Praga quarentenária é detectada pela primeira vez em São Paulo

Mapa confirma foco de Amaranthus palmeri e interdita propriedade na região de São José do Rio Preto

09.02.2026 | 10:43 (UTC -3)
Ministério da Agricultura, edição Revista Cultivar

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a primeira detecção da planta invasora Amaranthus palmeri, conhecida como caruru-palmeri ou caruru-gigante, no estado de São Paulo. O foco foi identificado na região de São José do Rio Preto e marca a ampliação da área de ocorrência da praga quarentenária presente no Brasil, até então restrita aos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

De acordo com o Mapa, a propriedade onde houve a detecção foi imediatamente interditada. Com isso, está proibida a saída de material vegetal da espécie, restos culturais, resíduos de limpeza de vegetais e produtos vegetais, além de solo proveniente da área afetada.

A colheita da soja cultivada no talhão onde a praga foi encontrada somente será autorizada após a eliminação total das plantas de Amaranthus spp., conforme procedimentos que serão definidos pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária do estado de São Paulo. Paralelamente, foram iniciados levantamentos de delimitação para identificar a extensão e a abrangência do foco.

Histórico da praga no Brasil

O caruru-palmeri foi identificado pela primeira vez no Brasil em 2015, no estado de Mato Grosso, onde atualmente está oficialmente presente em oito municípios. Anos depois, um novo foco foi confirmado em Mato Grosso do Sul, hoje restrito a dois municípios. A ocorrência em São Paulo amplia a área de atenção das autoridades fitossanitárias e do setor produtivo.

Considerada uma das plantas invasoras mais difíceis de controlar no mundo, a espécie apresenta características biológicas que favorecem sua rápida disseminação e competição com culturas agrícolas. Além disso, o caruru-palmeri possui histórico de resistência a herbicidas de diferentes mecanismos de ação, o que torna o manejo ainda mais desafiador.

A presença da planta invasora em áreas produtivas representa risco significativo de redução da produtividade das lavouras, especialmente em culturas como soja, milho e algodão.

Risco de dispersão e medidas de controle

Segundo o Mapa, a dispersão do Amaranthus palmeri ocorre principalmente por meio de máquinas e implementos agrícolas contaminados, além da mistura de sementes. Por isso, a adoção de medidas rigorosas de higiene e controle no trânsito de máquinas é considerada fundamental para evitar novos focos.

Em maio de 2024, o Mapa instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri, por meio da Portaria SDA/Mapa nº 1.119. A norma estabelece diretrizes para prevenção, detecção precoce, delimitação e controle da praga em todo o território nacional.

De acordo com o ministério, a atuação visa proteger a sanidade vegetal, preservar a produção agropecuária brasileira e assegurar o cumprimento da legislação fitossanitária vigente.

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