Mercado Agrícola - 31.mar.2026

USDA reduz ritmo de expansão e sustenta mercado de grãos

31.03.2026 | 19:45 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O relatório de intenção de plantio do USDA trouxe ajuste relevante na área de soja e cortes em milho, trigo e outras culturas nos Estados Unidos. O mercado reagiu com alta. A expansão da soja ficou abaixo do esperado. O milho perdeu área. O conjunto indica menor oferta futura e sustentação de preços.

A área de soja nos EUA alcança 34,25 milhões de hectares. O número supera em 4% o ciclo anterior, com 32,84 milhões. O dado fica abaixo da projeção do Outlook Forum, com 34,5 milhões, e distante do recorde de 35,3 milhões registrado em 2024. A safra abre a temporada com potencial entre 118 e 120 milhões de toneladas. O plantio ainda não começou. O inverno segue ativo.

No Brasil, a colheita avança. O país alcança 80% da área colhida. Mato Grosso chega a 99%. Paraná e Mato Grosso do Sul atingem 85%. Goiás soma 80%. Bahia registra 68%. Rondônia marca 88%. O Rio Grande do Sul segue em fase inicial. Outras regiões variam entre 50% e 70%. A produção caminha dentro da normalidade. Projeções indicam volume entre 178 e 180 milhões de toneladas. O desempenho gaúcho define o número final. A produtividade no estado varia entre 30 e 45 sacas por hectare.

A comercialização da soja atinge 50% da safra. O índice fica abaixo do ano passado, com 57%, e da média histórica, com 56%. O produtor ainda detém cerca de 89 milhões de toneladas. O vencimento de dívidas em abril pressiona vendas. O mercado deve registrar maior oferta no curto prazo.

Em Chicago, a soja encontra suporte em US$ 11,60 por bushel no contrato maio. O julho enfrenta resistência próxima de US$ 11,90. As cotações operam em faixa estreita, entre US$ 11,40 e US$ 11,90. O relatório do USDA evitou quedas mais intensas.

Situação do milho

No milho, o USDA indicou 38,54 milhões de hectares. O número representa queda próxima de 1,5 milhão de hectares frente ao ciclo anterior. A redução implica corte potencial de 15 a 18 milhões de toneladas na oferta. O dado reforça viés positivo no mercado global.

No Brasil, a colheita da primeira safra alcança 70%. Rio Grande do Sul registra 75%. Paraná e Santa Catarina somam 70%. Minas Gerais atinge 68%. A safrinha ocupa área menor. Estimativas apontam 17 milhões de hectares, abaixo dos 18 milhões projetados. O atraso no plantio reduziu a janela ideal.

O estoque disponível soma cerca de 29,7 milhões de toneladas, considerando colheita atual e remanescentes. O produtor segura vendas. O setor de ração indica custo elevado para carregar estoques. Mesmo assim, o mercado mantém viés de alta. Na B3, contratos já testam R$ 77 por saca para janeiro, com espaço para R$ 80. A demanda interna segue firme, com destaque para ração e etanol. A próxima safrinha pode ficar entre 100 e 105 milhões de toneladas, abaixo do recorde anterior de 113,3 milhões.

Situação do trigo

O trigo acompanha o movimento positivo. O USDA projetou 17,7 milhões de hectares, abaixo dos 18,3 milhões do ciclo anterior. Em Chicago, as cotações superam US$ 6,10 por bushel. Contratos longos se aproximam de US$ 6,60. No Brasil, o preço oscila entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada no Paraná. No Rio Grande do Sul, varia de R$ 1.130 a R$ 1.170. O trigo importado supera R$ 1.500 por tonelada. O produtor ainda avalia a área da nova safra.

Situação do arroz

O arroz registra alta no mercado interno. No Rio Grande do Sul, a saca subiu de R$ 54-55 no início de março para R$ 60-62 no fim do mês. A colheita atinge 48% no estado. Santa Catarina chega a 80%. Tocantins soma 25%. O Brasil alcança 50%. A produção gira em torno de 11 milhões de toneladas. O varejo já repassa custos. Pacotes variam de R$ 15 a R$ 30. O movimento pressiona a inflação. O ajuste de preços busca recompor margens do setor.

Situação do feijão

O feijão mantém estabilidade. O carioca tipo 9 varia entre R$ 315 e R$ 350 por saca. O tipo comercial oscila entre R$ 280 e R$ 310. O mercado mostra leve reação no início de abril. O feijão preto recua, com preços entre R$ 170 e R$ 195. A reposição no varejo pode sustentar novas altas nas próximas semanas.

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