Seleção contínua eleva resistência de mosca-branca ao tiametoxam

Análises demográficas e transcriptômicas indicam custo adaptativo e superexpressão de genes P450

24.02.2026 | 14:03 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: W Billen, Pflanzenbeschaustelle
Foto: W Billen, Pflanzenbeschaustelle

A mosca-branca Bemisia tabaci desenvolveu resistência 32,46 vezes maior ao tiametoxam após 15 gerações de seleção contínua em laboratório. O valor de LC50 subiu de 3,31 mg/L na linhagem suscetível para 107,35 mg/L na linhagem selecionada. O estudo, de pesquisadores chineses, também registrou custo adaptativo relevante e resistência cruzada.

Os cientistas selecionaram uma população do biótipo MED coletada em Pequim. A linhagem suscetível permaneceu dois anos sem exposição a inseticidas. Em seguida, os autores aplicaram tiametoxam via irrigação do solo por 15 gerações consecutivas. A cada ciclo, ajustaram a concentração com base na LC determinada por bioensaio.

Resistência herdada

A herdabilidade realizada da resistência alcançou 0,183. O modelo indicou que cerca de 10 gerações sob mortalidade de 50% bastam para elevar dez vezes a LC50. Sob pressões maiores, o número de gerações cai para menos de cinco quando a mortalidade atinge 90%. O resultado aponta rápida evolução sob alta pressão de seleção.

Custo adaptativo

A linhagem resistente apresentou atraso no desenvolvimento e redução na longevidade. O período pré-adulto aumentou 0,95 dia. A longevidade média caiu 11,13 dias para fêmeas e 5,95 dias para machos. A duração de oviposição reduziu 8,37 dias. A fecundidade diminuiu 32,69 ovos por fêmea.

Os parâmetros demográficos confirmaram o custo adaptativo. A taxa intrínseca de crescimento populacional caiu de 0,1179 para 0,1090. A taxa líquida de reprodução reduziu de 34,71 para 20,41. A aptidão relativa atingiu 0,92 com base em r e 0,65 com base em R0.

Resistência cruzada

Os bioensaios indicaram resistência cruzada a outros neonicotinoides. A linhagem resistente exibiu razão de resistência de 27,80 vezes ao clotianidina. Também registrou 4,96 vezes ao imidacloprido e 3,85 vezes ao nitenpirame. A população manteve suscetibilidade relativa a dinotefurano, acetamiprido e tiacloprido. O grupo também permaneceu suscetível a abamectina, espinetoram e deltametrina.

A análise transcriptômica identificou 2.450 genes diferencialmente expressos entre as linhagens. O total incluiu 1.477 genes com maior expressão na população resistente. As vias enriquecidas envolveram metabolismo, resposta a xenobióticos e transportadores ABC.

A validação por qRT-PCR confirmou superexpressão de 11 genes ligados à detoxificação. Oito pertencem à família citocromo P450. Os genes CYP4G15 e CYP6CM1 apresentaram aumento superior a sete vezes. O estudo também registrou indução de uma glutationa S-transferase e duas UDP-glicosiltransferases.

Interferência por RNA

A interferência por RNA reduziu em 43% a expressão de CYP4G15. Após o silenciamento, a mortalidade aumentou quando adultos resistentes receberam tiametoxam e clotianidina. A análise das subunidades do receptor nicotínico de acetilcolina não detectou mutações associadas à resistência.

Os autores associam a resistência ao aumento da detoxificação metabólica. O estudo sugere rotação com inseticidas de outros modos de ação para conter a seleção.

Outras informações em doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.107037

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