Projeto voltado à soja sustentável avança na Amazônia

Iniciativa reúne produtores e pesquisadores para ampliar práticas sustentáveis na sojicultura amazônica

11.05.2026 | 14:32 (UTC -3)
Rafael Stuchi, edição Revista Cultivar

A busca por uma produção de soja mais sustentável na Amazônia ganhou destaque em Santarém (PA) durante o evento Sustensoja – Caminhos para a Soja Sustentável, que reuniu produtores, pesquisadores e representantes da cadeia produtiva para discutir soluções voltadas à produtividade, regeneração ambiental e acesso a mercados mais exigentes. O encontro foi promovido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora), em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), a AgriTierra , com apoio da Alauda Consulting e da Jacobs Futura Foundation (JFF).

Durante o evento, foram apresentados avanços do Projeto Soja Sustentável na Amazônia, iniciativa desenvolvida no Pará, Acre e Rondônia com foco na transição de sistemas convencionais para modelos regenerativos de produção. Entre os temas debatidos estiveram estratégias para ampliar a eficiência produtiva, fortalecer a conformidade socioambiental e acelerar a adoção de práticas sustentáveis nas propriedades rurais.

Também foram destacadas tecnologias como o biochar, utilizado para sequestro de carbono de longo prazo, e a remineralização de solos, técnica que contribui para reduzir a dependência de insumos químicos e aumentar a resiliência hídrica das lavouras.

Segundo o pesquisador da Fundepag, Lucas Lima, o projeto avaliou propriedades rurais a partir de cinco dimensões: ambiental, econômica, agronômica, biodiversidade e governança. O diagnóstico envolveu 69 produtores dos três estados, abrangendo mais de 61 mil hectares cultivados. A análise identificou cerca de 32 mil hectares com potencial para adoção de práticas regenerativas e sustentáveis.

“O protocolo de agricultura regenerativa permite entender como estão os sistemas produtivos na região e apontar caminhos para uma agricultura menos impactante ao meio ambiente e economicamente viável para os produtores”, afirmou Lima. De acordo com ele, os participantes responderam a um questionário digital e receberam um diagnóstico completo das propriedades, acompanhado de recomendações de melhoria nas áreas agronômica, ambiental, social e de governança.

O encontro também reforçou o posicionamento estratégico do Brasil diante das novas exigências globais, como o Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e a expansão do mercado de soja Non-GMO. A proposta do projeto é alinhar produção sustentável, certificação e rastreabilidade para ampliar o acesso a mercados internacionais de maior valor agregado.

Para o Imaflora, a região possui potencial para elevar a produtividade ao mesmo tempo em que fortalece práticas sustentáveis. “O Sustensoja foi um espaço de diálogo para conectar quem produz, quem compra e quem atua na governança da cadeia, buscando caminhos viáveis para essa transição”, destacou Caroline Anelli.

O líder de novos negócios da Fundepag, Denys Biaggi, ressaltou que a construção de uma agricultura regenerativa na Amazônia depende da integração entre ciência, setor produtivo e mercado. Segundo ele, o evento demonstrou que é possível unir produtividade, sustentabilidade e geração de valor para os produtores, fortalecendo a competitividade da soja brasileira e contribuindo para a preservação ambiental e o desenvolvimento regional.

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