Safra recorde amplia pressão sobre preços do café

Entrada de cafés de outras origens deve elevar oferta global e pressionar cotações nos próximos meses, aponta Rabobank

01.09.2026 | 10:00 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Rabobank

O avanço da colheita de uma safra volumosa de café no Brasil deve manter a pressão sobre os preços do arábica e do robusta nos próximos meses. A tendência pode ganhar força com a entrada de cafés de outras origens no mercado internacional, aumentando a disponibilidade global e contribuindo para a recomposição dos estoques. A avaliação consta no relatório Agroinfo Agosto 2026, do Rabobank.

Entre o início do ano e agosto, os preços do café recuaram nas bolsas internacionais. No período, o arábica passou de US$ 3,57 por libra-peso para US$ 3,37/lb, queda de 5,6%. Já o robusta caiu de US$ 4.132 para US$ 3.816 por tonelada, recuo de 7,6%.

Segundo o banco, o mercado passou por uma forte correção durante o primeiro semestre, seguida de recuperação parcial no terceiro trimestre. O arábica apresentou maior volatilidade e respondeu de forma mais intensa aos movimentos do mercado do que o robusta.

Apesar da queda acumulada, alguns fatores ajudaram a sustentar as cotações. Entre eles está o atraso na colheita do arábica no Brasil, que retardou temporariamente a entrada de novos volumes no mercado. A demanda aquecida por robusta também contribuiu para dar suporte aos preços, movimento evidenciado pelo crescimento das exportações brasileiras da variedade.

Exportações têm desempenho diferente entre arábica e robusta

De janeiro a julho, o Brasil embarcou 20,7 milhões de sacas de café, volume 6,4% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho, no entanto, foi diferente entre as variedades. Em julho, as exportações brasileiras de café verde arábica somaram 1,8 milhão de sacas, queda de 8,7% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Já os embarques de café verde robusta alcançaram 851 mil sacas no mês, crescimento de 84,1% em relação a julho do ano passado.

O Rabobank também chama atenção para um descolamento entre os preços negociados nas bolsas internacionais e os valores praticados no mercado físico brasileiro. De acordo com a análise, as oscilações dos contratos futuros não foram repassadas integralmente aos preços recebidos pelos produtores.

Chuvas podem afetar qualidade dos cafés

Além do volume da produção, as condições climáticas durante a colheita são outro fator de atenção para o mercado. O Brasil registrou chuvas acima da média histórica, especialmente em julho, dificultando o avanço dos trabalhos em algumas regiões.

Parte dos lotes colhidos foi atingida por precipitações durante o processo de secagem, o que pode comprometer a qualidade dos grãos. Também foram registrados casos de frutos derrubados pelas chuvas, deixando os cafés em contato com o solo.

Essas condições podem prejudicar o aspecto físico dos grãos e reduzir o potencial de qualidade da bebida. Com isso, embora a safra brasileira contribua para ampliar a oferta total, a disponibilidade de cafés de padrão superior pode ser mais limitada.

Pressão sobre preços deve continuar

Para os próximos meses, o mercado deverá acompanhar a entrada da produção brasileira e a chegada de cafés de outras origens ao comércio internacional. A combinação desses volumes tende a aumentar a disponibilidade global e exercer pressão adicional sobre as cotações.

Por outro lado, eventuais perdas de qualidade provocadas pelas chuvas podem limitar a oferta de cafés superiores. Nesse cenário, o Rabobank aponta para a possibilidade de ampliação dos diferenciais de preços entre lotes de maior qualidade e cafés de padrão inferior.

Assim, o mercado pode passar de um cenário de oferta mais restrita para um ambiente de maior disponibilidade, mas com comportamentos distintos entre os diferentes tipos e padrões de café.

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