RS Safra 2025/26: colheita da soja atinge 79% da área

Chuvas desaceleram trabalhos no campo e afetam qualidade dos grãos, aponta Emater/RS

30.04.2026 | 17:15 (UTC -3)
Adriane Bertoglio Rodrigues, edição Revista Cultivar
Foto: Vanessa Almeida de Moraes
Foto: Vanessa Almeida de Moraes

A colheita da soja no Rio Grande do Sul alcançou 79% da área cultivada na safra 2025/26, segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta semana pela Emater/RS. O estado soma 6,62 milhões de hectares plantados, com produtividade média estimada em 2.871 kg/ha.

Ainda restam 21% das lavouras em campo, sendo 20% em maturação e 1% em enchimento de grãos. O avanço das operações, no entanto, tem sido pontualmente afetado pelas chuvas frequentes e pela elevada umidade, que reduzem as janelas de colheita.

De acordo com a entidade, as condições climáticas mantêm as plantas com alto teor de umidade, o que impacta o ritmo dos trabalhos e favorece perdas qualitativas, como aumento de impurezas e maior incidência de grãos avariados.

Nas áreas de semeadura tardia e de segunda safra, a disponibilidade hídrica tem contribuído para o enchimento de grãos. Por outro lado, há maior pressão de doenças, especialmente ferrugem-asiática e patógenos de final de ciclo, além da incidência de percevejos.

A produtividade apresenta forte variabilidade entre as regiões. Lavouras implantadas em períodos mais favoráveis e com melhor distribuição de chuvas registram bom desempenho, enquanto áreas afetadas por estiagem, limitações de fertilidade ou compactação do solo acumulam perdas que, em alguns casos, superam 50% do potencial produtivo.

Milho

A colheita de milho avançou pouco na última semana, chegando a 92% da área, impactada pelas chuvas e pela priorização de outras culturas. As áreas restantes estão distribuídas entre maturação (4%), enchimento de grãos (4%) e florescimento (1%), principalmente em cultivos tardios e de safrinha.

A produtividade média estadual é estimada em 7.424 kg/ha em uma área de 803 mil hectares, com desempenho próximo ao projetado na maior parte das lavouras.

No milho destinado à silagem, a colheita atinge 89% dos 345 mil hectares cultivados. As áreas remanescentes, em sua maioria tardias, apresentam bom acúmulo de biomassa, favorecido pelas condições hídricas. No entanto, o excesso de umidade pode comprometer a qualidade do material ensilado. A produtividade média é estimada em 37.840 kg/ha, com variações pontuais relacionadas ao clima.

Feijão

A colheita do feijão da primeira safra foi concluída, com produtividade média estimada em 1.781 kg/ha. O resultado ainda pode ser revisado para baixo devido às perdas registradas nos Campos de Cima da Serra, região que concentra cerca de 40% da área cultivada.

Na segunda safra, os cultivos estão majoritariamente em estágios reprodutivos, com 44% em enchimento de grãos e 13% em floração. A colheita avança lentamente e atinge 18% da área. De modo geral, as lavouras apresentam bom desempenho, embora a elevada umidade possa favorecer doenças nas fases finais do ciclo. A produtividade média projetada é de 1.401 kg/ha.

Arroz

A colheita do arroz também se aproxima do fim, com 93% da área colhida, segundo dados do Irga. As áreas remanescentes estão em maturação e ponto de colheita.

Apesar de interrupções pontuais causadas pelas chuvas, a safra apresenta bom desempenho geral, com produtividades elevadas e qualidade satisfatória dos grãos. A produtividade média é estimada em 8.744 kg/ha.

Pastagens

A implantação das pastagens de inverno está em andamento em todas as regiões do estado, com variação conforme as condições climáticas. Culturas como aveia e azevém apresentam boa germinação, favorecida pelas chuvas recentes, embora haja atrasos pontuais. As áreas já implantadas mostram bom estabelecimento inicial, mas ainda não atingiram, em sua maioria, condições ideais para pastejo.

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