PR Safra 2026/27: chuvas dificultam o plantio da soja

Excesso de umidade limita operações no campo, atrasa a semeadura da soja e compromete a classificação comercial de culturas

13.10.2026 | 17:28 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Deral

As chuvas frequentes e a elevada umidade do solo têm dificultado o andamento das atividades agrícolas no Paraná. No período de 6 a 12 de outubro, as condições climáticas prejudicaram o avanço da semeadura da soja, reduziram o ritmo das operações de colheita das culturas de inverno e comprometeram a qualidade dos grãos em lavouras ainda em campo. As informações são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura (Seab).

Na cultura da soja, a semeadura avançou de forma irregular. Enquanto algumas regiões conseguiram retomar o plantio durante breves períodos de tempo firme, outras registraram paralisação ou avanço reduzido. A situação gera preocupação com o calendário agrícola e a manutenção da janela recomendada de semeadura.

As áreas já implantadas apresentam, em geral, desenvolvimento inicial satisfatório. No entanto, o encharcamento do solo pode provocar falhas de germinação, enquanto a baixa luminosidade retarda o crescimento das plantas. Ventos fortes e episódios de granizo também causaram redução do estande e desfolhamento em pontos isolados, embora não haja indicação generalizada de necessidade de replantio. O relatório ainda aponta elevada emergência de plantas daninhas, especialmente picão-preto, além de condições favoráveis à ocorrência de pragas e doenças.

O plantio do milho de verão está próximo da conclusão em diversas regiões. Apesar disso, foram relatadas incidência elevada de tripes e presença de lagartas em algumas lavouras, além de danos por vendavais e granizo. A colheita do milho de inverno, por sua vez, está praticamente encerrada.

Culturas de inverno 

A sequência de chuvas tem afetado especialmente a fase final da colheita dos cereais de inverno. No trigo, os trabalhos estão próximos da conclusão em boa parte das regiões, mas a umidade elevada tem reduzido a qualidade dos grãos, com registros de peso hectolítrico (PH) abaixo do esperado, prejuízos à classificação comercial e perdas de produtividade.

Nas áreas ainda não colhidas, a dificuldade de acesso às lavouras aumenta o risco de perdas adicionais. O granizo também provocou debulhamento em áreas prontas para a colheita, enquanto a umidade persistente favorece a ocorrência de doenças.

O cenário é semelhante para a cevada. As operações avançam apenas nos períodos de tempo firme, e os grãos colhidos têm apresentado qualidade e produtividade abaixo do esperado. As condições dificultam o atendimento aos padrões exigidos para a cevada cervejeira. No triticale, o excesso de umidade aumenta a preocupação com doenças e restringe as operações agrícolas. Já a colheita da aveia-branca e da aveia-preta está na fase final, mas a escassez de períodos secos dificulta a conclusão dos trabalhos e compromete a qualidade dos grãos.

Outros cultivos

Os impactos das chuvas se estendem a outras cadeias produtivas. Na cana-de-açúcar, a colheita permanece interrompida ou em ritmo reduzido em diversas localidades, devido à dificuldade de entrada de máquinas nas áreas. O setor canavieiro já relata problemas no abastecimento de matéria-prima.

O plantio do arroz pré-germinado também enfrenta restrições, com operações interrompidas em parte do estado. No feijão da primeira safra, as lavouras apresentam, em geral, bom desenvolvimento, mas o plantio segue lentamente em algumas localidades, limitado pela umidade excessiva do solo e pelas poucas janelas de tempo firme.

Na produção de hortaliças, a colheita de repolho, couve-flor e outras folhosas ocorre conforme as condições permitem, enquanto as operações que exigem movimentação do solo permanecem suspensas. Chuvas intensas e rajadas de vento também danificaram a cobertura de estufas em algumas localidades.

O plantio e a colheita da mandioca foram interrompidos ou desacelerados em diversas áreas. Além das dificuldades de acesso, o acúmulo de água nos terraços agrícolas eleva o risco de erosão, especialmente em solos derivados de arenito e em terrenos declivosos.

Na batata, o encharcamento e as chuvas contínuas dificultam os tratos fitossanitários e a conclusão do plantio da primeira safra. A principal preocupação é a requeima, doença causada pelo oomiceto Phytophthora infestans, favorecida pela elevada umidade e capaz de provocar perdas expressivas. Os produtores de tabaco também enfrentam dificuldades para realizar os manejos das lavouras.

Em contrapartida, as pastagens apresentam boa produção de massa verde e desenvolvimento satisfatório, contribuindo para a disponibilidade de alimento e o manejo dos rebanhos.

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