvimento de um agente de controle biológico da doença (DOI 10.3390/jof12070515).

Pesquisadores da Universidade de Dalian, na China, isolaram Trichoderma asperellum BBR-A do solo associado às raízes de mirtilo. A equipe obteve Botrytis cinerea BC7-1 de folhas com sintomas de mofo-cinzento. Os ensaios usaram plantas da cultivar Eureka.

O patógeno causa uma das principais doenças pós-colheita do mirtilo. A infecção prejudica armazenamento, transporte e comercialização. O estudo buscou esclarecer os mecanismos usados pelo antagonista e sua capacidade de elevar a resistência do hospedeiro.

Cultivo conjunto

No cultivo conjunto em meio de laboratório, BBR-A cresceu mais rápido e alcançou a colônia do patógeno no terceiro dia. A taxa de inibição superou 70% no quarto dia. A diferença no crescimento de Botrytis cinerea atingiu alta significância estatística no terceiro e no quarto dias.

As observações microscópicas mostraram uma sequência de ataque. As hifas de Trichoderma asperellum reconheceram o patógeno, envolveram suas estruturas, penetraram a parede celular e promoveram degradação. No quarto dia, as hifas de Botrytis cinerea apresentaram deformação e colapso. No quinto dia, grande parte do micélio perdeu integridade.

Análise transcriptômica

A análise transcriptômica identificou 178 genes com aumento significativo de expressão e 176 genes com redução. A interação com o patógeno alterou o uso de fontes de carbono, o metabolismo energético e o transporte de substâncias através das membranas.

Genes ligados a proteínas transportadoras, proteínas de choque térmico e enzimas hidrolíticas apresentaram maior expressão. O gene CBH1 registrou aumento próximo de vinte vezes. Genes de quitinases das famílias Chit46, Chit37 e Chi2 também responderam ao contato com o patógeno.

Ensaios enzimáticos confirmaram aumento nas atividades de quitinase e celulase. Essas enzimas degradam componentes estruturais da parede celular dos fungos. A expressão dos genes avaliados por PCR quantitativa aumentou entre quinze e trinta vezes após o confronto. Os dados sustentam um mecanismo baseado na ruptura física e enzimática do micélio de Botrytis cinerea.

Tratamento em tecidos

A equipe também avaliou o efeito do tratamento em tecidos vegetais. Folhas, mudas e frutos receberam suspensão com um milhão de conídios por mililitro. No tratamento combinado, a aplicação de BBR-A ocorreu dois dias antes da inoculação do patógeno.

Folhas tratadas apenas com o antagonista não desenvolveram sintomas. A aplicação preventiva seguida pela inoculação de Botrytis cinerea atrasou o avanço das lesões e reduziu a área afetada. Folhas expostas apenas ao patógeno desenvolveram áreas necróticas extensas.

As mudas apresentaram resposta semelhante. O grupo inoculado somente com Botrytis cinerea registrou maior incidência de doença. O tratamento prévio com BBR-A reduziu os sintomas.

Nos frutos, o antagonista também limitou a infecção. Mirtilos tratados previamente não apresentaram sintomas durante o período de observação. Frutos inoculados apenas com o patógeno ficaram cobertos por micélio acinzentado.

Metabolismo das folhas

O tratamento com Trichoderma asperellum também modificou o metabolismo das folhas. A análise identificou 2.749 metabólitos com diferenças significativas entre plantas tratadas e controles. Entre 92 metabólitos secundários avaliados, houve acúmulo de compostos ligados à defesa vegetal.

A resposta incluiu ácido vanílico, ácido siríngico, ácido protocatecuico, espermidina e ácido ascórbico. Esses compostos participam de processos antioxidantes, sinalização e proteção celular. O tratamento também alterou rotas associadas ao metabolismo de aminoácidos, açúcares, ácidos graxos e coenzimas.

As folhas tratadas acumularam menos peróxido de hidrogênio. A atividade da peroxidase aumentou. Segundo os pesquisadores, essa combinação favoreceu o equilíbrio oxidativo e reduziu danos celulares durante a resposta ao estresse.

O trabalho demonstrou ação simultânea sobre o patógeno e sobre a planta. BBR-A competiu com Botrytis cinerea, parasitou suas hifas, ampliou a secreção de enzimas e estimulou mecanismos de defesa do mirtilo.

Os cientistas apontam necessidade de novos estudos. O trabalho verificou apenas a atividade da peroxidase entre as enzimas antioxidantes da planta. Outras enzimas e genes relacionados ainda precisam de avaliação. Também faltam testes mais amplos sobre formulação, estabilidade, desempenho em campo e eficácia contra outros patógenos do mirtilo.

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