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Os preços da soja e do milho encerraram janeiro em queda tanto na Bolsa de Chicago (CBOT) quanto no mercado doméstico, segundo o Agro Mensal de fevereiro de 2026, divulgado pelo Itaú BBA. O movimento foi influenciado principalmente pelo avanço da safra sul-americana, câmbio mais apreciado e cenário de oferta confortável.
No caso da soja, janeiro marcou o segundo mês consecutivo de baixa em Chicago, com desvalorização de 2,2%, para USD 10,52 por bushel. O mercado reagiu ao bom desenvolvimento da safra brasileira e ao plantio finalizado em boas condições na Argentina.
No Brasil, o movimento também foi de recuo. Em Sorriso (MT), a queda mensal levou a cotação média para R$ 105 por saca, com negócios sendo registrados abaixo de R$ 100 no fim de janeiro em algumas praças do Mato Grosso.
Apesar do avanço da colheita — que atingiu 17% da área nacional, segundo a Conab, com destaque para Mato Grosso (47%), Paraná (14%) e Minas Gerais (13%) — o excesso de chuvas na região central do país tem dificultado os trabalhos no campo. O cenário também gerou entraves logísticos, especialmente no Mato Grosso, onde os fretes subiram mais de 10% na segunda quinzena do mês.
No mercado externo, os embarques brasileiros somaram 1,9 milhão de toneladas em janeiro, volume 75% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Para fevereiro, a expectativa é de exportação de 11,8 milhões de toneladas, quase o dobro das 6,4 milhões embarcadas em fevereiro de 2025.
O mercado segue atento à possibilidade de compras adicionais de soja americana pela China. Declarações do presidente Donald Trump alimentaram especulações sobre a aquisição de até 20 milhões de toneladas nesta temporada e 25 milhões na próxima, além de um eventual volume extra de 8 milhões de toneladas.
Caso as compras se confirmem, o balanço de oferta e demanda dos Estados Unidos poderia se tornar mais apertado, sustentando os preços em Chicago. Na última semana, os contratos futuros reagiram e acumularam alta de cerca de 50 centavos de dólar por bushel.
Para o Brasil, o principal impacto ocorreria via prêmios de exportação, que já recuaram diante da alta da CBOT. A avaliação do Itaú BBA é que, do ponto de vista comercial, não faria sentido a China deslocar compras do Brasil para os EUA neste momento, em plena colheita brasileira e com maior competitividade de preços.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima a estimativa da safra brasileira, agora projetada em 180 milhões de toneladas. Já o balanço americano para 2025/26 foi mantido, com exportações de 42,9 milhões de toneladas e estoque final de 9,5 milhões.
No complexo soja, janeiro foi marcado por movimentos distintos. O farelo recuou 2,5% em Chicago, para média de USD 294 por tonelada, enquanto o óleo avançou 4%, atingindo 51,6 centavos de dólar por libra-peso. Em fevereiro, o óleo acumula alta de 7%, sustentado por demanda firme e expectativas de mudanças no programa americano de biocombustíveis.
No Brasil, porém, tanto o farelo quanto o óleo registraram queda. Em Rondonópolis (MT), o farelo caiu 1,1% na parcial de fevereiro, para R$ 1.476 por tonelada. O óleo recuou 3% em janeiro e 2,3% em fevereiro, para R$ 5.900 por tonelada, pressionado pelo avanço da colheita e consumo mais lento.
O esmagamento de soja nos Estados Unidos atingiu recorde para dezembro, com 6,12 milhões de toneladas processadas, o segundo maior volume mensal da série histórica. No acumulado da safra 2025/26 (outubro a dezembro), o total chega a 18,2 milhões de toneladas, alta de 11% na comparação anual.
Apesar da expectativa de safra recorde, as margens de esmagamento seguem favoráveis nas principais origens, sustentadas pelo grão mais barato e pela valorização do óleo.
Após quatro meses consecutivos de alta, o milho registrou queda de 2% em janeiro em Chicago, para USD 4,32 por bushel. No início de fevereiro, as cotações recuaram mais 1%, para USD 4,28.
No Brasil, os preços também caíram. Em Sorriso (MT), o cereal recuou 1% em janeiro, para R$ 51 por saca, e acumulou baixa de 7,8% na primeira metade de fevereiro, para R$ 47,2. A retração reflete a produção elevada, estoques confortáveis e o início da colheita da soja, que estimula a comercialização.
O plantio do milho segunda safra alcançou 22% da área prevista, abaixo da média histórica de 25,5%, mas acima do ritmo do ano passado. Mato Grosso lidera os trabalhos, com 37% da área semeada. Cerca de 70% da área deve ser plantada em fevereiro, concentrando a fase crítica das lavouras entre abril e maio e elevando a dependência de chuvas nesse período.
O USDA reduziu levemente a estimativa de estoques globais de milho, de 291 para 289 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, as exportações foram revisadas para cima, para 83,8 milhões de toneladas, mas o estoque final ainda deve crescer 37% frente à temporada anterior, mantendo pressão sobre os preços no curto prazo.
Para a safra 2026/27 nos EUA, a relação de preços entre soja e milho, os custos com fertilizantes e a rotação de culturas devem influenciar as decisões de plantio, com expectativa de redução da área de milho e ampliação da soja. A primeira estimativa oficial será divulgada em 20 de fevereiro, durante o USDA Outlook Forum.
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