SLC Agrícola registra receita recorde de R$ 8,6 bilhões em 2025

Empresa pretende continuar ampliando produtividade e área irrigada

12.03.2026 | 08:12 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar

A SLC Agrícola encerrou 2025 com resultados históricos, impulsionados por aumento da produtividade, expansão da área cultivada e crescimento do volume comercializado. A companhia registrou receita líquida recorde de R$ 8,6 bilhões, alta de 23,7% em relação a 2024, enquanto o lucro líquido alcançou R$ 565,2 milhões, crescimento de 17,3% no período, conforme informações apresentadas aos acionistas.

O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento expressivo do volume faturado, que atingiu 3,59 milhões de toneladas, avanço de 42,3% na comparação anual.

Entre os destaques operacionais do ano está o milho segunda safra, que alcançou produtividade recorde de 8.304 kg por hectare, consolidando o melhor resultado da história da companhia para a cultura.

Crescimento e produtividade

O bom desempenho operacional da empresa também se refletiu nas principais culturas do portfólio.

Na safra 2024/25, a produtividade média da soja chegou a 3.961 kg/ha, resultado 21,4% superior ao ciclo anterior e cerca de 9,4% acima da média nacional, segundo dados comparados com estimativas da Conab.

Já o milho apresentou crescimento expressivo de produtividade e volume. A produção comercializada atingiu 1,21 milhão de toneladas, avanço de 84% em relação a 2024, beneficiada por preços mais elevados e forte demanda interna.

Esse desempenho contribuiu para a melhoria da rentabilidade das culturas. A margem bruta da soja, por exemplo, subiu para 35,6% em 2025, ante 19,4% no ano anterior, impulsionada principalmente pela redução do custo unitário decorrente da maior produtividade.

Estratégia de expansão

Outro fator decisivo para o crescimento da companhia foi a estratégia de expansão por meio de fusões e aquisições (M&A).

Ao longo de 2025, a SLC Agrícola realizou cinco operações estratégicas, ampliando significativamente sua base produtiva e fortalecendo o modelo de crescimento baseado em áreas arrendadas, conhecido como asset light.

Entre os principais movimentos estão:

  • Aquisição da Sierentz Agro Brasil, por US$ 129 milhões, adicionando cerca de 96 mil hectares nos estados do Maranhão, Piauí e Pará;
  • Compra de áreas da Agrícola Xingu, na Bahia e em Minas Gerais, por R$ 913 milhões, incorporando 46 mil hectares ao portfólio;
  • Aquisição da participação da Mitsui na joint venture SLC-MIT, adicionando 27 mil hectares à área plantada;
  • Associação com fundos de investimento geridos pelo BTG Pactual, voltada à expansão de projetos de irrigação.

Com esses movimentos, a companhia ampliou em cerca de 100 mil hectares sua área cultivada em 2025, reforçando a estratégia de crescimento da operação agrícola.

Expansão da área plantada

Para a safra 2025/26, a estimativa da empresa é atingir 837,2 mil hectares plantados, aumento de 13,8% em relação ao ciclo anterior.

A soja continuará sendo a principal cultura, com aproximadamente 424,7 mil hectares, seguida pelo milho segunda safra e pelo algodão.

Segundo a companhia, parte desse crescimento está diretamente relacionada às áreas incorporadas por meio da aquisição da Sierentz Agro Brasil.

Sementes e diversificação

O segmento de sementes também apresentou expansão.

O volume total distribuído atingiu 61.401 big bags, crescimento de 12,6% em relação ao ano anterior, incluindo vendas a terceiros, operações internas e consumo próprio nas lavouras da empresa.

Com esse desempenho, a SLC Sementes ampliou sua participação no mercado de sementes de soja para 3% de market share, avanço de 0,3 ponto percentual frente ao ano anterior.

Exportações e mercado internacional

Outro marco relevante foi o recorde de exportações de algodão, que somaram 369 mil toneladas embarcadas em 2025, consolidando a competitividade da empresa no mercado global da fibra.

Mesmo em um cenário internacional marcado por volatilidade de preços, a companhia manteve margens robustas e ampliou sua presença no comércio internacional.

Estrutura financeira e dividendos

O EBITDA ajustado da companhia atingiu R$ 2,6 bilhões, com margem de 31,2%, refletindo o crescimento operacional e a eficiência produtiva da empresa.

A dívida líquida ajustada ao final do exercício foi de R$ 5,2 bilhões, mantendo a relação dívida líquida/EBITDA em 1,97 vez, nível considerado confortável para o setor.

Em relação à remuneração aos acionistas, a empresa distribuiu R$ 400 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio, o equivalente a R$ 0,91 por ação, com dividend yield de 5,6%.

Perspectivas

Segundo o diretor-presidente da empresa, Aurélio Pavinato, 2025 foi um ano estratégico para consolidar o crescimento da companhia.

A empresa pretende continuar ampliando produtividade e área irrigada, com expectativa de ultrapassar 50 mil hectares irrigados nos próximos anos, fortalecendo a estabilidade produtiva e a valorização das terras agrícolas.

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