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A aplicação de fósforo entre os estádios V6 e R1 manteve a produtividade de grãos do milho e reduziu em 15% a absorção total do nutriente. O resultado indica potencial para diminuir doses de fertilizante por meio de uma adubação direcionada à fase de maior resposta da cultura. A estratégia também pode elevar a eficiência de utilização do fósforo e reduzir riscos de perdas para os corpos d’água (DOI 10.1002/ael2.70083). A aplicação da ideia requer análise da realidade de cada propriedade rural.
Pesquisadores do Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e da Universidade Purdue avaliaram dados de um experimento conduzido em ambiente controlado. O trabalho utilizou milho do híbrido Dekalb DKC56-65RIB em sistema de areia e hidroponia. A estrutura permitiu controle preciso da concentração de fósforo na solução nutritiva.
O experimento dividiu o ciclo em três fases: plantio até V6, V6 até R1 e R1 até R6. Em cada período, as plantas receberam concentração deficiente ou suficiente de fósforo. A concentração deficiente correspondeu a quatro miligramas por litro. A concentração suficiente alcançou 12 miligramas por litro. Todos os demais nutrientes permaneceram em níveis adequados.
O tratamento com fósforo suficiente apenas entre V6 e R1 alcançou produtividade semelhante à registrada nas plantas com suprimento adequado durante todo o ciclo. Mesmo assim, esse tratamento absorveu menos fósforo. A absorção total chegou a 493 miligramas por planta. Estudos anteriores apontavam demanda próxima de 580 miligramas por planta para atingir a máxima produtividade.
A eficiência interna de utilização do fósforo também atingiu o maior valor no tratamento concentrado entre V6 e R1. O indicador relaciona a produção de grãos com a quantidade total de fósforo absorvida. Nesse tratamento, cada miligrama de fósforo absorvido gerou 0,46 grama de grãos, considerando as raízes no cálculo. Sem as raízes, o índice alcançou 0,53 grama de grãos por miligrama de fósforo.
O resultado reforça a importância do fornecimento do nutriente durante o desenvolvimento vegetativo e o início da fase reprodutiva. A disponibilidade adequada nesse intervalo favoreceu a concentração de fósforo na espiga no estádio R1. Essa condição apresentou relação com a produtividade final. As plantas compensaram a redução no número de grãos por meio do aumento da densidade dos grãos.
O fornecimento tardio apresentou desempenho inferior. Plantas com concentração suficiente apenas entre R1 e R6 produziram quase metade da produtividade e da eficiência observadas no tratamento entre V6 e R1. O suprimento adequado apenas do plantio até V6 também reduziu o rendimento. Os dados mostram perda de eficiência quando a cultura não encontra fósforo suficiente no período entre V6 e R1.
A proposta difere do manejo convencional baseado na elevação do teor de fósforo do solo até um nível crítico. Esse modelo exige aplicação suficiente para superar as reações de adsorção e precipitação. Cálcio, ferro e alumínio podem reter parte do nutriente. A matéria orgânica também imobiliza fósforo. Com isso, apenas uma fração do total aplicado permanece disponível para as raízes.
A aplicação injetada ou direcionada próxima à zona radicular no estádio V6 pode direcionar o nutriente à planta no momento de maior demanda. Os pesquisadores estimam uma aplicação próxima de 39 quilogramas de fósforo por hectare (o que equivale a cerca de 89 kg de P2O5 por hectare). A operação poderia ocorrer junto com a cobertura nitrogenada. Fertilizantes líquidos exigiriam compatibilidade química entre nitrogênio e fósforo ou uso de tanques separados.
A redução da dose também pode diminuir o risco ambiental. Menores teores de fósforo no solo limitam o potencial de transporte do nutriente por escoamento ou drenagem. A aplicação no V6 ainda evita períodos com maior ocorrência de chuvas e vazões, comuns no fim do inverno e na primavera nas condições avaliadas nos Estados Unidos.
Os pesquisadores estimam redução global anual de 710 mil toneladas de fósforo caso o fornecimento entre V6 e R1 mantenha o rendimento atual do milho em larga escala. O cálculo considera projeções de área cultivada, produtividade global e relações entre absorção do nutriente e produção de grãos.
A aplicação prática depende das características do solo. Solos com rápida adsorção podem converter o fertilizante solúvel em formas pouco disponíveis antes da absorção pela cultura. Essa dinâmica reduziria o ganho de eficiência. A equipe recomenda novos ensaios em diferentes classes de solo e sob condições de campo antes da adoção comercial do manejo.
No Brasil, os dados abrem caminhos para repensar a eficiência nutricional no milho, mas a aplicação prática exige cautela. O sucesso dessa ideia de manejo exige avaliar a dinâmica de fixação de fósforo do solo, a disponibilidade de maquinário específico e o impacto financeiro dessa operação extra no custo de produção.
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