Novo baculovírus controla Cydia pomonella em pomar

CypoNPV apresentou alta patogenicidade em laboratório e controle de até 77,78% em campo

06.09.2026 | 16:14 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
doi 10.1016/j.pestbp.2026.107339
doi 10.1016/j.pestbp.2026.107339

Pesquisadores identificaram um novo nucleopoliedrovírus com potencial para o controle biológico de Cydia pomonella, praga em pomares de maçã. O vírus, denominado Cydia pomonella nucleopolyhedrovirus (CypoNPV), surgiu em uma população do inseto mantida em laboratório. Ensaios indicaram alta patogenicidade contra larvas recém-eclodidas. Testes conduzidos em pomar durante duas safras registraram controle de 77,78% em 2024 e 65,48% em 2026.

O estudo partiu de uma população de laboratório com infecção viral não aparente (doi 10.1016/j.pestbp.2026.107339). Apenas 3,14% dos indivíduos apresentavam sinais visíveis da doença. Os pesquisadores isolaram o agente a partir dessas larvas. A inoculação posterior provocou sintomas típicos de baculovírus, como inchaço corporal, lesões rosadas ou marrons e liquefação após a morte.

Análises morfológicas

As análises morfológicas e moleculares sustentaram a classificação do isolado como um novo nucleopoliedrovírus de Cydia pomonella. Os corpos de oclusão apresentaram formato predominantemente esférico ou elipsoidal, com diâmetro entre 0,5 e 1,1 micrômetro. Cada corpo continha de um a seis vírions em forma de bastonete.

O genoma do CypoNPV possui 112.909 pares de bases e teor de guanina mais citosina de 34,30%. A análise identificou 124 regiões abertas de leitura com mais de 150 nucleotídeos. Desse total, 113 apresentaram homologia com genes já descritos em baculovírus. Outras 11 apareceram como exclusivas do novo vírus.

Análise filogenética

A análise filogenética utilizou 38 genes centrais de baculovírus. O CypoNPV ficou inserido no grupo II dos Alphabaculovirus. A maior proximidade genética ocorreu com o nucleopoliedrovírus de Cryptophlebia peltastica. Mesmo assim, as distâncias genéticas empregadas na delimitação taxonômica apoiaram a identificação do isolado como um vírus distinto.

Os cientistas também avaliaram os efeitos da infecção oculta sobre o desenvolvimento de Cydia pomonella. A redução de 43,40% na quantidade de cópias virais não melhorou os principais parâmetros populacionais. Populações infectadas sem tratamento e populações livres do vírus apresentaram dinâmica semelhante. Não surgiram diferenças significativas para duração larval, taxa de pupação, longevidade dos adultos, período total de pré-oviposição, taxa intrínseca de crescimento, taxa líquida de reprodução e taxa finita de crescimento.

Avaliações em bioensaios

Nos bioensaios, larvas de primeiro ínstar receberam diferentes concentrações de corpos de oclusão. A mortalidade começou a partir de dois dias após a inoculação. O efeito aumentou conforme a concentração. Na dose de 1,79 milhão de corpos de oclusão por mililitro, a sobrevivência chegou a zero aos sete dias. Nessa concentração, o tempo letal mediano alcançou 3,18 dias.

Os testes de campo ocorreram em um pomar de maçã na província de Liaoning, na China. O primeiro ensaio ocorreu em agosto de 2024. O segundo ocorreu em junho de 2026. Cada tratamento reuniu seis macieiras. Os pesquisadores aplicaram CypoNPV, lambda-cialotrina ou água. A avaliação da incidência de frutos danificados ocorreu sete dias após a pulverização.

O CypoNPV reduziu os danos em relação ao tratamento com água nas duas safras. Em 2024, a eficiência de controle atingiu 77,78%. A lambda-cialotrina alcançou 86,11%. Em 2026, o vírus apresentou 65,48% de controle, enquanto o inseticida alcançou 87,74%. Em cada safra, a incidência de frutos danificados após a aplicação do vírus não diferiu de forma significativa daquela registrada com lambda-cialotrina.

Estabilidade ambiental

A estabilidade ambiental também entrou na avaliação. O CypoNPV manteve infectividade após exposição ao calor. O pré-tratamento a 40 graus Celsius produziu impacto mínimo sobre a patogenicidade. A replicação viral permaneceu em cerca de 85,75% a 85,79% do controle não tratado aos sete dias. O aumento da temperatura reduziu a replicação. Mesmo após exposição a 100 graus Celsius, os pesquisadores ainda detectaram infectividade residual.

A radiação ultravioleta provocou efeito mais intenso. O vírus manteve atividade biológica detectável após a exposição, mas a intensidade crescente reduziu os sintomas, a replicação viral e a mortalidade. Na maior intensidade testada, de 384 microwatts por centímetro quadrado, a replicação aos sete dias correspondeu a 49,20% a 61,75% do tratamento sem radiação.

Duas frentes de interesse

Os resultados indicam duas frentes de interesse para o manejo biológico. O CypoNPV apresentou atividade contra Cydia pomonella em laboratório e reduziu danos em frutos sob condições de pomar. O trabalho também aponta populações de insetos mantidas em laboratório como possíveis reservatórios de vírus com interesse para o desenvolvimento de agentes de controle biológico. A menor tolerância à radiação ultravioleta aparece como um aspecto relevante para futuras estratégias de formulação e uso em campo.

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