Receita de máquinas agrícolas cai 22,4% até agosto, indica a Abimaq

Vendas internas recuam 25,7%; exportações avançam 12,7% no acumulado de 2026

30.09.2026 | 14:10 (UTC -3)
Revista Cultivar

A indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas acumulou queda de 22,4% na receita líquida total entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O faturamento alcançou R$ 36,30 bilhões. A retração ganhou força no mercado doméstico. A receita interna caiu 25,7% no período e somou R$ 30,37 bilhões.

Em agosto, a receita líquida total do segmento agrícola atingiu R$ 4,79 bilhões. O resultado ficou 1,7% abaixo de julho e 22,8% abaixo de agosto de 2025. As vendas destinadas ao mercado brasileiro geraram R$ 4,10 bilhões no mês. Houve recuo de 1,1% na comparação mensal e de 24,9% na comparação anual.

Os números integram o levantamento conjuntural da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A entidade aponta o setor agrícola entre os segmentos com pior desempenho na aquisição de máquinas produzidas no país em 2026. O ambiente de juros elevados encareceu o crédito e o serviço da dívida. Esse cenário reduziu os investimentos produtivos e pressionou a demanda doméstica por bens de capital.

Retração agrícola

A retração agrícola supera o resultado da indústria de máquinas e equipamentos como um todo. No conjunto do setor, a receita líquida total caiu 13,2% entre janeiro e agosto. A receita interna apresentou redução de 15,5%. O consumo aparente de máquinas e equipamentos recuou 11,6% no mesmo intervalo. A Abimaq identifica impactos mais intensos da redução dos investimentos nas atividades agrícolas e na indústria de transformação.

As exportações ajudaram a compensar parte da queda no segmento agrícola. As vendas externas de máquinas e implementos agrícolas somaram US$ 1,15 bilhão entre janeiro e agosto. O valor representa crescimento de 12,7% sobre igual período de 2025. Em agosto, os embarques alcançaram US$ 133,44 milhões. Houve queda de 5,5% diante de julho e de 1,1% na comparação com agosto do ano passado.

Importações agrícolas

As importações agrícolas seguiram direção diferente no acumulado. As compras externas totalizaram US$ 810,89 milhões nos oito primeiros meses de 2026, com retração de 4%. Em agosto, chegaram a US$ 90,25 milhões. O montante caiu 4,6% frente a julho, mas superou agosto de 2025 em 4,9%.

No conjunto da indústria de máquinas e equipamentos, o avanço das importações ampliou a participação de produtos estrangeiros no consumo nacional. Os equipamentos importados responderam por 47,6% do consumo aparente entre janeiro e agosto, ante 45,3% no mesmo período de 2025. A China respondeu por 36% das importações brasileiras do setor e movimentou US$ 8 bilhões no período. As compras de origem chinesa cresceram 18,8%. Entre os produtos chineses com destaque aparecem equipamentos destinados à agricultura, logística, construção civil e indústria de transformação.

Os dados de tratores também mostram perda de ritmo no mercado brasileiro. As vendas de fábrica acumularam retração de 22% até agosto. As vendas ao usuário final caíram 15%. As exportações avançaram 30% no período. Em agosto, 3.324 tratores chegaram ao usuário final, contra 2.790 unidades em julho. O volume representa crescimento mensal de 19,1%, mas queda de 25,5% diante de agosto de 2025.

As fábricas comercializaram 3.440 tratores em agosto. O volume recuou 2,6% frente a julho e 34,1% na comparação anual. As exportações alcançaram 488 unidades no mês. Houve redução de 26,1% em relação a julho e crescimento de 6,6% frente a agosto de 2025.

O mercado de colheitadeiras apresenta retração mais intensa. As vendas de fábrica acumulam queda de 60,5% entre janeiro e agosto. As entregas ao usuário final recuam 39,6%. No mesmo período, as exportações crescem 14,9%. Em agosto, as vendas ao usuário final somaram 112 máquinas, diante de 197 unidades no mesmo mês de 2025. As fábricas registraram 141 unidades no mês, contra 214 em agosto do ano passado.

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