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Uma nanoemulsão com fração rica em N-alquilamidas extraída de Acmella oleracea, planta conhecida como jambú, apresentou ação ovicida, larvicida e deterrente de oviposição contra Tuta absoluta. Cientistas avaliaram o produto em ovos, larvas de segundo ínstar e adultos, em condições de laboratório, e apontou potencial para uso em programas de manejo integrado de pragas.
A formulação testada recebeu uma fração enriquecida em N-alquilamidas, chamada AEF. Os pesquisadores obtiveram essa fração por extração com CO2 supercrítico e destilação molecular de caminho curto em filme fino. Depois, encapsularam o material em nanoemulsões. A fração continha 46,22 g de N-alquilamidas por 100 g de extrato. O espilantol respondeu pela maior parte do conteúdo, com 42,40 g por 100 g.
Antes dos bioensaios com o inseto, os pesquisadores avaliaram fitotoxicidade em plantas de tomateiro. As nanoemulsões com 0,25% e 0,5% de ingrediente ativo foram comparadas com uma nanoemulsão sem AEF e com água destilada. A concentração de 0,5% causou o maior índice de fitotoxicidade, com valor de 0,658 após 14 dias. A concentração de 0,25% causou fitotoxicidade leve, com índice de 0,102. A água destilada não causou dano.
Com base nesse resultado, os testes contra Tuta absoluta usaram concentrações de 0,06%, 0,125% e 0,25% de ingrediente ativo. Nos ovos, todas as concentrações reduziram a eclosão. A água destilada registrou 100% de eclosão. A nanoemulsão sem AEF registrou 94%. As formulações com AEF registraram 78% na concentração de 0,06%, 76% em 0,125% e 68% em 0,25%. A diferença entre as três concentrações com AEF não foi significativa, mas todas diferiram dos controles.
Nos testes de toxicidade tópica em larvas, a sobrevivência após 72 horas permaneceu alta. A maior parte dos tratamentos registrou 100% de sobrevivência. A formulação com 0,25% teve 96,7%. Mesmo assim, essa concentração reduziu a emergência de adultos para 89,7%, enquanto os demais tratamentos chegaram a 100%.
O efeito mais forte ocorreu por ingestão. As larvas de segundo ínstar foram colocadas sobre folhas tratadas. Após 72 horas, a sobrevivência caiu para 56,7% na concentração de 0,06%, 33,3% em 0,125% e 26,7% em 0,25%. Nos dois controles, a sobrevivência chegou a 100%. A emergência de adultos também caiu após exposição por ingestão. As concentrações de 0,06%, 0,125% e 0,25% resultaram em 64,7%, 50% e 75% de emergência, respectivamente, contra 100% nos controles.
Os testes de escolha também indicaram redução na postura. As fêmeas colocaram mais ovos em folhas tratadas com água destilada do que em folhas tratadas com a nanoemulsão sem AEF ou com as nanoemulsões contendo AEF. As concentrações de 0,125% e 0,25% apresentaram efeito deterrente de oviposição quando comparadas com água destilada. O estudo também observou ausência de diferença significativa entre a nanoemulsão sem AEF e as formulações com AEF nesses ensaios, ponto atribuído pelos autores à possível ação do etil oleato presente na formulação.
As nanoemulsões apresentaram gotas nanométricas após a preparação, com Z-average entre 110 e 140 nm e índice de polidispersidade entre 0,140 e 0,210. Durante 240 dias de armazenamento a 4 ºC, as formulações com AEF tiveram aumento moderado no tamanho médio das gotas, chegando a valores entre 220 e 290 nm, com PDI em torno de 0,2. Os cientistas consideraram os sistemas fisicamente estáveis por pelo menos oito meses.
Outras informações em doi.org/10.3390/insects17050455
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