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As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 16,3 bilhões em julho de 2026, alta de 5% em relação ao mesmo mês do ano passado e o maior valor já registrado para julho. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) foram analisados pela consultoria Agro Itaú BBA no relatório Radar Agro – Exportações do Agronegócio – Julho/26.
O resultado foi sustentado principalmente pelo desempenho do complexo soja e pelas exportações de frango. Em contrapartida, houve retração expressiva nos embarques de carne bovina in natura e açúcar.
No complexo soja, as exportações do grão alcançaram 13,4 milhões de toneladas, aumento de 9,3% na comparação anual, embora 7,6% abaixo do volume embarcado em junho. A receita chegou a US$ 5,9 bilhões, favorecida pela valorização dos preços. O valor médio de exportação foi de US$ 438,30 por tonelada, alta de 7,4% ante julho de 2025.
O farelo de soja também apresentou crescimento. Os embarques totalizaram 2,4 milhões de toneladas, avanço de 18% em um ano, enquanto o preço médio subiu 9,3%, para US$ 368,60 por tonelada.
O destaque dentro do complexo, contudo, foi o óleo de soja. As exportações somaram 318 mil toneladas, volume 130% superior ao registrado em julho de 2025. O preço médio chegou a US$ 1.205,60 por tonelada, alta de 14,4% na comparação anual, permanecendo em patamar historicamente elevado.
No complexo sucroenergético, o cenário foi menos favorável. Os embarques de açúcar bruto somaram 2,5 milhões de toneladas, queda de 9% ante junho e cerca de 600 mil toneladas abaixo do volume registrado em julho de 2025.
As exportações de açúcar branco cresceram 1,3% na comparação anual, para 452 mil toneladas, mas o avanço não foi suficiente para compensar a retração do açúcar bruto.
Segundo o Itaú BBA, o resultado já era esperado diante da elevada disponibilidade global da commodity e da demanda internacional mais fraca. A consultoria estima um superávit global de 2,8 milhões de toneladas na safra 2025/26.
A demanda asiática também perdeu força. Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras para a China recuaram 34% em relação ao mesmo período de 2025. Na Indonésia, os embarques ficaram abaixo de 100 mil toneladas, contra cerca de 1 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil no mesmo intervalo do ano passado.
O Itaú BBA avalia, porém, que esse cenário pode mudar nos próximos meses. Uma eventual quebra da safra de cana da Tailândia, atualmente a principal fornecedora de açúcar para o mercado asiático, pode abrir espaço para o produto brasileiro. A oportunidade tende a ser maior caso a Índia mantenha uma política mais restritiva para suas exportações.
As exportações de etanol alcançaram 179 mil metros cúbicos em julho, alta de 18% ante o mesmo mês de 2025 e mais que o dobro do volume registrado em maio deste ano.
Apesar da recuperação pontual, o desempenho acumulado permanece fraco. Entre janeiro e julho, o Brasil exportou apenas 528 mil metros cúbicos de etanol, o menor volume para o período desde 2003.
De acordo com a análise do Itaú BBA, se o ritmo atual for mantido, as exportações da safra dificilmente superarão os 1,6 bilhão de litros registrados na temporada anterior.
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