Soja impulsiona recorde nas exportações do agro em julho

Embarques do complexo soja cresceram, enquanto açúcar e etanol tiveram desempenho mais fraco no mês

12.08.2026 | 09:18 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Itaú BBA

As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 16,3 bilhões em julho de 2026, alta de 5% em relação ao mesmo mês do ano passado e o maior valor já registrado para julho. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) foram analisados pela consultoria Agro Itaú BBA no relatório Radar Agro – Exportações do Agronegócio – Julho/26.

O resultado foi sustentado principalmente pelo desempenho do complexo soja e pelas exportações de frango. Em contrapartida, houve retração expressiva nos embarques de carne bovina in natura e açúcar.

No complexo soja, as exportações do grão alcançaram 13,4 milhões de toneladas, aumento de 9,3% na comparação anual, embora 7,6% abaixo do volume embarcado em junho. A receita chegou a US$ 5,9 bilhões, favorecida pela valorização dos preços. O valor médio de exportação foi de US$ 438,30 por tonelada, alta de 7,4% ante julho de 2025.

O farelo de soja também apresentou crescimento. Os embarques totalizaram 2,4 milhões de toneladas, avanço de 18% em um ano, enquanto o preço médio subiu 9,3%, para US$ 368,60 por tonelada.

O destaque dentro do complexo, contudo, foi o óleo de soja. As exportações somaram 318 mil toneladas, volume 130% superior ao registrado em julho de 2025. O preço médio chegou a US$ 1.205,60 por tonelada, alta de 14,4% na comparação anual, permanecendo em patamar historicamente elevado.

Açúcar perde força 

No complexo sucroenergético, o cenário foi menos favorável. Os embarques de açúcar bruto somaram 2,5 milhões de toneladas, queda de 9% ante junho e cerca de 600 mil toneladas abaixo do volume registrado em julho de 2025.

As exportações de açúcar branco cresceram 1,3% na comparação anual, para 452 mil toneladas, mas o avanço não foi suficiente para compensar a retração do açúcar bruto.

Segundo o Itaú BBA, o resultado já era esperado diante da elevada disponibilidade global da commodity e da demanda internacional mais fraca. A consultoria estima um superávit global de 2,8 milhões de toneladas na safra 2025/26.

A demanda asiática também perdeu força. Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras para a China recuaram 34% em relação ao mesmo período de 2025. Na Indonésia, os embarques ficaram abaixo de 100 mil toneladas, contra cerca de 1 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil no mesmo intervalo do ano passado.

O Itaú BBA avalia, porém, que esse cenário pode mudar nos próximos meses. Uma eventual quebra da safra de cana da Tailândia, atualmente a principal fornecedora de açúcar para o mercado asiático, pode abrir espaço para o produto brasileiro. A oportunidade tende a ser maior caso a Índia mantenha uma política mais restritiva para suas exportações.

Etanol tem alta em julho, mas acumula pior resultado 

As exportações de etanol alcançaram 179 mil metros cúbicos em julho, alta de 18% ante o mesmo mês de 2025 e mais que o dobro do volume registrado em maio deste ano.

Apesar da recuperação pontual, o desempenho acumulado permanece fraco. Entre janeiro e julho, o Brasil exportou apenas 528 mil metros cúbicos de etanol, o menor volume para o período desde 2003.

De acordo com a análise do Itaú BBA, se o ritmo atual for mantido, as exportações da safra dificilmente superarão os 1,6 bilhão de litros registrados na temporada anterior.

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