Plantas invasoras alteram ação de parasitoide contra pulgão

Estudo identifica efeitos distintos de três espécies exóticas sobre Aphis fabae e seu inimigo natural Aphidius colemani

21.10.2026 | 10:21 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: David Cappaert / Bugwood
Foto: David Cappaert / Bugwood

Plantas exóticas invasoras podem favorecer pulgões e melhorar o desempenho de seus inimigos naturais. Pesquisa conduzida na França mostrou maior sucesso do parasitoide Aphidius colemani sobre Aphis fabae em Reynoutria japonica. A proporção de parasitoides emergidos em relação aos pulgões disponíveis alcançou 48%, ante 18% na beterraba, utilizada como referência.

O estudo avaliou três invasoras: Reynoutria japonica, Senecio inaequidens e Galinsoga quadriradiata. A equipe mediu reprodução dos pulgões, parasitismo e desenvolvimento dos insetos.

Em Reynoutria japonica, 94% dos pulgões alcançaram a fase adulta após nove dias. Na beterraba, o índice chegou a 97%. A invasora também favoreceu a emergência do parasitoide. A participação de fêmeas entre os parasitoides emergidos foi 97% maior que na beterraba. O tempo de desenvolvimento caiu de 18 para 17,1 dias nas fêmeas e de 19,6 para 16,5 dias nos machos.

Senecio inaequidens reduziu em 49,3% a reprodução do pulgão em comparação com a beterraba. Após nove dias, apenas 20% dos descendentes alcançaram a fase adulta. Mesmo com hospedeiros mais leves, Aphidius colemani manteve desempenho semelhante ao registrado na cultura de referência em indicadores de sucesso do parasitismo.

Em Galinsoga quadriradiata, a reprodução dos pulgões caiu 70,4%. A sobrevivência dos descendentes foi insuficiente para sustentar a população no período analisado. Apenas quatro parasitoides emergiram, número insuficiente para outras análises.

Os resultados indicam papéis contrastantes das invasoras. Reynoutria japonica pode funcionar como reservatório tanto da praga quanto do inimigo natural. Já Senecio inaequidens mostrou potencial de sustentar parasitoides com menor multiplicação de pulgões. Os ensaios ocorreram em condições controladas e não comprovaram redução de infestações em lavouras (doi 10.1002/ps.71406).

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