Como será o clima no Brasil em março?
A previsão é de chuva acima da média em grande parte da Região Nordeste
Plantas da família Brassicaceae florescem mais cedo após eventos de orvalho. Microgotas nas folhas disparam reações químicas que elevam óxido nítrico e reduzem ácido abscísico. O processo antecipa a transição reprodutiva. A evidência combina ensaios moleculares em Arabidopsis thaliana e análise de 12.692.736 registros globais de floração. Os dados constam em trabalho de cientistas da Academia Chinesa de Ciências.
Pesquisadores observaram que o aumento de temperatura não explica sozinho a antecipação da floração. Plantas cultivadas em estufas não adiantaram o florescimento apenas com ajuste térmico. O grupo propôs um elo com a umidade atmosférica. Ar mais quente retém mais vapor. A condição favorece formação de orvalho mais cedo no ano.
O trabalho testou o efeito do orvalho em folhas de Arabidopsis thaliana. Microgotas se formam sobre tricomas. Nessas interfaces, a água gera espécies reativas de oxigênio. As reações produzem radicais hidroxila e peróxido de hidrogênio. O peróxido reage com grupos amina e forma óxido nítrico (NO). O NO migra para as células e ativa cascata redox.
Após 24 horas de exposição ao orvalho, folhas apresentaram maior acúmulo de NO. A atividade da enzima óxido nítrico sintase não mudou. O resultado indica origem química extracelular do NO nas microgotas.
O NO promove S-nitrosilação da histona deacetilase HDA19 via GRXS17. A modificação aumenta a atividade deacetilase. O complexo reprime genes da biossíntese de ácido abscísico, como AAO3 e ABA2. Plantas tratadas com microgotas exibiram queda progressiva de ABA de cerca de 5-6 ng/g para menos de 2 ng/g entre 7 e 15 dias após o estágio de duas folhas. As plantas iniciaram alongamento do caule e floresceram cerca de uma semana após o tratamento. Plantas controle mantiveram fase vegetativa.
Mutantes com ponto de mutação em HDA19 que impede S-nitrosilação não reduziram ABA nem alteraram tempo de floração sob orvalho. O dado reforça o papel da modificação redox no controle do florescimento.
Na escala de campo, os autores compilaram 138.580 observações georreferenciadas de 478 espécies em 81 gêneros de Brassicaceae, entre 1990 e 2023. O conjunto soma 12.692.736 eventos de floração. Modelos mistos indicaram o ponto de orvalho como preditor positivo mais relevante da frequência de floração. A contribuição do ponto de orvalho alcançou 0,118, com P = 1,18 x 10⁻⁷. A interação entre ponto de orvalho e visibilidade também mostrou efeito positivo. Precipitação, pressão ao nível do mar e visibilidade isolada exibiram associações negativas.
Metade dos eventos de floração ocorreu até uma semana após período com condensação de orvalho em análises regionais na Holanda. A associação persistiu após controle de fotoperíodo por latitude, longitude e dia do ano.
Os autores propõem que microgotas foliares atuam como modulador adicional do florescimento, ao lado de fotoperíodo e temperatura. O mecanismo pode alcançar outras plantas com folhas antes da floração. A hipótese sugere implicações para manejo. Produtores poderiam testar névoa foliar para induzir florescimento mais cedo ou ampliar produção, segundo os autores.
Outras informações em doi.org/10.1073/pnas.2527021123
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