Moatrigo 2026 destaca desafios da cadeia do trigo

Cerca de 450 pessoas participaram do evento para debater aspectos como baixa produção e custos altos no campo

14.04.2026 | 16:17 (UTC -3)
Cristina Luchini, edição Revista Cultivar

A edição de 2026 do workshop Moatrigo reuniu cerca de 450 participantes em Curitiba, nesta segunda-feira (13/4), para discutir os principais desafios da cadeia do trigo no Brasil. Promovido pelo Sinditrigo Paraná, o encontro destacou um cenário de custos elevados, redução de área plantada e dependência crescente de importações.

Durante o evento, especialistas apontaram que o setor enfrenta um momento desafiador, influenciado por fatores internos e externos. No cenário internacional, apesar da oferta ainda elevada, há sinais de alta nos contratos futuros, impulsionados pela perspectiva de uma safra global menor, pela redução histórica da área plantada nos Estados Unidos e pela valorização do trigo argentino.

No Brasil, o quadro é considerado mais sensível. A temporada 2025/26 deve encerrar com importações próximas de 7,1 milhões de toneladas, enquanto a safra 2026/27 tem estimativa de produção de apenas 6,5 milhões de toneladas — volume abaixo do potencial produtivo do país. A necessidade de importação pode atingir 8,2 milhões de toneladas no próximo ciclo.

No Paraná, a perda de área para culturas como milho safrinha e cevada também preocupa. A projeção é que o estado precise importar cerca de 1,8 milhão de toneladas em 2026/27, reforçando a dependência externa.

A Argentina segue como principal fornecedora, mas a qualidade da última safra acendeu alerta. Com teor médio de proteína de 11,2% e glúten úmido de 20,9%, o trigo argentino exige a mistura com grãos de outras origens, geralmente mais caros, elevando os custos da indústria.

Os debatedores também destacaram uma perspectiva de aumento estrutural de custos nos próximos dois anos, influenciada por riscos climáticos, baixa atratividade ao produtor e limitações de investimento. Como importador estrutural, o Brasil segue sem capacidade de formar preços, ficando sujeito às oscilações do mercado internacional.

Espaço de articulação e troca técnica

Para a presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, o evento se consolida como um espaço estratégico para o setor. “O Moatrigo reúne um público técnico qualificado e promove discussões fundamentais para enfrentar um cenário cada vez mais complexo”, afirmou.

Além dos debates, o encontro reforçou o papel do networking na cadeia tritícola, reunindo profissionais de diferentes regiões para troca de informações e construção de parcerias. A organização já confirmou a realização da próxima edição, prevista para 2027.

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