Pedidos de recuperação judicial no agro caem 20,7% no 2º trimestre

Serasa Experian contabilizou 448 solicitações entre abril e junho de 2026, interrompendo sequência de altas anuais

19.10.2026 | 15:32 (UTC -3)
Bruna Leone Romancini, edição Revista Cultivar

O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, uma queda de 20,7% em relação às 565 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025. O resultado de retração interrompe a sequência de altas observada nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025, na série consolidada da Serasa Experian, iniciada em 2021. O levantamento reúne pedidos de produtores rurais pessoa física e jurídica, além de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, quando foram registrados 474 pedidos, também houve baixa, essa de 5,5%. Os dados sinalizam uma desaceleração dos pedidos de recuperação judicial no período analisado, após o avanço observado no trimestre anterior.

Para o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, a queda nos pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre deve ser interpretada com cautela e não representa, necessariamente, uma reversão completa dos desafios financeiros enfrentados pelo setor.

“A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados, pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores. Ainda assim, o ambiente segue desafiador, marcado por custos elevados, crédito mais seletivo e endividamento. Por isso, é importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres. A preservação do fluxo de caixa, o planejamento financeiro e a busca por alternativas de renegociação continuam sendo fundamentais, enquanto a recuperação judicial deve permanecer como último recurso”, afirma.

Mato Grosso lidera pedidos

Considerando os pedidos de recuperação judicial realizados por produtores rurais pessoa física e jurídica e por empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, o Mato Grosso liderou o ranking estadual no segundo trimestre de 2026, com 107 registros — o equivalente a 23,9% do total.

Na sequência, aparecem Goiás, com 84 pedidos (18,8%), São Paulo, com 72 (16,1%), Minas Gerais, com 54 (12,1%) e Paraná, com 42 (9,4%). O Top 10 também inclui Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

Pessoa física concentra solicitações

Entre os produtores rurais que atuam como pessoa física, foram contabilizados 197 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026. O volume representa uma queda de 10,5% em relação às 220 solicitações registradas no mesmo período de 2025. Ainda assim, esse foi o maior número de pedidos entre os três perfis analisados no período.

No recorte por Estados, Mato Grosso liderou a classificação, com 49 pedidos, seguido por Goiás, com 46, Minas Gerais, com 23, São Paulo, com 22, e Paraná, com 16. Na sequência, aparecem Mato Grosso do Sul e Pará, ambos com 10 solicitações. 

Já a análise por porte mostrou que os produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 70 pedidos de recuperação judicial. O grupo pode abranger, por exemplo, arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural. Em seguida, apareceram os grandes proprietários, com 51 solicitações; os pequenos proprietários, com 39; e os médios proprietários, com 37.

Pedidos de empresas rurais caem 34,2%

Os pedidos de recuperação judicial feitos por produtores rurais pessoa jurídica recuaram 34,2% no 2º trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o levantamento da Serasa Experian, foram 160 solicitações entre abril e junho deste ano, ante 243 no 2tri/25. 

Entre as atividades com maior número de ocorrências, o cultivo de soja respondeu por 70 pedidos, enquanto a criação de bovinos somou 28. Também aparecem entre os cinco principais subsetores o cultivo de cana-de-açúcar, com 15 registros, o cultivo de café, com 13, e o cultivo de cereais, com 12.

Geograficamente, Mato Grosso concentrou 54 solicitações desse perfil no período. Em seguida ficaram São Paulo (28), Goiás (22), Minas Gerais (21) e Paraná (15).

Cadeia do agro soma 91 pedidos

As empresas relacionadas à cadeia do agronegócio contabilizaram 91 pedidos de recuperação judicial no 2º trimestre de 2026. O resultado ficou 10,8% abaixo das 102 solicitações registradas no mesmo período de 2025. 

Entre os segmentos analisados, os serviços de apoio à agropecuária concentraram o maior número de pedidos, com 26 registros. A agroindústria da transformação primária veio na sequência, com 20, seguida pelo comércio atacadista de produtos agropecuários primários, com 18. Os revendedores de insumos agropecuários, exceto máquinas, contabilizaram outros 10 pedidos.

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