Reforma Tributária exige maior organização da gestão rural

Cocari orienta produtores a organizar documentos, receitas e despesas antes da entrada das novas regras em 2027

05.10.2026 | 14:35 (UTC -3)
Cocari, edição Revista Cultivar

A Reforma Tributária sobre o Consumo começa a entrar em uma nova etapa. A partir de 1º de janeiro de 2027, o produtor rural passará a conviver com novas regras relacionadas à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), em um processo de transição que se estenderá até 2032, com implantação completa do novo sistema prevista para 2033.

Embora parte importante da regulamentação ainda esteja sendo detalhada, uma questão já se apresenta ao produtor rural: a necessidade de ampliar o controle sobre as informações da própria atividade.

Em nova publicação, a Cocari recomenda aos cooperados que comecem desde já a organizar documentos, receitas, despesas, compras, vendas e demais informações relacionadas à propriedade.

A orientação vale para produtores de todos os portes, mas ganha importância especial entre os pequenos. Segundo a cooperativa, mais de 70% dos seus cooperados possuem áreas inferiores a 100 hectares. Para esse grupo, muitas vezes a gestão da propriedade ainda é feita com controles simples, anotações manuais ou concentrada na própria rotina da família.

“A mudança tributária não significa que o produtor precise transformar sua propriedade em uma empresa complexa. Significa, principalmente, que as informações sobre o que acontece dentro dela precisarão estar cada vez mais organizadas e disponíveis”, avalia a cooperativa.

Começar pelo básico

Conforme especialistas da Cocari, uma das primeiras providências é separar, tanto quanto possível, as movimentações da atividade rural das despesas pessoais da família. Também é importante guardar e organizar notas fiscais de compra de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, peças, combustíveis, serviços e demais itens utilizados na produção.

Da mesma forma, as receitas provenientes da comercialização da produção precisam estar registradas e relacionadas aos respectivos documentos fiscais.

A organização permite que o produtor tenha uma visão mais clara de quanto entra, quanto sai e quanto custa produzir. Com isso, a gestão da propriedade deixa de depender apenas da memória ou de estimativas e passa a contar com informações que ajudam nas decisões do dia a dia.

Nota fiscal ganha ainda mais importância

A documentação fiscal terá papel central no novo sistema tributário. A partir de 2027, entram em vigor novas exigências relacionadas ao CNPJ e à emissão de documentos fiscais para produtores rurais pessoa física abrangidos pela regulamentação da CBS. O Decreto nº 13.075/2026 adiou essas obrigações para 1º de janeiro de 2027, ampliando o período de preparação.

“Isso significa que o produtor não precisa esperar 2027 para começar a se organizar. Quanto melhor estiverem organizadas hoje as informações da propriedade, mais simples será a adaptação às novas exigências”, explica a Cocari.

Pequeno produtor também precisa se preparar

A Reforma Tributária estabelece regras diferentes conforme o enquadramento e a receita da atividade rural. Produtores com receita inferior a R$ 3,6 milhões, por exemplo, não são automaticamente obrigados a entrar no regime regular do IBS e da CBS, embora possam existir situações em que a opção pelo regime regular seja possível. A decisão depende da realidade de cada produtor e deve ser avaliada com orientação profissional.

Por isso, não é recomendável tomar decisões apenas com base em informações recebidas de outros produtores, grupos de mensagens ou redes sociais. O caminho mais seguro é conhecer a própria realidade: quanto a propriedade produz, quanto compra, quanto vende, quais são seus custos e como estão documentadas essas operações.

Organização também ajuda na gestão

A preparação para a Reforma Tributária pode trazer um benefício que vai além do cumprimento das novas regras. Ao registrar melhor as receitas e despesas, o produtor consegue acompanhar os custos de produção, avaliar a rentabilidade das atividades e planejar investimentos com mais segurança.

Também passa a ter informações mais organizadas para conversar com o contador, buscar crédito, contratar seguros e tomar decisões relacionadas à produção. A organização exigida pelo novo ambiente tributário pode, assim, se transformar em uma ferramenta de gestão da propriedade.

Cocari vai orientar seus cooperados

A Cocari afirma que acompanha a regulamentação da Reforma Tributária e prepara uma série de conteúdos para ajudar os cooperados a compreender as mudanças e identificar, com antecedência, o que poderá afetar suas atividades. A proposta é abordar a legislação a partir de situações que fazem parte da rotina do produtor rural, considerando as diferentes realidades do campo.

Nos próximos conteúdos, a cooperativa abordará temas como CNPJ do produtor rural, limite de receita, condição de contribuinte ou não contribuinte, documentos fiscais, relação entre cooperativa e cooperado, créditos tributários, exportação, operações de barter e as regras de transição entre o sistema atual e o novo modelo.

A orientação da Cocari é começar desde já a organização necessária para a nova etapa da Reforma Tributária. Reunir documentos, registrar receitas e despesas, separar as contas pessoais das contas da propriedade e buscar orientação profissional são medidas que podem ajudar o produtor a chegar a 2027 mais preparado.

“Informação e organização também fazem parte da produtividade da propriedade rural”, conclui a cooperativa.

A Cocari informou ainda que continuará acompanhando as mudanças e levando aos cooperados informações atualizadas sobre o processo.

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