TCP e Brado anunciam ampliação de ferrovia em Paranaguá

Nova linha dentro do pátio do Terminal deve elevar em cerca de 20% a capacidade da operação ferroviária

27.03.2026 | 10:53 (UTC -3)
Thaiany Osório

A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, e a Brado Logística anunciaram a expansão da infraestrutura ferroviária no pátio operacional do Terminal, único do Sul do Brasil com conexão direta entre sua área de operações e um ramal ferroviário. A iniciativa será viabilizada pela Brado e prevê a construção de uma terceira linha de trilhos e de uma área de manobras, totalizando 757 metros adicionais de ferrovia. A ampliação será dedicada exclusivamente às operações da companhia, com expectativa de elevar em aproximadamente 20% a capacidade do modal.

Com a expansão, o Terminal estará capacitado operacionalmente para uma movimentação anual de até 66 mil contêineres cheios por ferrovia a partir de 2027, frente à capacidade máxima atual de 55 mil. Hoje, a TCP opera com duas linhas: enquanto um trem chega ao pátio de operações, o outro deixa a área, permitindo a operação de carga e descarga de 41 contêineres por vez. Com a nova linha e a área de manobras, dois trens poderão operar simultaneamente, enquanto um terceiro realiza a saída, podendo dobrar o volume recebido por encoste para até 82 unidades.

Em 2024, dos 310 mil contêineres cheios exportados pela TCP, cerca de 52 mil — o equivalente a 17% dos embarques — foram transportados pela Brado. O modal tem forte participação nas cargas refrigeradas (reefer) do Terminal: em 2025, aproximadamente 55% do volume transportado pela ferrovia foi composto por contêineres reefer, principalmente de proteína animal destinada à exportação, com origem em Cascavel e Cambé, principais polos agroindustriais de frango no estado. Entre os mercados atendidos também está o de exportação de papel e celulose da região de Ortigueira (PR).

O modal se consolida como uma solução estratégica, que fortalece a logística de cargas. Com menor risco de avarias, maior segurança e assertividade no tempo de trânsito, o transporte ferroviário no Brasil integra a cadeia de suprimentos de diversos negócios e movimenta defensivos agrícolas, insumos industriais, bens de consumo, produtos para nutrição animal, entre outros.

Segundo Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento da TCP, a expansão fortalece serviços estratégicos dentro do portfólio logístico do Terminal.

“A ferrovia oferece previsibilidade, confiabilidade e custos logísticos competitivos, fatores essenciais para cadeias exportadoras como as de papel e celulose e de carnes congeladas. Como a TCP é o único terminal do Sul do Brasil com conexão direta entre a área alfandegada e o ramal ferroviário, os contêineres podem ser transferidos diretamente entre os vagões e o pátio, sem necessidade de transporte intermediário por caminhões. Isso reduz etapas logísticas, aumenta a eficiência da operação e torna o serviço estratégico e eficiente para os exportadores”, afirma.

Para Vinicius Cordeiro, gerente executivo da área comercial e de novos negócios da Brado, a ampliação das operações está diretamente conectada à estratégia de ampliar a participação da ferrovia na matriz logística dos clientes da empresa.

“Essa expansão representa um avanço importante para o corredor do Paraná, especialmente em um momento em que o mercado demanda mais previsibilidade, escala e eficiência logística. Ao estruturarmos uma operação dedicada no Terminal, criamos condições reais de crescimento para nossos clientes, principalmente no agronegócio da região. Além disso, a ampliação viabiliza uma logística mais eficiente e sustentável, permitindo a diversificação de novos produtos e novos parceiros com maior capacidade, competitividade, aumento da confiabilidade e menor impacto ambiental. É um movimento que fortalece a eficiência dos nossos clientes e amplia o papel da ferrovia na matriz logística”, afirma.

Além disso, a expansão em Paranaguá também vai de encontro com o fortalecimento de um setor de grande importância para o país.

“O Paraná tem uma força robusta em proteína animal, liderando nacionalmente a produção de frango, com quase 35% do mercado, além de ocupar a vice-liderança em suínos, o que exige soluções logísticas eficientes. Na Brado, o frango representa 24% dos transportes realizados pela companhia, e é justamente para acompanhar esse volume que avançamos na ampliação da infraestrutura no terminal, criando condições para expandir o uso da ferrovia e tornar essa operação ainda mais estratégica”, completa o executivo.

Investimentos ampliam capacidade logística e fortalecem operação ferroviária

A ampliação da ferrovia integra um conjunto amplo de investimentos realizados pela TCP para fortalecer sua infraestrutura logística. Nos últimos cinco anos, a empresa investiu cerca de R$ 500 milhões em melhorias operacionais e na expansão da capacidade do Terminal.

Para atender ao crescimento da movimentação na ferrovia, a área passou a operar com três guindastes RTG (Rubber Tyred Gantry) — um a mais do que anteriormente. Esses equipamentos passaram por um processo de eletrificação, com a instalação de barramentos elétricos ao longo da área ferroviária, iniciativa que gerou uma redução nas emissões de aproximadamente 771 toneladas de gás carbônico por ano na operação dos três equipamentos.

Além disso, a TCP investiu na mobilização de novos Terminal Tractors (TTs) para otimizar a operação ferroviária e na readequação do gate do Terminal, permitindo o acesso da terceira linha e maior fluidez na movimentação de cargas.

A TCP também inaugurou, em 2023, uma subestação de energia de 13,8 kV, responsável por atender tanto à eletrificação dos equipamentos quanto à ampliação da área de contêineres refrigerados (reefer) do Terminal, que hoje é a maior da América do Sul, com 5.268 tomadas.

A Brado, por sua vez, investiu em novos trilhos e três aparelhos de movimentação de via (AMVs) para a expansão da TCP em 2026. Esses equipamentos permitem a transferência de um trem de uma linha para outra, com foco no direcionamento do tráfego e realização de manobras. Além disso, também adquiriu outros componentes para a consolidação dessa estrutura, como placas de apoio, chumbadores, soldas e grampos de fixação.

Para Washington Renan Bohnn, gerente de operações logísticas da TCP, os investimentos realizados nos últimos anos têm como objetivo preparar o Terminal para um crescimento sustentado da operação.

“Esses investimentos fortalecem a infraestrutura logística da TCP e permitem que a operação ferroviária evolua com mais eficiência e previsibilidade. Ao ampliar a capacidade do Terminal e integrar melhor os modais de transporte, conseguimos oferecer soluções mais competitivas para os nossos clientes e contribuir diretamente para a eficiência da cadeia logística do comércio exterior brasileiro”, conclui Bohnn.

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