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Pesquisadores liderados pela Universidade de Stanford identificaram dois sistemas proteicos com funções opostas na estabilidade de células vegetais sob déficit hídrico. O complexo de celulose sintase, conhecido como CSC, aumenta pontos de ancoragem entre parede celular e membrana plasmática. As remorinas, ou REMs, limitam esse processo. O estudo indica uma nova via celular associada à resiliência ao estresse por perda de água.
A pesquisa analisou estruturas descritas há mais de um século pelo botânico Karl Hecht. Em condições de perda de água, a membrana plasmática se retrai em relação à parede celular. Parte dela permanece presa por filamentos e pontos de ligação, chamados estruturas hechtianas. A equipe mostrou que essas ancoragens mantêm a membrana conectada à parede durante a desidratação celular. Células com mais pontos de ligação recuperaram-se melhor após o retorno da água.
O trabalho usou raízes de Arabidopsis thaliana como modelo experimental. A pesquisadora Yue Rui comparou plantas do tipo selvagem com linhagens geneticamente modificadas. O grupo aplicou imageamento de células vivas, mapeamento proteico, genética, microscopia confocal e tomografia eletrônica criogênica. O objetivo envolveu observar a interface entre parede celular e membrana plasmática durante choque hiperosmótico.
Os cientistas descrevem a superfície externa celular como a primeira linha de percepção e resposta a estímulos ambientais. Em plantas, essa interface inclui a membrana plasmática sob a parede celular. As duas estruturas permanecem associadas por pontos de ancoragem. Esses pontos ficam evidentes durante choque hiperosmótico, quando a perda severa de água provoca retração da membrana.
O complexo de celulose sintase teve papel central. Segundo o artigo, a densidade de CSC na membrana plasmática se correlacionou com resistência ao estresse hiperosmótico. Maior densidade de CSC favoreceu a manutenção das ligações parede-membrana. A deficiência em celulose produziu efeito oposto, com maior plasmólise e menor recuperação do crescimento radicular.
Nos ensaios com sorbitol a 0,28 molar, raízes do tipo selvagem apresentaram redução de crescimento de 52 por cento a 57 por cento. Mutantes deficientes em celulose, como cesa3je5, cesa6prc1-1 e cob-1, tiveram redução igual ou superior a 75 por cento. A expressão de GFP-CELLULOSE SYNTHASE 3 no mutante cesa3je5 restaurou o crescimento radicular a níveis do tipo selvagem.
Os resultados também apontaram efeito distinto da ramnose, componente da cadeia de rhamnogalacturonan-I. Mutantes rhm1-1, rhm1-2 e rhm1-3, deficientes em ramnose, sofreram menor redução de crescimento sob estresse hiperosmótico em comparação ao tipo selvagem. Os pesquisadores observaram aumento de proteínas associadas à maquinaria de CSC no mutante rhm1-1. Entre elas apareceram CESA1, CESA5, CESA6, CSI1, CSI3, PATROL1 e CMU1.
As remorinas atuaram como reguladoras negativas das ancoragens. Sob tratamento com sorbitol, REM1.2 formou nanodomínios em cerca de cinco minutos. Esses nanodomínios surgiram em raízes de plântulas com cinco dias. Sua densidade aumentou conforme a concentração de sorbitol. O estudo indica que as REMs restringem a abundância de CSCs, com participação das proteínas SHOU4 e SHOU4L.
Os cientistas propõem um modelo no qual CSCs funcionam como pontos de costura entre a membrana e a parede. Ao produzir celulose, o complexo também prende a membrana à parede celular. As REMs funcionam como freio desse sistema, pois limitam a quantidade de CSC nos locais de ancoragem. Quando REM falta, o número de CSCs aumenta na membrana. A ancoragem fica mais firme durante o estresse.
A importância agronômica decorre da relação entre perda celular de água e estresses comuns em campo. A fonte cita seca, salinidade, calor e congelamento como condições associadas à perda de água celular. A identificação dessas proteínas abre possibilidades para estudar engenharia de culturas mais tolerantes ao estresse. A próxima etapa citada por Yue Rui envolve observar o mesmo mecanismo em espécies com maior tolerância à seca e verificar se elas apresentam pontos de ancoragem mais estáveis ou mais densos.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.cell.2026.05.009
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