Safra de grãos 2025/26 deve atingir 353,4 milhões de toneladas

Estimativa da Conab indica recorde histórico, apesar de leve queda na produtividade

12.02.2026 | 10:53 (UTC -3)
Conab, edição Revista Cultivar

Com o início da colheita das culturas de primeira safra, a produção brasileira de grãos na temporada 2025/26 está estimada em 353,4 milhões de toneladas, segundo o 5º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado hoje (12/2). O volume representa crescimento de 0,3% em relação ao ciclo anterior e mantém a perspectiva de novo recorde na série histórica da estatal.

A área plantada deve alcançar 83,3 milhões de hectares, avanço de 1,9% (1,5 milhão de hectares) frente à safra passada. Já a produtividade média nacional é estimada em 4.244 kg/ha, recuo de 1,5% na comparação anual.

Soja deve renovar recorde

Principal cultura do país, a soja tem produção estimada em 178 milhões de toneladas, aumento de 6,5 milhões de toneladas sobre o ciclo 2024/25 e novo recorde para a oleaginosa. As condições climáticas favoreceram o desenvolvimento das lavouras nas principais regiões produtoras.

A colheita já atinge 17,4% da área, ritmo superior ao registrado no mesmo período do ano passado e próximo da média dos últimos cinco anos. Em Mato Grosso, maior produtor nacional, os trabalhos alcançam 46,8% da área, com produtividades próximas às projeções iniciais.

Milho: leve queda no total, avanço na 1ª safra

Para o milho, a Conab projeta produção total de 138,4 milhões de toneladas, redução de 1,9% frente ao ciclo anterior. Apesar da queda no consolidado, a primeira safra apresenta expansão: a área deve crescer 7,2%, chegando a 4 milhões de hectares, com produção estimada em 26,7 milhões de toneladas (+7,1%).

Já a segunda safra, principal responsável pelo volume nacional, deve ocupar 17,9 milhões de hectares. O plantio alcançava 21,6% da área até a primeira semana de fevereiro, com produção projetada em 109,3 milhões de toneladas.

Arroz recua, mas mantém abastecimento

A área de arroz deve totalizar 1,6 milhão de hectares, queda de 11,6% em relação à temporada passada. A produção está estimada em 10,9 milhões de toneladas.

No Rio Grande do Sul, maior produtor do país, as lavouras estão em fase de desenvolvimento vegetativo. A recuperação dos níveis de água após chuvas recentes contribuiu para melhorar as condições das áreas cultivadas. Mesmo com a redução na colheita, a Conab avalia que o volume será suficiente para atender o mercado interno.

Feijão mantém estabilidade

A produção total de feijão, considerando as três safras, deve permanecer próxima de 3 milhões de toneladas. Na primeira safra, a área caiu 11,4%, para 804,7 mil hectares, com produção estimada em 967,2 mil toneladas (-9%). A retração é puxada principalmente pela região Sul, especialmente o Paraná.

Em contrapartida, Minas Gerais deve registrar aumento de 9,5% na produção, alcançando 224,6 mil toneladas e assumindo a liderança na primeira safra.

Algodão reduz área

Para o algodão, cultura concentrada na segunda safra, a área estimada é de 2 milhões de hectares, redução de 3,2% frente ao ciclo anterior. A produção de pluma deve atingir 3,8 milhões de toneladas. A semeadura já alcança 88,1% da área prevista.

Mercado

O levantamento também traz os dados consolidados da comercialização do milho da safra 2024/25. A produção recorde do ciclo anterior permitiu que as exportações alcançassem 41,5 milhões de toneladas, segundo dados do MDIC.

No mercado interno, o consumo atingiu 90,5 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica, impulsionado principalmente pela expansão da produção de etanol de milho.

Para 2025/26, a expectativa é de novo crescimento tanto nas exportações — estimadas em 46,5 milhões de toneladas — quanto no consumo interno, projetado em 94,5 milhões de toneladas. Mesmo com o avanço da demanda, os estoques de passagem em janeiro de 2027 devem se manter próximos de 12 milhões de toneladas, garantindo relativa estabilidade no abastecimento.

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