Milho favorece ação de parasitoide contra lagarta-do-cartucho

Pesquisa aponta maior parasitismo, fecundidade e crescimento de Habrobracon hebetor sobre lagartas alimentadas com milho

20.10.2026 | 08:05 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Luis Eduardo Albano - iNaturalist - CC BY-NC 4.0
Foto: Luis Eduardo Albano - iNaturalist - CC BY-NC 4.0

A planta utilizada na alimentação da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) altera o desempenho do parasitoide Habrobracon hebetor (também conhecido por Bracon hebetor). Em casa de vegetação, o inseto paralisou aproximadamente 72% das lagartas criadas com milho, contra 57% das alimentadas com mamona. O resultado integra pesquisa conduzida por cientistas da Índia e da Arábia Saudita.

O parasitismo efetivo, identificado pela presença de ovos do parasitoide sobre as lagartas, alcançou 32% no milho e 23% na mamona. O parasitismo sem postura visível de ovos atingiu 40% e 34%, respectivamente, sem diferença estatística significativa. Habrobracon hebetor injeta veneno, paralisa o hospedeiro e pode provocar sua morte mesmo sem oviposição.

Em laboratório, as fêmeas oriundas de lagartas alimentadas com milho apresentaram média de 46,39 hospedeiros com parasitismo efetivo ao longo da vida. No tratamento com mamona, a média ficou em 36,71. A quantidade total de lagartas paralisadas por fêmea chegou a 95,64 e 82,79, respectivamente.

Dieta influencia

A dieta da praga também influenciou o desenvolvimento do inimigo natural. O período até a fase adulta foi de 12,18 dias no milho, contra 14,06 dias na mamona. A fecundidade média chegou a 247,09 ovos por fêmea no milho e a 226,50 na mamona. A taxa intrínseca de crescimento populacional foi de 0,217 por dia no milho, ante 0,186 na mamona.

Nos ensaios com diferentes densidades de lagartas, o parasitoide apresentou resposta funcional do tipo II em ambas as plantas. O número de lagartas parasitadas aumentou com a oferta de hospedeiros, mas deixou de crescer nas maiores densidades. No milho, esse número chegou a cair, de cerca de 12 para cerca de 10 lagartas parasitadas, quando a oferta por fêmea passou de 32 para 64.

Os pesquisadores atribuem parte das diferenças à possível influência de nutrientes e compostos defensivos das plantas sobre as lagartas. Esses mecanismos não foram medidos. Os resultados ainda precisam de validação em lavouras (doi 10.3390/insects17101085).

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