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A produção de tomate e pimentão enfrenta um novo risco fitossanitário. Pesquisadores identificaram cepas do Tomato spotted wilt virus (TSWV) capazes de superar genes de resistência nas duas culturas ao mesmo tempo. O achado altera a visão sobre estratégias de manejo e pode exigir revisão de práticas agronômicas em áreas produtoras.
O trabalho envolveu cientistas do Leibniz Institute DSMZ, do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália e da BASF - Nunhems. A equipe analisou isolados do vírus coletados em lavouras e confirmou, pela primeira vez, a presença de variantes com dupla quebra de resistência em tomate e pimentão.
O TSWV figura entre os vírus mais destrutivos para hortaliças. O patógeno infecta mais de mil espécies de plantas e provoca perdas expressivas em diversas regiões produtoras. Em surtos severos, lavouras inteiras registram queda acentuada de produtividade e prejuízos econômicos relevantes.
O controle do vírus costuma combinar duas medidas principais. Produtores utilizam cultivares resistentes e adotam manejo do vetor, tripes. No tomate, a resistência deriva do gene Sw-5. No pimentão, a proteção depende do gene Tsw. Cada cultura responde a proteínas virais distintas.
Esse mecanismo sustentou por anos uma estratégia considerada segura. Produtores alternaram o cultivo de tomate e pimentão resistentes na mesma região. A prática reduziria a pressão de seleção sobre o vírus.
O novo estudo aponta um cenário diferente. Os pesquisadores encontraram isolados do vírus capazes de superar os dois sistemas de defesa vegetal. Essas variantes receberam a denominação double resistance-breaking (D-RB).
Os isolados analisados vieram de lavouras italianas. Amostras coletadas em plantas de pimentão resistentes apresentaram sintomas típicos de infecção viral. Testes posteriores confirmaram que o mesmo vírus também infecta tomates portadores do gene Sw-5.
A análise genética revelou mutações específicas em proteínas do vírus. Alterações na proteína de movimento NSm permitem superar a resistência do tomate. Algumas cepas também carregam substituições de aminoácidos associadas ao rompimento da defesa em pimentão.
Entre os achados, os cientistas identificaram uma substituição chamada D122G na proteína NSm. Essa alteração apareceu em isolados italianos e já havia sido associada à quebra de resistência em outros países.
Os resultados sugerem impacto direto sobre o manejo agronômico. A alternância de cultivares resistentes ou o cultivo das duas hortaliças em proximidade pode favorecer a seleção dessas variantes virais mais agressivas.
Os pesquisadores recomendam monitoramento sistemático em áreas onde tomate e pimentão convivem no mesmo sistema produtivo. Programas de diagnóstico molecular podem identificar rapidamente cepas com potencial de dupla quebra de resistência.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.virol.2026.110820
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