Chuvas favorecem a semeadura da soja no Centro-Oeste
Previsão do Inmet indica volumes irregulares até 21 de outubro e alerta para limitações de umidade em áreas produtoras
O excesso de chuvas registrado em outubro reduziu o ritmo de plantio da soja no Paraná. Apesar das dificuldades para avançar com as operações no campo, a semeadura da safra 2026/27 permanece alinhada à observada no mesmo período da temporada anterior, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (15/10).
Até o momento, o plantio da soja alcançou 39% da área prevista, estimada em 5,7 milhões de hectares. De acordo com Edmar Wardensk Gervasio, analista de mercado do Deral, o percentual é igual ao registrado no mesmo período da safra passada.
“O plantio começou em ritmo superior à média histórica. A preocupação dos produtores com os possíveis efeitos do El Niño contribuiu para acelerar os trabalhos, uma estratégia que se mostrou acertada diante do volume de chuvas registrado neste mês”, avalia Gervasio.
Em alguns municípios, o acumulado de precipitações em outubro já ultrapassou a média histórica para o mês inteiro. O excesso de umidade tem dificultado a entrada de máquinas nas lavouras e limitado o avanço da semeadura.
No caso do milho, o cenário é semelhante. O plantio da primeira safra atingiu 90% da área estimada em 371 mil hectares, embora a cultura ocupe uma extensão significativamente menor que a da soja.
As condições climáticas também têm prejudicado a colheita do trigo no Paraná. A atualização semanal do relatório de condições de tempo e cultivo do Deral apontou nova piora na avaliação das lavouras ainda pendentes de colheita.
Dos 182 mil hectares restantes, 12% estão classificados como ruins, 42% como médios e 46% como bons. Na avaliação de 21 de setembro, quando ainda havia 392 mil hectares a colher, os índices eram de 7% de lavouras ruins, 29% médias e 64% boas. Na ocasião, a estimativa indicava redução de 10% na produtividade.
Nas últimas semanas, a colheita avançou sobre 210 mil hectares sob condições de chuva frequente. A umidade comprometeu a qualidade dos grãos, inclusive em lavouras que apresentavam potencial produtivo médio ou alto.
Segundo Carlos Hugo Winckler Godinho, coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral, a previsão meteorológica indica a continuidade das chuvas no estado. Eventuais períodos de tempo firme podem favorecer o avanço da colheita, mas dificilmente proporcionarão condições ideais de trabalho.
“Essa degradação reflete os crescentes desafios do cultivo de cereais de inverno no Paraná, levando os produtores a buscarem alternativas que permitam antecipar a colheita antes da chegada da primavera. Em anos de El Niño forte — a exemplo do ciclo atual —, a vulnerabilidade do setor se torna ainda mais crítica”, destaca Godinho.
A próxima reestimativa da safra, prevista para 29 de outubro, deverá indicar uma redução ainda maior na produção de inverno do Paraná, com possíveis reflexos sobre a oferta de trigo e de outros grãos em fase de colheita.
A menor disponibilidade interna de trigo impulsionou os preços em setembro, quando as cotações subiram 5%. Na primeira quinzena de outubro, os valores permaneceram estáveis.
Embora o cenário cambial e a queda das cotações internacionais exerçam pressão de baixa sobre o mercado, a oferta restrita de trigo de alta qualidade continua sustentando os preços no curto prazo.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura