Nanoemulsão de jambú reduz Tuta absoluta em tomateiro

Fração rica em N-alquilamidas de Acmella oleracea inibiu eclosão, afetou larvas e reduziu postura em testes de laboratório

27.04.2026 | 09:04 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Marja van der Straten, NVWA
Foto: Marja van der Straten, NVWA

Uma nanoemulsão com fração rica em N-alquilamidas extraída de Acmella oleracea, planta conhecida como jambú, apresentou ação ovicida, larvicida e deterrente de oviposição contra Tuta absoluta. Cientistas avaliaram o produto em ovos, larvas de segundo ínstar e adultos, em condições de laboratório, e apontou potencial para uso em programas de manejo integrado de pragas.

A formulação testada recebeu uma fração enriquecida em N-alquilamidas, chamada AEF. Os pesquisadores obtiveram essa fração por extração com CO2 supercrítico e destilação molecular de caminho curto em filme fino. Depois, encapsularam o material em nanoemulsões. A fração continha 46,22 g de N-alquilamidas por 100 g de extrato. O espilantol respondeu pela maior parte do conteúdo, com 42,40 g por 100 g.

Antes dos bioensaios com o inseto, os pesquisadores avaliaram fitotoxicidade em plantas de tomateiro. As nanoemulsões com 0,25% e 0,5% de ingrediente ativo foram comparadas com uma nanoemulsão sem AEF e com água destilada. A concentração de 0,5% causou o maior índice de fitotoxicidade, com valor de 0,658 após 14 dias. A concentração de 0,25% causou fitotoxicidade leve, com índice de 0,102. A água destilada não causou dano.

Testes em insetos

Com base nesse resultado, os testes contra Tuta absoluta usaram concentrações de 0,06%, 0,125% e 0,25% de ingrediente ativo. Nos ovos, todas as concentrações reduziram a eclosão. A água destilada registrou 100% de eclosão. A nanoemulsão sem AEF registrou 94%. As formulações com AEF registraram 78% na concentração de 0,06%, 76% em 0,125% e 68% em 0,25%. A diferença entre as três concentrações com AEF não foi significativa, mas todas diferiram dos controles.

Nos testes de toxicidade tópica em larvas, a sobrevivência após 72 horas permaneceu alta. A maior parte dos tratamentos registrou 100% de sobrevivência. A formulação com 0,25% teve 96,7%. Mesmo assim, essa concentração reduziu a emergência de adultos para 89,7%, enquanto os demais tratamentos chegaram a 100%.

O efeito mais forte ocorreu por ingestão. As larvas de segundo ínstar foram colocadas sobre folhas tratadas. Após 72 horas, a sobrevivência caiu para 56,7% na concentração de 0,06%, 33,3% em 0,125% e 26,7% em 0,25%. Nos dois controles, a sobrevivência chegou a 100%. A emergência de adultos também caiu após exposição por ingestão. As concentrações de 0,06%, 0,125% e 0,25% resultaram em 64,7%, 50% e 75% de emergência, respectivamente, contra 100% nos controles.

Testes de escolha

Os testes de escolha também indicaram redução na postura. As fêmeas colocaram mais ovos em folhas tratadas com água destilada do que em folhas tratadas com a nanoemulsão sem AEF ou com as nanoemulsões contendo AEF. As concentrações de 0,125% e 0,25% apresentaram efeito deterrente de oviposição quando comparadas com água destilada. O estudo também observou ausência de diferença significativa entre a nanoemulsão sem AEF e as formulações com AEF nesses ensaios, ponto atribuído pelos autores à possível ação do etil oleato presente na formulação.

As nanoemulsões apresentaram gotas nanométricas após a preparação, com Z-average entre 110 e 140 nm e índice de polidispersidade entre 0,140 e 0,210. Durante 240 dias de armazenamento a 4 ºC, as formulações com AEF tiveram aumento moderado no tamanho médio das gotas, chegando a valores entre 220 e 290 nm, com PDI em torno de 0,2. Os cientistas consideraram os sistemas fisicamente estáveis por pelo menos oito meses.

Outras informações em doi.org/10.3390/insects17050455

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