Predadores variam no controle da traça-das-crucíferas

Estudo em laboratório aponta efeito do estágio do predador e da presa sobre o consumo de Plutella xylostella

11.05.2026 | 16:05 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Syngenta
Foto: Syngenta

Três predadores de insetos apresentaram potencial dependente do estágio de desenvolvimento para o controle biológico da traça-das-crucíferas, Plutella xylostella. Estudo avaliou Eocanthecona furcellata, Hierodula patellifera e Paratenodera sinensis em condições de laboratório. Os resultados indicaram maior consumo de presas em densidades mais altas. Também mostraram desempenho superior em fases imaturas avançadas e em adultos, em comparação com estágios iniciais dos predadores.

A pesquisa analisou a resposta funcional dos predadores em diferentes combinações de estágio do inimigo natural, estágio da presa e densidade de oferta. Os autores testaram larvas, pupas com casulo, pupas sem casulo e adultos de Plutella xylostella. O trabalho buscou medir o consumo corrigido de presas e classificar os padrões de resposta funcional por regressão logística e modelos não lineares.

Os ensaios com Eocanthecona furcellata envolveram ninfas de segundo a quinto ínstar e adultos. O primeiro ínstar não entrou nos testes, pois observações anteriores indicam alimentação limitada ou inconsistente nessa fase. Os predadores receberam pupas de Tenebrio molitor antes do período de jejum. Depois, foram expostos a diferentes densidades de larvas ou pupas de Plutella xylostella por 24 horas.

Nos testes com Eocanthecona furcellata, o consumo corrigido aumentou conforme a densidade de presas. Em adultos alimentados com presas de segundo ínstar, a média subiu de 8,86 presas na densidade 10 para 75,81 presas na densidade 100. O estudo relata efeitos significativos da densidade em todas as combinações entre estágio do predador e estágio da presa.

Os resultados indicaram resposta mais clara em predadores mais desenvolvidos. Em Eocanthecona furcellata, ínstares tardios e adultos apresentaram maior consumo e maior diferenciação entre densidades. Os autores associaram esse padrão ao aumento da capacidade predatória durante o desenvolvimento.

Mantídeos

Os mantídeos Hierodula patellifera e Paratenodera sinensis também apresentaram aumento do consumo com maior densidade de presas. Os testes envolveram ínstares iniciais, ínstares avançados e adultos. As presas consistiram em larvas de terceiro e quarto ínstares e adultos de Plutella xylostella. O período de jejum usado para mantídeos alcançou 48 horas, contra 24 horas para Eocanthecona furcellata. Os cientistas tratam essa diferença como limitação para comparações diretas entre espécies.

Na classificação da resposta funcional, os padrões do tipo II predominaram. Entre 37 combinações de estágios de predador e presa, 29 apresentaram resposta semelhante ao tipo II, seis apresentaram resposta semelhante ao tipo III e duas ficaram ambíguas. Em Eocanthecona furcellata, 22 das 25 combinações mostraram curva do tipo II. Em Paratenodera sinensis, houve maior variação, com três respostas semelhantes ao tipo III.

Manuseio das presas

A interpretação dos parâmetros exigiu cautela. O tempo de manuseio das presas teve identificação fraca em muitos modelos. Apenas uma das 37 combinações gerou estimativa considerada estável para esse parâmetro. Por isso, os autores alertam contra comparações baseadas apenas em capacidade máxima de predação.

A comparação direta entre espécies recebeu análise restrita. Os pesquisadores limitaram essa etapa ao quarto ínstar da presa, ao segundo e terceiro ínstares dos predadores e às densidades 10, 20 e 30. Nesse subconjunto, Eocanthecona furcellata consumiu menos presas do que os dois mantídeos no segundo ínstar. No terceiro ínstar, esse padrão deixou de ocorrer de forma consistente. Em algumas densidades, Eocanthecona furcellata superou Hierodula patellifera e Paratenodera sinensis.

Diferenças e estágios

Os cientistas concluem que as diferenças entre predadores dependem do estágio comparado. A avaliação agregada por espécie pode distorcer o potencial de controle. O estágio de desenvolvimento do inimigo natural e da presa deve orientar a seleção de predadores e o momento de liberação em estratégias de controle biológico.

Do ponto de vista aplicado, os mantídeos apresentaram maior consumo per capita de larvas em algumas condições de laboratório. Isso sugere potencial para supressão rápida de populações larvais em alta densidade. Eocanthecona furcellata, por outro lado, atacou diferentes fases da praga, inclusive pupas com e sem casulo. Esse comportamento pode oferecer valor complementar em programas de manejo.

Mais informações em DOI 10.3390/insects17050490

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