RS Safra 2026/27: chuvas restringem plantio

Milho alcança 75% da área prevista; Emater registra insetos nas culturas de verão e doenças nas lavouras de inverno

08.10.2026 | 16:20 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: José Schafer / Emater-RS
Foto: José Schafer / Emater-RS

As chuvas frequentes e o excesso de umidade no solo limitam o avanço da semeadura da safra de verão 2026/27 no Rio Grande do Sul. O milho alcançou 75% da área prevista, enquanto a implantação da soja permanece incipiente após a abertura do período recomendado para a semeadura, em 1º de outubro. As informações são da Emater/RS, que também registra dificuldades na implantação do arroz e do feijão. Os temporais do final de setembro provocaram danos em lavouras já estabelecidas.

Situação da soja

Na soja, a semeadura concentra-se em áreas autorizadas para plantio antecipado durante setembro. A elevada umidade impede o ingresso de máquinas em parte das propriedades. Muitas áreas passaram por dessecação e aguardam condições adequadas para receber as sementes. A Emater/RS projeta o cultivo de 6.645.384 hectares, produtividade média de 3.183 quilogramas por hectare e produção de 21.151.135 toneladas.

Na região de Ijuí, apenas 0,2% da área prevista recebeu sementes. As lavouras apresentam boa emergência e estabelecimento de plantas. Em Santa Rosa, a semeadura alcançou aproximadamente 2% dos 786.234 hectares projetados. O granizo atingiu áreas implantadas em setembro, e os técnicos acompanham a capacidade de recuperação das plantas.

A cobertura vegetal formada por aveia e azevém apresenta desempenho satisfatório na proteção do solo e na supressão de plantas daninhas. Entretanto, o elevado volume de palhada e a manutenção da umidade dificultam as operações de semeadura.

Situação do milho

No milho, a implantação avançou de 73% para 75% da área prevista durante a semana. As lavouras encontram-se em germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo. O estabelecimento apresenta condições satisfatórias, apesar das baixas temperaturas, da pouca luminosidade e do excesso hídrico. A estimativa estadual contempla 896.401 hectares e produtividade de 7.711 quilogramas por hectare.

O monitoramento fitossanitário do milho registra ocorrências pontuais de percevejos, grilos e cigarrinha-do-milho. A pressão dessas pragas apresenta níveis baixos ou redução em parte das lavouras. Na região de Frederico Westphalen, as operações incluem controle de cigarrinha-do-milho e percevejos, além da aplicação de nitrogênio em cobertura. Em Ijuí, foram identificadas infestações localizadas de grilos e percevejos. O acompanhamento da cigarrinha indica baixa incidência.

Os temporais provocaram danos foliares, erosão, falhas de estande e redução do potencial produtivo. Em Ijuí, o granizo reduziu em até 50% a área foliar das plantas atingidas. Em Santa Rosa, com 89% da área semeada, algumas lavouras necessitam de ressemeadura ou substituição por outra cultura.

Em Santo Antônio das Missões, pelo menos 25 dos aproximadamente 100 pivôs de irrigação do município tombaram durante o temporal. Nas áreas preservadas, avançaram as aplicações de nitrogênio. A população de cigarrinhas apresentou redução em relação às primeiras lavouras emergidas.

Situação do arroz

A semeadura do arroz apresenta diferenças entre as regiões produtoras. Na Fronteira Oeste, alguns municípios alcançaram aproximadamente 50% da área prevista. Na região de Pelotas, a implantação avançou de 8% para 21%. O excesso de chuvas provocou alagamentos em várzeas, erosão e perdas de nutrientes. Em São Gabriel, Rosário do Sul e Santa Margarida do Sul, as áreas atingidas por enchentes passam por avaliações sobre replantio e reparos nos sistemas de irrigação e drenagem.

O Instituto Rio Grandense do Arroz projeta 861.779 hectares cultivados na safra 2026/2027. A Emater/RS estima produtividade inicial de 8.741 quilogramas por hectare.

Situação do feijão

No feijão de primeira safra, a implantação avança de maneira desigual. A área projetada alcança 24.587 hectares, com produtividade de 1.759 quilogramas por hectare. A elevada umidade e as temperaturas amenas prejudicam a semeadura e o crescimento inicial.

Em Ijuí, houve aumento da incidência de diabrótica nas lavouras de feijão. A semeadura permanece em 62% da área prevista. As plantas apresentam folhas grandes e encurtamento dos entrenós. Na região de Soledade, o plantio alcança 30%, com predomínio de áreas comerciais preparadas para implantação.

Situação do trigo

Nas culturas de inverno, o excesso de chuvas, a elevada umidade e os temporais prejudicam o potencial produtivo e a qualidade dos grãos. No trigo, 60% das lavouras encontram-se em enchimento de grãos, 27% em maturação e 4% foram colhidas.

A elevada umidade durante o período reprodutivo favoreceu a incidência de giberela, manchas foliares, ferrugens e oídio. Na região de Santa Rosa, houve também registros de brusone. As chuvas dificultaram o acesso de máquinas às lavouras e restringiram os tratamentos fitossanitários.

Em Frederico Westphalen, a incidência expressiva de giberela compromete as expectativas de produtividade e qualidade. Em Ijuí, cultivares mais suscetíveis à doença apresentam redução de rendimento. As primeiras lavouras colhidas em Santo Augusto alcançaram 2.820 quilogramas por hectare, mas a média regional das áreas colhidas não ultrapassa 2.400 quilogramas por hectare.

Em São Gabriel, a infestação de azevém provoca competição com o trigo. A redução da área foliar verde, associada às manchas foliares, pode comprometer o peso dos grãos. Em Soledade, prosseguiram as aplicações de fungicidas contra manchas foliares, oídio, ferrugens e giberela nas áreas tardias.

Além das doenças, os eventos meteorológicos provocaram acamamento, debulha de espigas e perdas de estruturas reprodutivas. A continuidade das chuvas também aumenta a preocupação com o peso hectolitro e a germinação pré-colheita, responsável pela redução do índice de queda (falling number). A Emater/RS projeta 814.220 hectares de trigo e produtividade média de 2.701 quilogramas por hectare.

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