RS Safra 2025/26: chuvas favorecem desenvolvimento do milho

Informativo da Emater/RS aponta recuperação parcial da produtividade e avanço do enchimento de grãos no estado

08.01.2026 | 17:32 (UTC -3)
Adriane Bertoglio Rodrigues, edição Revista Cultivar
Foto: Carine Massierer
Foto: Carine Massierer

As condições climáticas das últimas semanas têm contribuído para a recuperação e o bom desenvolvimento das lavouras de milho no Rio Grande do Sul. Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS nesta quinta-feira (8/1), o volume de chuvas aliado a temperaturas adequadas favoreceu a cultura em diferentes regiões do estado.

O levantamento aponta recuperação parcial da produtividade em áreas afetadas pela estiagem registrada entre o final de novembro e dezembro. Lavouras irrigadas apresentam excelente desenvolvimento, com expectativa de altos rendimentos. Também se destacam as áreas semeadas mais tardiamente, que não estavam em fase crítica durante o período de déficit hídrico e seguem com bom desempenho.

Apesar dos benefícios ao crescimento das plantas, as chuvas recentes elevaram a pressão de fungos e bacterioses, exigindo atenção dos produtores, assim como o monitoramento da cigarrinha-do-milho. Atualmente, 93% da área estimada pela Emater/RS para o milho — totalizando 785.030 hectares — já foi semeada, com predominância de lavouras em fase de enchimento de grãos.

Milho silagem

As lavouras destinadas à produção de silagem apresentam condições satisfatórias em todo o estado. As precipitações do último período auxiliaram na recuperação parcial de áreas afetadas pela baixa umidade no final de novembro e início de dezembro, sustentando a expectativa de bom rendimento.

A área projetada para o milho silagem é de 366.067 hectares, com produtividade estimada em 38.338 kg/ha, conforme dados da Emater/RS.

Soja

A semeadura da soja avança para a fase final no Rio Grande do Sul, alcançando 96% da área prevista, estimada em 6.742.236 hectares. A maior parte das lavouras encontra-se em desenvolvimento vegetativo (87%), enquanto 13% já estão em floração, especialmente aquelas implantadas de forma precoce.

Com a aproximação do encerramento da janela de plantio, observa-se maior adoção de cultivares de ciclo tardio, estratégia que busca assegurar adequado período de desenvolvimento vegetativo. De modo geral, as lavouras apresentam bom estande e crescimento uniforme, sem registros relevantes de pragas ou doenças. Os produtores mantêm aplicações preventivas de fungicidas, sobretudo contra a ferrugem-asiática, intensificando o monitoramento em função da maior umidade e das temperaturas elevadas.

Arroz

A cultura do arroz permanece majoritariamente em desenvolvimento vegetativo, embora algumas áreas já avancem para a fase reprodutiva, com início do florescimento e aplicações de adubação para suprir a demanda nutricional. As chuvas foram importantes para os cultivos, mas, em determinadas regiões, provocaram danos estruturais, exigindo reconstruções, como observado na Região Central.

A queda das temperaturas no final do período gera preocupação entre os produtores, especialmente nas áreas em fase reprodutiva. A área estimada pelo Irga é de 920.081 hectares, e a produtividade inicial prevista pela Emater/RS é de 8.752 kg/ha.

Feijão – 1ª safra

A continuidade do regime de chuvas favoreceu o feijão da primeira safra, que se aproxima do final do ciclo na maioria das regiões. No entanto, as precipitações vêm atrasando a colheita em algumas localidades. Perdas de produtividade foram registradas em lavouras que enfrentaram estresse hídrico durante o enchimento de grãos.

Cerca de 75% da área estimada para a cultura, de 26.096 hectares, já foi semeada. As lavouras apresentam boa fitossanidade, com monitoramento constante de pragas e doenças.

Olerícolas e frutícolas

Milho-verde Na região administrativa da Emater/RS de Lajeado, em Bom Princípio, o milho-verde colhido apresenta bom padrão de qualidade, com adequada formação de espigas, enchimento de grãos e coloração. Entre o Natal e o Ano Novo, houve redução na comercialização, e o preço médio praticado é de R$ 2,00 por espiga, abaixo do observado no início do mês. Apesar da qualidade, produtores enfrentam dificuldades de escoamento, possivelmente relacionadas à limitação de canais logísticos para o Litoral, principal mercado consumidor no período.

Em Cruzeiro do Sul, a cultura segue em colheita e comercialização, com lavouras em diferentes estádios fenológicos. De modo geral, as plantas apresentam bom desenvolvimento, sem registros significativos de pragas ou doenças. O preço recebido pelo produtor na propriedade é de R$ 0,40 por espiga.

Citros

Na região de Lajeado, os cultivos de laranja e bergamota estão em período de entressafra. As chuvas recentes favoreceram o desenvolvimento dos frutos de bergamota, com início do raleio previsto para a segunda quinzena de janeiro, visando à produção de óleo essencial. Em Pareci Novo, produtores já iniciaram o raleio em bergamoteiras precoces.

A regularidade das chuvas e as temperaturas elevadas estimularam o crescimento vegetativo, com renovação da copa e emissão de folhas jovens, que, por apresentarem tecidos menos resistentes, ficam mais suscetíveis a estresses bióticos. As operações de manejo, como roçadas, estão em fase final, enquanto os tratamentos fitossanitários preventivos são intensificados, com destaque para o controle da mosca-branca e o manejo de doenças fúngicas, especialmente a pinta-preta.

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp
Background Newsletter

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura