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O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025. Os dados são de um levantamento inédito da Serasa Experian, que reúne pedidos realizados por produtores rurais que atuam como pessoa física (PF) ou jurídica (PJ), além de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio.
Segundo o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o resultado reflete a continuidade de fatores que vêm pressionando a saúde financeira de parte dos produtores e das empresas do setor.
“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo. Dessa forma, os pedidos voltaram a crescer no início de 2026, mas ainda não retomaram os níveis mais elevados observados em meados do ano passado”, afirma.
Para Pimenta, a evolução do cenário ao longo do ano dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. “Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade, enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, completa.
Considerando produtores rurais PF, produtores rurais PJ e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, Mato Grosso liderou o número de pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, com 135 registros.
Na sequência aparecem Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul. O levantamento apresenta ainda o ranking dos dez estados com maior volume de solicitações no período.
Entre os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, foram contabilizados 196 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março de 2026. O número representa alta de 73,5% em relação às 113 solicitações registradas no primeiro trimestre de 2025 — o maior crescimento anual entre os três perfis analisados.
Por atividade, o cultivo de soja concentrou 137 pedidos, enquanto a criação de bovinos respondeu por 42 solicitações. Na divisão por estados, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram o ranking.
Os dados também mostram a evolução trimestral dos pedidos de recuperação judicial entre os produtores rurais PJ.
Os produtores rurais que atuam como pessoa física registraram 182 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 6,7% ante as 195 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025.
Por porte, os produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 60 pedidos. Segundo a Serasa Experian, a categoria pode abranger, por exemplo, arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.
Na sequência aparecem os pequenos proprietários, com 44 solicitações; os grandes, com 41; e os médios, com 37.
Na distribuição por Unidade Federativa, Mato Grosso registrou o maior número de pedidos, seguido por Paraná e Goiás. O levantamento também apresenta a movimentação trimestral das solicitações realizadas por produtores PF.
As empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio registraram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 18,5% em relação às 81 solicitações realizadas no mesmo período de 2025.
As agroindústrias de transformação primária responderam pelo maior volume, com 23 pedidos. Em seguida aparecem as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15.
Na divisão por estados, Paraná, São Paulo e Mato Grosso ocuparam as primeiras posições em número de solicitações.
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