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A safra de verão no Rio Grande do Sul segue marcada por contrastes entre bom desenvolvimento das lavouras e a crescente preocupação com a irregularidade das chuvas. De acordo com o Informativo Conjuntural nº 1904 da Emater/RS, divulgado nesta quinta-feira (29/1), a soja mantém elevado potencial produtivo, mas já apresenta sinais pontuais de estresse hídrico em áreas mais sensíveis. O milho avança em colheita, com produtividades variáveis, enquanto arroz, feijão e culturas hortícolas apresentam comportamento distinto conforme região e manejo.
A semeadura da soja alcança 98% da área prevista no estado e deve ser concluída nos próximos dias, à medida que ocorre reposição de umidade no solo. Atualmente, 42% das lavouras estão em fase vegetativa, 46% em floração e 12% em enchimento de grãos.
As condições de elevada amplitude térmica, tempo seco, alta radiação solar e ventos frequentes intensificaram a perda de umidade do solo. Em lavouras em floração e início de enchimento de grãos, sobretudo em solos rasos ou arenosos, já se observam sinais fisiológicos de estresse, com risco de impacto na fixação de vagens caso a restrição hídrica persista.
Apesar disso, a Emater/RS avalia que o potencial produtivo segue elevado, condicionado à regularização das chuvas. O clima quente e seco tem limitado doenças foliares, mas aplicações preventivas contra ferrugem-asiática seguem necessárias, especialmente em áreas em estádio reprodutivo. Há incremento pontual de percevejos, tripes e ácaros, exigindo monitoramento.
Para a safra 2025/26, a projeção é de 6,74 milhões de hectares cultivados, com produtividade média de 3.180 kg/ha. Na comercialização, o preço médio da saca de 60 kg caiu 1,56% na semana, para R$ 121,22.
O milho apresenta fases fenológicas diversificadas em função do plantio escalonado. Predominam lavouras em enchimento de grãos (25%) e maturação fisiológica (28%). A escassez de chuvas acelerou a senescência em áreas de sequeiro, podendo reduzir peso de grãos, enquanto a elevada radiação solar favoreceu cultivos com boa disponibilidade hídrica, especialmente irrigados.
A colheita atinge 28% da área, com produtividades entre médias e elevadas, dependendo da distribuição das chuvas e do nível tecnológico. Produtores relatam presença significativa de cigarrinha-do-milho em algumas regiões.
A Emater/RS estima área de 785 mil hectares e produtividade média de 7.370 kg/ha. O preço médio da saca recuou 2,28%, para R$ 60,00.
Milho silagem
A colheita supera 40% da área plantada, favorecida pelo tempo seco. As expectativas de produtividade são positivas, inclusive melhores que as estimadas inicialmente para áreas mais tardias. A área prevista é de 366 mil hectares, com produtividade de 38.338 kg/ha.
Na primeira safra, a semeadura está praticamente concluída e a colheita ultrapassa 60% em várias regiões, com lavouras bem sanitizadas. Apesar disso, os preços seguem considerados baixos pelos produtores, o que pode reduzir a área da safrinha. A saca teve valorização semanal de 11,36%, alcançando R$ 122,50.
A segunda safra iniciou a semeadura, com cerca de 15% da área implantada. A projeção é de 11,7 mil hectares.
O arroz apresenta 57% das lavouras em desenvolvimento vegetativo, 34% em floração e 9% em enchimento de grãos. A elevada radiação solar favorece o desenvolvimento, mas as temperaturas mínimas abaixo de 15 °C, e até inferiores a 10 °C em algumas regiões, elevam o risco de esterilidade de espiguetas.
As condições hídricas ainda são consideradas adequadas, embora haja redução dos níveis em rios e barragens. A área estimada é de 920 mil hectares, com produtividade prevista de 8.752 kg/ha. O preço médio da saca de 50 kg recuou 2,85%, para R$ 52,16.
Em olerícolas, a alface registra perdas associadas ao calor em algumas regiões, enquanto cebola segue em colheita, com preços baixos ao produtor. O tomate apresentou leve reação de preços para frutos de melhor calibre, mas ainda abaixo do nível necessário para cobrir custos.
Na fruticultura, citros apresentam bom desenvolvimento geral, embora haja expectativa de menor safra para algumas cultivares. A colheita da maçã Eva avança com boa aceitação, e o início da colheita da Gala pressiona preços. No morango, temperaturas elevadas prejudicam floração e padrão de frutos, com registros pontuais de mosca-da-asa-manchada e preços variando conforme qualidade e canal de venda.
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